“A lei é branda para os criminosos”, diz juiz diretor do Fórum

“Também moro em Campo Mourão e faço coro a essas reclamações”, diz Edson Jacobussi
O clima de insegurança que assola Campo Mourão por conta do alto índice de furtos e roubos a residências e comércio, tem tirado o sono dos mourãoenses. O que mais tem causado revolta nas pessoas é saber que a Polícia Militar tem feito as prisões, porém os suspeitos são colocados em liberdade logo em seguida.
Diante dessa situação, o juiz Edson Jacobussi Rueda Junior, diretor do Fórum da comarca de Campo mourão concedeu entrevista ao site Tasabendo.com, para falar sobre o papel do Judiciário na hora de decidir pela prisão ou soltura do detido.
“Na verdade, esse clima de insegurança também nos preocupa como juízes, pois moramos em Campo Mourão e queremos uma cidade mais tranquila, mas nós obedecemos e estamos sujeitos às leis, que são muito brandas aos bandidos. Isso deixa o juiz de mãos atadas, pois o réu possui uma série de benefícios, que foge um pouco do controle do judiciário”, afirma Jacobussi.
Assim como todo cidadão, o diretor do Fórum diz que gostaria que a lei fosse mais rigorosa contra os infratores. “Não podemos julgar contrariamente ao que rege a lei. Entendemos os reclames da sociedade e fazemos coro a essas reclamações, porém há muitos benefícios a quem comete crimes, sem contar a questão da superlotação carcerária, sete ou oito vezes maior do que a capacidade das cadeias, o que também acaba tendo influência, somada à lei que é muito branda”, observa.
Quanto a atos de protesto, Jacobussi considera importante, porém afirma que o alvo dessas ações deve ser os legisladores das leis, para que as tornem mais rigorosa. “Foi levada esta semana para o Senado as 10 medidas contra a corrupção, mas o que vemos foi a lei da mordaça contra os juízes, ou seja, inverteram a ideia”, lamenta.
Sobre a manifestação realizada na manhã de hoje, em frente à prefeitura, o diretor do Fórum diz que não foi convidado a participar, porém declarou que as portas do Fórum estão abertas para atender as reivindicações da população. O que Jacobussi não recomenda é a que as pessoas façam justiça com as próprias mãos, por se sentirem desamparadas.
“Sabemos que não é fácil ter o seu patrimônio violado, mas fazer justiça com as próprias não compensa, porque a pessoa pode acabar sendo presa e respondendo por um crime talvez mais grave. A orientação é que acione a polícia.”