Censura: uma dura realidade em Campo Mourão

Sábado. 12h50. O celular toca. No visor, um número desconhecido. Penso um pouco antes de atender, afinal de contas, este é um dia que separo para outras atividades. Será trabalho? Ou será alguma urgência, um amigo que trocou de número? Acabo atendendo a chamada:

– Alô!
– Alô, é o Fernando?
– Sim, quem fala?
– Aqui é o Oficial de Justiça. Tenho um Mandado de Segurança em mãos e preciso que você assine, é urgente!
– Mandado de Segurança?  Mas do que se trata?
– É sobre uma reportagem de cunho político que o Tásabendo.com divulgou. Pede a retirada da matéria ou alteração.

O Oficial de Justiça me disse quem estava pedindo, mas de acordo com o documento, eu não posso citar o nome dessa pessoa, nem colocar foto, nem fazer qualquer alusão ao nome. Está proibido! Caso isso aconteça, vem a sentença: multa de R$ 30 mil.

O diálogo continua.

– Mas, eu não posso assinar outra hora, hoje a noite, depois do pôr-do-sol, amanhã?
– Não! Preciso te entregar agora. Depois você vê o que faz. Onde te encontro?

Quando recebo o documento percebo do que se trata. Não era apenas o Tásabendo.com que estava sendo censurado, também outras mídias locais, só locais, mas nem todas as que divulgaram a tal reportagem. Ainda não sei, ou sei, o porquê que outros veículos não receberam a mesma sentença do Juiz.

O texto me fez lembrar o que estudei nos bancos da universidade sobre a era da ditadura, de como a mídia era tratada: ‘Que recolham os exemplares já impressos… que se coloque uma tarja preta que se impossibilite a leitura… que seja retirado do ar os que já foram publicados em portais da internet.’

O documento ainda diz que não é questão de censura. Mas o que é então? Só se pode divulgar aquilo que é de seu interesse? O que aconteceu (NÃO POSSO CITAR, porque vai dar alusão aos fatos) é mera informação pública.

Aqui nesse portal de notícias, primamos pela imparcialidade. Vamos lutar sim, para que liberdade de expressão, sem abuso, seja respeitada.

A mídia sempre exerceu grande poder sobre a opinião pública. Há quem diga que é ela que decide quem será o próximo presidente do País. Outros acreditam que ela influencia no que as pessoas vão vestir neste verão. Querendo ou não, o quarto poder tem em suas mãos a difícil tarefa de regular padrões à nação. Difícil porque, de acordo como ela aborda certos fatos, pode conduzir o País ao sucesso ou à ruína. E o pior: como todo o “bom” poder, tem sempre alguém tentando manipulá-lo.

É bem verdade que o mundo da comunicação está lotado de coisas bizarras. Alguns donos de jornais ou redes de televisão e rádio se aproveitam e fazem mau uso do poder que têm. Algumas mídias – se não a maioria – existem basicamente para atender aos interesses daqueles que as sustentam. São eles: os grandes anunciantes, banqueiros, as grandes empresas, latifundiários e políticos.

No passado, os jornalistas brasileiros quase ficaram doidos com a ameaça de implantação de um conselho para fiscalizar a imprensa. Vários discursos pairavam sobre as páginas, telas e ondas de comunicação. Uns a favor, outros contra. O lema do “conselho” era orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão jornalística. Era um conceito distorcido, pois colocava o profissional como uma marionete, sem vida própria.

Será isso que está acontecendo em Campo Mourão? Será que querem que nós, nos tornemos marionetes em suas mãos?

Esse covil de gananciosos estão sempre querendo exercer seu poder sobre a mídia.

E o povo? Esse que engula o amargo cálice da enganação.

(Fernando Lorenzzo)