Os alicerces da aprendizagem
Muitos fatores que implicam na aprendizagem escolar alicerçam-se, com grande influência, nas relações afetivas e vinculares formadas durante os primeiros anos de vida da criança.
Ao nascer, o mundo do bebê são os pais e as pessoas que ajudam nos cuidados com a criança, e buscam satisfazer suas necessidades básicas. Nessa fase, a comunicação do bebê com o outro e com o mundo acontece de modo sensório motor. Através do seu corpo, as vivências corporais como o aconchegar, a amamentação, o banho, o secar, o trocar fraldas e acalmar as dores, são momentos oportunos de diálogos afetivos.
O bebê sente as tensões do contato, sendo a qualidade do movimento e a sensibilidade com que essas ações são feitas pelo adulto que o bebê vai registrar, através das sensações que experimenta, a consciência do seu eu corporal e a diferenciar entre o que pertence ao seu corpo e ao mundo, formando as primeiras estruturas necessárias à compreensão da noção espacial e do esquema corporal, que o faz sentir-se aceito e incluído em seu meio. Por meio dessas experiências corporais afetivas será constituída a estrutura básica de sua personalidade, seu modo pessoal de perceber, de ser e de agir no mundo.
O bebê não entende o significado das palavras, mas sente as emoções que elas transmitem. Assim, ao conversar com ele coisas do cotidiano, quando se canta ou conta uma história como se o bebê entendesse, vai aprendendo os sons, os ritmos das palavras e a musicalidade da língua, sendo a semente para a aprendizagem da linguagem e, depois, para a leitura e a escrita.
Como não entende as regras e normas, o bebê manifesta-se nos momentos em que sente desconforto como: fome, frio, calor e dor. Ao ser atendido prontamente em sua demanda irá integrar os fatores, negativos ou positivos, das suas vivências com o adulto, pois através da voz, do olhar e do toque intencional com a criança comunicamos nossas emoções, nossa aceitação incondicional e nosso desejo de que está sendo bem vinda. Porém, essa harmonia só pode ser estabelecida por meio de um prazer recíproco, isto é, se a mãe ou adulto que cuida do bebê também sentir prazer nessas tarefas. Baseado nessa segurança e confiança nos pais a criança torna-se capaz de aceitar o mundo e a si mesmo, sendo essa primeira comunicação com o adulto que vai servir de base para a elaboração das suas futuras relações sociais.
É assim que a criança percebe e aprende que será capaz de encontrar soluções para obter o que necessita e passará a confiar na vida e no mundo, adquirindo segurança e confiança no decorrer de seu desenvolvimento, iniciando um processo de estruturação da auto-estima.
A ausência desse contato do corpo do bebê com o corpo do adulto, desse toque afetivo, é para ele uma ausência total de segurança, um vazio, e possivelmente crescerá com desconfiança e insegurança, desejando ser o centro das atenções em outras idades, o que não será saudável para suas relações.
Ao crescer, vai desenvolvendo sua estrutura cognitiva que possibilita a distinção dos diferentes papéis sociais, demonstrando que já pode pensar, e portanto aprender.Esses sinais de maturidade cognitiva podem ser vistos ao querer balbuciar as palavras, segurar a mamadeira, descer do berço,controlar seus esfíncteres, saindo da posição antropocêntrica, dando sinais para que passem a orientá-la . Momento em que os pais começam a ensinar as primeiras regras e convenções do grupo familiar: hora de dormir, de alimentar-se, de passeios,… Se essas aprendizagens realizadas no meio familiar acontecerem de forma eficiente e prazerosa, a criança estará construindo as bases de apoio para aprender outras convenções, como as escolares e sociais, convivendo em paz com seus semelhantes.