A porcaria da censura
Quem leu o livro “A Revolução dos Bichos” deve lembrar que os animais tomam a Granja do Solar, expulsam a família do senhor Jones (humano até então proprietário daquelas terras) e que dois porcos que lideram os animais (Napoleão e Bola de Neve) disputam, voto a voto as decisões da fazenda. Ocorre que, vencido pela eloquência de Bola de Neve, Napoleão ordena que nove cães ataquem e expulsem Bola de Neve, tornando-se, ele, Napoleão, o único comando, contra o qual os animais que ousassem se manifestar eram imediatamente censurados pelo rosnar de seus temidos cães.
Pois, então, a tirania de Napoleão é marca inconteste de muitos políticos, que feito o porco daquele conto, utilizam o poder (que é de todos) para calar a quem possa ameaçar os seus interesses. Dali em diante a história narra uma série de desmandos que incluem corrupção, homicídios e a boa vida que os porcos desfrutam à custa do trabalho pesado e do silêncio dos outros animais.
Em Campo Mourão são muitos os episódios em que os “cães”, capitaneados por seus “porcos”, “rosnam” por meio da Justiça, sentenciando ao silêncio ou aparelhados pela máquina fiscal que quase sempre encontra um bom motivo para fechar as portas de meios de comunicação. E nesse jogo, quanto mais delicados os temas contra os “porcos”, mais ferozes podem ficar seus “cães”…
Há alguns anos, uma TV local foi fechada por “problemas de Alvará”, num momento de baixa popularidade do então prefeito. E aqui vale o destaque de que o sujeito se vangloriava por ser comparado a Hugo Chaves, que também fechava TVs de seu País, na mesma época. Mais recentemente, um presidente do Legislativo esteve tão sedento por calar os meios de comunicação, que pagou a censura com dinheiro público. Também no início deste mandato municipal, este órgão de imprensa foi “calado” e continua impedido – por medida judicial – de falar sobre problemas de campanha de um dos candidatos da última eleição para prefeito.
A última – e não menos chocante – foi a tentativa de fechar um jornal local. Segundo a publicação diária, a diligência seria por problemas de ruídos de seu maquinário. Mas ficou evidente que o “barulho” da rotativa que mais incomoda está nas chapas que imprimem textos contra a atual gestão. Mais cedo ou mais tarde, esses mandatários perceberão que é um péssimo negócio tentar silenciar a quem possa tornar pública essa sua tentativa.