Vereadores alegam falta de vontade em doar terreno à UTFPR; prefeitura responde

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A assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Campo Mourão divulgou uma matéria na tarde desta terça-feira (07), dizendo que a prefeitura ainda não fez sua parte, no que diz respeito a vinda de três novos cursos para o câmpus da UTFPR na cidade. Rapidamente a prefeitura respondeu e divulgou uma nota, explicando o porquê da demora. Confira abaixo na íntegra o que diz cada texto.

Matéria da Câmara – UTFPR: Campo Mourão corre o risco de perder 3 cursos de engenharia

A demora na doação pela administração municipal de uma área para a ampliação do campus local da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPT) – aguardada há pelo menos dois anos – pode levar a instituição a desistir da implantação dos cursos de Engenharia Química, Engenharia Mecânica e de Engenharia de Energias em Campo Mourão. Os três novos cursos superiores já estão pactuados no Ministério da Educação e a projeção é de que ampliariam em cerca de 1.500 acadêmicos atendidos no campus.

Na busca de uma solução para o impasse, a Câmara de Vereadores promoveu inúmeras reuniões ao longo dos últimos meses com a participação dos proprietários do terreno pretendido, a direção do campus e representantes da administração municipal. O último encontro para tratar da questão aconteceu na manhã desta terça-feira (7/4), na sede do Poder Legislativo. Uma vez mais não se chegou a um entendimento e a cidade está na eminência de perder os cursos que, além de atender um expressivo contingente de jovens da cidade, da região e oriundos de outras partes do país, contribuiriam de forma significativa para o fortalecimento da economia local.

Atualmente, a UTFPR deixa mensalmente em Campo Morão cerca de R$ 4 milhões, sem falar nos investimentos e custeio. Com a vinda de três novos cursos e demanda de 1.500 alunos haveria um acréscimo da ordem de R$ 1,5 milhão como ativos circulantes no município (sem considerar investimentos e custeio).

Na avaliação de vereadores que participaram de reuniões para tratar do assunto falta vontade política por parte da administração municipal. Já os proprietários do imóvel pretendido pela UTFPR para viabilizar futuras edificações essenciais para atender os projetos de expansão das atividades na unidade afirmam que sempre estiveram abertos ao diálogo e que buscaram de todas as formas contribuir no sentido de viabilizar o pleito da UTFPR. Revelam que chegaram, inclusive, a aceitar a proposta de permuta da área por outros terrenos do Município, o que não seria comum nesse tipo de negociação.

Os proprietários do terreno também reclamam que a Prefeitura estipulou em R$ 150,00 o metros quadrado na área do terreno pretendido para efeito de lançamento do IPTU, mas que para efeito de desapropriação avaliou em apenas R$ 30,00 o metro quadrado. Eles classificam o tratamento diferenciado como “incoerência”. A ausência da prefeita Regina Dubay nas reuniões para tratar da questão também é criticada, dada a importância do projeto de ampliação dos cursos ofertados pela UTFPR no Município.

O presidente da Câmara Municipal de Campo Mourão, Eraldo Teodoro de Oliveira (PMDB), é um dos vereadores que tem se empenhado na busca de uma solução para o impasse. “Falta vontade política por parte da Prefeitura para resolver a questão e assim assegurar, definitivamente, a implantação dos três novos cursos de engenharia na cidade. Não podemos perder esses cursos que atenderão aos nossos jovens e são fundamentais para firmar definitivamente Campo Mourão como referência em ensino superior”, acentua Teodoro.

Edson Battilani (PPS) é outro vereador que tem trabalhado na busca de uma solução para o impasse. “Não é concebível que o Município corra o risco de perder os cursos de Engenharia Química, Engenharia Mecânica e de Engenharia de Energia, ofertados por uma instituição federal do conceito da UTFPR, por causa de um terreno. A intransigência e falta de sensibilidade demonstrada pelo governo municipal pode gerar prejuízos irreparáveis para Campo Mourão e dificultar ou até mesmo inviabilizar a formação de um incontável número de jovens mourãoenses e de outras cidades”, denuncia o vereador.

Outros vereadores de Campo Mourão também participaram das sucessivas reuniões promovidas na busca de uma solução para o caso. No encontro desta terça-feira também estiveram presentes os vereadores Edilson Martins (PSD) e Olivino Custódio (PR).

Nota da Prefeitura: Processo de aquisição de terreno para a UTFPR

A Prefeitura de Campo Mourão, através da Procuradoria Jurídica esclarece que o processo de aquisição de imóvel com 47 mil metros quadrados para doação ao câmpus UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, vinha sendo realizado através de negociação com os proprietários, que não aceitaram a proposta de pagamento com valor de terra sem infraestrutura. No acordo proposto o município ofereceu R$ 1.428.057,00 em toda a área, sendo R$ 30,00 o metro quadrado, enquanto que os proprietários exigem o valor de R$ 6.188.247,00, correspondendo a R$ 130,00 o metro quadrado. Mediante a negativa de proposta em várias reuniões, a administração municipal estará iniciando um processo de desapropriação via judicial visando à viabilização da área se propondo pagar o preço a ser estabelecido pela justiça, desta forma garantindo o terreno para a construção de novos blocos e implantação de novos cursos superiores.

O projeto de ampliação do câmpus da UTFPR de Campo Mourão corresponde aos anseios da comunidade regional com a implantação dos cursos de Engenharia Mecânica, Engenharia de Energia e Engenharia Química, já garantidos pelo Governo Federal.