Filho espanca os pais por causa da compra de uma motocicleta

No final da tarde desta segunda-feira (21) o trabalhador rural aposentado, V.F.S, de 53 anos, acompanhado de sua mulher, a dona de casa, M.F.S., de 48 anos, procuraram o destacamento da Polícia Militar, em Peabiru, para denunciar seu filho W.F.S., de 20 anos, de tê-los espancado, deixando marcas visíveis no rosto dos dois.

Segundo o pai, V.F.S., o motivo do desentendimento seria por conta da compra de uma motocicleta. ”Sou aposentado, ganho apenas um salário mínimo por mês e meu filho quer que compre uma motocicleta para ele”, conta o pai. “Não é a primeira vez que ele faz isso, já registramos dois boletins de ocorrência na Polícia Civil, mas não representamos, para dar mais uma chance a ele, mas hoje ele passou dos limites, agora quero que ele pague pelo que fez”, conclui.

‘Não é de hoje que W.F.S. vem dando problemas em casa. Há pouco tempo, ele pegou uma bicicleta que eu tinha cobrado, novinha, e vendeu por R$40,00. Nem sei o que ele fez com o dinheiro. De outra vez ele pegou um botijão de gás e vendeu, mas este, eu consegui recuperar, porque conhecia a pessoa que comprou’, continua. Atualmente ele está se recuperando de uma cirurgia que precisou fazer por causa de quatro tiros que recebeu na região do abdômen, durante uma briga.  ‘Nós nem sabemos porque ele tomou esses tiros, mas cuidamos dele, mas ele ainda sente dores’, conta o pai

Já a mãe, M.F.S., fala que o filho é trabalhador e é um bom filho. “Mas tem dias que ele fica muito nervoso e por qualquer coisa ele parte pra cima de nós, batendo e xingando”, diz a mãe. “Ele toma remédios controlados e quando criança ele freqüentou a APAE, mas normalmente é uma pessoa tranqüila e convive muito bem com todo mundo, mas quando ele lembra e cobra pela compra da tal motocicleta, ele fica muito agitado e começa a agredir a gente”, explica.

Os pais contam que dão conselhos para o filho, ”mas ele não dá a menor confiança”. Eles comentam que o W.F.S.  trabalha em uma granja nos arredores de Peabiru. “A gente já cansou de explicar que não temos condições para comprar o que ele quer. Mal conseguimos comprar as coisas para colocar dentro de casa. Aconselhamos que ele juntasse o dinheiro e com o seu próprio trabalho compre a sua motocicleta”, propõem. “Mas ele quer a motocicleta já, não quer esperar mais”, completam.

Já o filho tem outra versão para justificar a agressão. “Eu emprestei um dinheiro para o meu pai e eu fui cobrar dele. Ele disse que não tinha o dinheiro”, explica W.F.S. “Eu sou trabalhador, ganho o meu dinheiro, aí emprestei para ele pagar umas contas lá no banco. Para beber suas cervejas ele tem dinheiro, mas para me devolver o que emprestei, ele diz que não tem”, continua. “Eu precisava da grana para ontem, aí ele disse que não tinha para me devolver. Fiquei nervoso, perdi a cabeça e parti para cima”, justifica.

Os soldados Becher e Sultoski que atenderam a ocorrência, explicam que o caso é classificado como violência doméstica. ”Ao recebermos a denúncia, fomos até a casa do indivíduo e o prendemos. Agora estamos encaminhando ele mais as duas vítimas para a Polícia Civil para que eles dêem andamento. As vítimas deverão fazer o exame para comprovar as lesões.  Os pais terão de representar porque, se não o fizerem o filho será solto e voltará para casa”, explicam.

Perguntados se desejavam representar, o casal assegura que desta vez que não vai deixar passar em branco. “W.F.S. já nos agrediu diversas vezes e nós relevamos por ser nosso filho, mas agora chega! Ele vai ter de pagar pelo que fez. Nós não queremos que ele sofra, nem lhe desejamos mal, mas ele precisa aprender a respeitar os seus pais”, afirmam.

Na delagacia

No entanto, na delegacia, depois de muita conversa com o escrivão, os pais registraram o boletim de ocorrência (este é o terceiro), mas não quiseram representar contra o filho. Assim ele foi repreendido pelos policiais de plantão, mas foi solto em seguida e voltou para casa junto com os pais.

(Ari Mendonça)