População do Jardim Silvana coleciona promessas de pavimentação das ruas
Entra e sai prefeito e a cada nova eleição são renovadas as promessas dos grupos políticos de Campo Mourão de que pavimentarão as ruas do Jardim Silvana. Este é de longe o problema que mais aflige moradores que ora estão na poeira, ora estão na lama. A prefeitura realiza o cascalhamento das vias, mas para os moradores este é apenas um sinal que o asfalto não chega já. A população do bairro mais distante da Asa Leste tem outras reivindicações que apontam nesta reportagem.
Conforme mostra o jovem Eric Pereira de Almeida, 20, entre a primeira rua do bairro e a rodovia BR 158 (que leva à Maringá) há três bolsões de água cercados que acumulam ali a sujeira que vem da rodovia. Para Eric aqueles buracos funcionam como criadouros do foco de mosquito da dengue, o que para ele se confirma no alto índice de pessoas infectadas pela doença no bairro. Eric informa que falta policiamento no local e que o posto de saúde mais próximo está há mais de um quilômetro dali.
A presidente da Associação de Moradores do Jardim Silvana, Nelice Correa L. Vilasboas, 47, diz que falta de tudo no bairro. “Precisamos de asfalto, creche, médico da família, área de lazer, iluminação pública, reforma do nosso campo de futebol, calçada dando acesso à Coamo, uma passarela sobre a BR 158, limpeza das bocas de lobo, pontos de ônibus (pois o Transporte Coletivo não circula no bairro), um posto de saúde, um barracão industrial, um clube de mães e tudo que os outros bairros têm”, lista. Segundo Nelice “o Jardim Silvana é uma vergonha e desde que saiu está abandonado”.
Apesar de apontar o asfalto como a prioridade do bairro, Isabel Ferreira de Jesus, 36, diz que o bairro não tem nada. “Só somos lembrados em época de política!”, enfatiza. Isabel conta que as filhas estão sofrendo bullying porque em dias de chuva chegam na escola com os calçados sujos. “Em dias de chuva nem lixeiro nós temos”, reclama e conclui que o atendimento de saúde do posto de saúde do Jardim Modelo é péssimo.
A dona de casa Zilma Terezinha de Melo afirma que falta muita coisa no bairro, mas que “apenas o asfalto chegando já está muito bom”. Zilma, que vai à igreja à noite de moto com o filho, diz que em dias de chuva é muito complicado. “É perigoso até cair de moto”, prevê.
Para Adélia Gonçalves, 26, o abandono do bairro é total, pois além de não ter um posto de saúde o bairro não tem um mercado. “No posto do Modelo a prioridade é para quem mora daqueles lados de lá. Para nós demora para conseguir uma consulta”, lamenta. Adélia reclama que não há ponto de circular e diz que o cascalhamento ajuda, mas não resolve. “Meu marido tem uma moto e ele não vence lavar a moto… esse lugar aqui é muito esquecido”, sentencia.
A dona de casa Neuza Veloso, 46, salienta que o cascalhamento é muito bem vindo, “mas se vier o asfalto é melhor”. Ela lembra que no local não há esgoto e que está aguardando uma consulta com psiquiatra há quase um ano. “É muito difícil conseguir consulta no posto do Jardim Modelo”, queixa-se.
Quando precisa de médico, a auxiliar de cozinha, Alessandra Lopes Veiga, 34, conta que ou vai ao Posto do Jardim Modelo ou vai ao Posto 24h do Lar Paraná, que fica do outro lado da cidade. Para ela “é bem complicado conseguir uma consulta na unidade de saúde do Jardim Modelo”. Ela acredita que vai demorar a chegar o asfalto, pois o bairro ainda não tem galerias de esgoto. E assim como os demais moradores, Alessandra espera o dia em que as promessas tornem-se verdade e o asfalto chegue ao Jardim Silvana.