300 aves: Polícia encontra maior centro de rinha de galos do Paraná; 10 pessoas foram presas

Na manhã deste domingo uma ação desencadeada pelas polícias militar ambiental, militar de Ubiratã e Polícia Civil desmantelou o que consideraram o maior centro de criação e treinamentos de galos (CT), utilizados para rinha de galos no Paraná. A ação foi realizada depois de uma denúncia anônima informando que numa propriedade rural, próximo ao centro da cidade de Ubiratã estaria prestes a ocorrer uma “briga de galos”. Em posse das informações, os policiais se uniram para em uma ação que poderiam estar envolvidas dezenas de pessoas.

No local encontraram 10 pessoas, as quais estavam preparando os animais para o embate. Aos mesmos foi dado voz de prisão e encaminhamento para a delegacia de polícia civil de Ubiratã. O delegado, Dr Mário Sérgio Bradock, autuou os envolvidos por maus tratos a animais e formação de quadrilha, arbitrando uma fiança de R$ 5.000,00 para cada preso.

O proprietário das aves deverá ser autuado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em até R$ 3.000,00 por ave apreendida.

Também foi contactado um veterinário da prefeitura de Ubiratã, o qual esteve no local e constatou que do número aproximado de 300 aves ali existentes, 113 galos estavam preparados para participarem de rinha, os quais possuíam sinais evidentes de maus tratos (amputações de esporas, áreas depenadas nas regiões do pescoço, dorso e coxas, além das cristas estarem cortadas e cauterizadas).

Como foi encontrado no local um vários tipos de medicamentos e não sabendo a quanto tempo está sendo aplicado tais medicamentos nas aves, foi estipulado um prazo de quarentena para desintoxicação.

As aves foram doadas para uma entidade assistencial do município de Ubiratã, a qual se responsabilizou em cuidar delas no período estipulado pelo veterinário para posterior destinação final.

No local também foi encontrado com os medicamentos uma tesoura e agulha cirúrgica, bem como dezenas de seringas de vários tamanhos utilizadas para aplicação dos medicamentos, além de esporas artificiais e capa de metal utilizada para proteção do bico da ave.

Como existiam no local muitas aves para as brigas, cada uma recebia uma plaqueta de identificação, tão logo estivesse pronta para participar das rinhas. Também foi encontrado um livro de registros com anotações sobre as apostas e a identificação de cada ave.

No Brasil, as brigas de galo estão proibidas desde 1934, com a edição do Decreto Federal 24.645 que proíbe ‘realizar ou promover lutas entre animais da mesma espécie ou de espécies diferentes, touradas e simulacro de touradas, ainda mesmo em lugar privado.’

As rinhas estão, ainda, implicitamente proibidas pela Constituição Federal e pela Lei de Crimes Ambientais, 9.605/98, em seu artigo 32 que diz: Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos., com pena de detenção, de três meses a um ano, e multa, que pode chegar até R$ 3.000,00 (três mil reais), conforme prevê o decreto federal n 6.514/08.

A Polícia Militar Ambiental sempre tem dado atendimento às denúncias diversas sobre a prática de ilícitos praticados contra o meio ambiente, e reforça que isso somente é possível, pois a população sempre que toma conhecimento dessas práticas delituosas realizam denúncias anônimas. “Temos a população como grande parceira no êxito do nosso trabalho, por isso sempre que atendemos uma denúncia, constatamos a veracidade das informações”, reforça o Tenente Luiz André Moreira, comandante do pelotão da Polícia Ambiental de Maringá, que é responsável pelo policiamento ambiental em toda área da COMCAM.

Na região da Comcam as denúncias podem ser elaboradas junto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de Campo Mourão pelo telefone (44) 3523 1915, que, em conjunto com a Polícia Militar Ambiental exerce a fiscalização efetiva em toda região, ou diretamente no órgão, também é possível realizar na Policia Militar Ambiental, situada na avenida João Bento, 1899.