Mais uma moradora da Asa Leste alcança o centenário

Dona Carolina corta o bolo para comemorar o centésimo aniversário – Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com

O mês de janeiro termina nesta sexta-feira e com festa para dona Carolina Machado. É que nesta manhã ela soprou a vela dos 100 anos, na companhia de agentes de saúde da Unidade Básica de Saúde (UBS) do conjunto Avelino Piacentini, em Campo Mourão.

O bolo foi levado pelas profissionais da saúde, que acompanham a idosa. Inclusive, o bolo foi feito pela nutricionista da unidade. Uma simples homenagem, mas que emocionou a idosa. “Eu não esperava essa surpresa, agradeço cada uma de vocês”, disse Carolina, que chega ao centenário de vida cheia de saúde e disposição.

Até pouco tempo, caminhava e não dependia de ninguém, mas um tombo dentro de casa fraturou o seu fêmur direito e agora ela depende de um andador para se locomover. Nada, porém, que desanime a idosa. “Vivo muito bem, tenho força e fé em Deus. Já trabalhei muito nessa vida e tudo isso tem me ajudado a viver bastante”, orgulha-se em dizer.

Lúcida e bem-humorada, ela gosta de uma boa conversa. Conta que nasceu em 30 de janeiro de 1920, na região de Concórdia, em Santa Catarina e já superou um derrame. “Passei por um derrame e não gosto de ir ao médico, pois tenho boa saúde.”

Para se ter uma ideia, ela conta que tomou a primeira injeção, aos 65 anos. “Me judia até hoje”, brinca. Dos nove filhos, dois já morreram e a idosa mora com um deles, Jovenilho Santana, de 52 anos.

Carolina revela que quando saiu de Santa Catarina, ainda solteira, veio morar com os pais em um sítio, entre Roncador e Iretama. Em Campo Mourão, ela conta que morou por três vezes.

“Vinha morar aqui e logo voltava para Iretama, onde ainda tenho filhos morando.” Apenas uma filha ainda mora em Santa Catarina, os outros residem no Paraná.

Enquanto morava no sítio, ela afirma que trabalhou muito de sol a sol e que foi casada por 25 anos. Perguntada se era viúva, disse que não: “Sou separada mesmo.”

Foram anos sofridos, mas que segundo ela ajudou no seu fortalecimento. O único vício é o cigarro, mas que até hoje parece não ter comprometido a saúde da idosa. “Fumo desde menina, mas só o cigarro de palha e nunca tive problema”, confirma.

Ela se recorda da 2ª Guerra Mundial, de 1939 a 1945, lembrando que via muita gente procurando esconderijo no mato. “As pessoas se escondiam no mato e as casas eram vistoriadas pelos soldados, atrás de armas. Foi um período muito duro. Na época eu morava em Roncador”, revela.

Carolina vive em uma casinha muito modesta, de madeira, na rua Ivailândia, no Avelino Piacentini. No quintal cria algumas galinhas, patos e dois cachorros.

OUTROS CASOS

A mesma equipe de saúde do Avelino Piacentini se despediu no ano passado, de Maria Leonor, uma idosa que faleceu aos 110 anos. “Aquele foi um caso raro, mas hoje temos vários casos de idosos passando dos 100 anos em Campo Mourão. Temos acompanhado alguns com 102 e até 104 anos. As pessoas estão vivendo mais hoje e com qualidade de vida”, comenta Marcia Calderan de Moraes, secretária de ação social de Campo Mourão.

O Núcleo Ampliado da Saúde da Família (NASF) da secretaria de Saúde de Campo Mourão procura identificar os centenários da cidade para, além de prestar uma atenção especial, promover homenagens como a realizada para dona Carolina, a cada aniversário.