Paulo Pilatte fez campanha com R$ 2 mil e sem santinho nas caixas de correios

Pilatte disse que não depositou nenhum “santinho” ou “cola” na caixa de correio de ninguém
Uma campanha enxuta, com pés no chão e com muita disposição dos amigos e familiares. Foi assim que Paulo César Pilatte (PSL), 57 anos, foi eleito vereador nas eleições de 15 de novembro, em Campo Mourão. Com 519 votos nas urnas, ele afirma que gastou menos de R$ 2 mil na campanha.
Outro diferencial do novo vereador em relação a outros candidatos: não depositou nenhum “santinho” ou “cola” na caixa de correio de ninguém.
“Não produzi material de campanha. A divulgação de minha candidatura foi feita de boca em boca, pelos amigos, que saiam pedindo votos a outros conhecidos”, afirma Pilatte, que trabalha na agricultura e horticultura, na região da comunidade Barreiro das Frutas.
Formado em Filosofia e Gestão Pública, ele ´já trabalhou ainda nas secretarias de Saúde e de Obras, na prefeitura de Campo Mourão. “Toda essa bagagem será importante na Câmara de Vereadores”, disse ele., que também promete não usar diárias durante o mandato. Pilatte nunca havia disputado eleição para vereador.
Com tanta renovação na Câmara, quem é Paulo Pilatte?
Nasci na fazenda Boa Esperança, no Rio da Várzea e moro na região do Barreiro das Frutas, até hoje. Trabalho na agricultura e horticultura. Estudei no seminário por 10 anos, onde cursei filosofia com três Capuchinhos, em Ponta Grossa. Depois retornei a Campo Mourão, onde trabalhei na agricultura e horticultura com os irmãos Pilatte. Fui feirante por um período, trabalhei na entrega com caminhões em várias cidades e, por cinco anos atuei na secretaria de Saúde de Campo Mourão. Nos últimos três anos e meio passei ainda pela secretaria de Obras e fiz faculdade de Gestão Pública na Unicesumar.
Quais seus projetos na Câmara? Você disse que não pretende usar diárias?
Tenho uma série de bons projetos para colocar em prática, os quais tenho certeza que a maioria da população vai aprovar, e muito. Quanto às diárias, não vou usá-las durante o mandato. O conceito de enxugamento da máquina passa por um processo as vezes lento, por isso não adianta querer atropelar as coisas, chegar lá e querer extinguir as diárias. Pelo salário que recebe o vereador, entendo que não há necessidade do uso de diária. Alguma viagem que precise fazer para resolver questões do Legislativo ou mesmo do Executivo, vou pagar com o meu próprio salário.
Que avaliação faz da campanha?
Foi um período muito agradável e prazeroso, praticamente sem gastos. Para se ter uma ideia, gastei menos de R$ 2 mil. Campanha enxuta, com os pés no chão e olho no olho, mostrando ao cidadão mourãoense que vale a pena fazer uma política limpa, transparente e verdadeira. Por onde passei o povo acolheu essa ideia e respondeu com voto na urna. Fazer mais de 500 votos em Campo Mourão não é fácil, mesmo para quem usa um pouco mais de dinheiro ou outros artifícios. No meu caso, nem produzi material de campanha. Não coloquei colinha ou panfleto na caixa de correio de ninguém. Foi uma campanha dos amigos do Paulo Pilatte e essa gratidão vou ter pelo resto da vida. Era um amigo levando a minha proposta para outros amigos e assim chegamos à eleição. Procurei colocar Deus adiante, saindo de casa todo dia com o coração tranquilo, certo de que estava fazendo tudo da melhor forma. Foi algo surpreendente, esperava uma votação maior, mas por outro lado pela primeira vez tivemos cinco candidatos da família, o que acabou dividindo muito os votos. Juntos, chegamos a 1,5 mil votos.
O que achou da renovação na Câmara?
A renovação em torno de 70% na Câmara, foi de fundamental importância para voltar a motivação aos trabalhos. É uma renovação de conceito e de valores. Campo Mourão deu uma das mais belas lições, todos pediam renovação e isso foi dado nas urnas. 70% e uma quantidade grande e creio que seja suficiente para fazermos um excelente trabalho. Todos, inclusive os reeleitos precisam fazer uma leitura dessa sabedoria popular em Campo Mourão, observando que a renovação não deve se resumir apenas em nomes, mas no conceito e nos valores. Dessa forma sim essa renovação valerá muito a pena.
O que os mourãoenses e principalmente seus eleitores podem esperar do vereador Paulo Pilatte?
O cidadão mourãoense pode esperar da minha parte a dignidade de um trabalhador, que vai honrar o nome de uma família pioneira de Campo Mourão, com muito trabalho e dedicação integral na Câmara. Será meu único trabalho, com dedicação total nesses próximos quatro anos.
O que te motivou a disputar uma cadeira na Câmara Municipal?
Já de longa data sempre trabalhei em ações sociais. Por muitas vezes fui presidente da Associação de Moradores do Barreiro das Frutas, presidente da comissão da capela Nossa Senhora Aparecida, a igrejinha do Barreiro das Frutas. Também presidi a APP por longo período na escola Almira Lemes, hoje fechada por falta de alunos na região do Barreiro das Frutas. Sempre fui muito envolvido com a comunidade, ajudando na organização de torneios de futebol. Também sempre gostei de política, mas nunca havia saído candidato. Agora com 57 anos, me sinto totalmente preparado. Tenho faculdade de Gestão Pública e de Filosofia, três anos e meio na secretaria de Obras e outros cinco anos na secretaria de Saúde de Campo Mourão. Toda essa bagagem será importante na Câmara de Vereador. A intenção era ter disputado a eleição passada, em 2016, mas havia perdido meu filho Marcos Vinicius um ano antes (morreu pisoteado por um touro) e a família achou por bem adiar o projeto.