Dia dos Pais, do Advogado e de dois Renatos

Renato Fernandes foi inspiração para o filho seguir também na advocacia – Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com

Domingo, 11 de agosto, dia dos Pais por ser o segundo domingo deste mês e coincidentemente também dia do Advogado. Duas datas marcantes e importantes no calendário e que neste ano caíram no mesmo dia.

Assim como em tantas outras profissões, é comum o filho se inspirar desde criança no ofício do pai na hora de escolher a carreira profissional. É como se a profissão também estivesse no DNA, um orgulho para tantas famílias.

Em Campo Mourão, são vários casos de filhos que optaram pelo curso de direito, inspirados nos pais. Mas um deles, envolvendo dois Renatos, vale a pena ser destacado neste domingo como forma de homenagear todos os pais e advogados da cidade.

Renato Fernandes Silva e Renato Fernandes Silva Junior.  Semelhança nominal e profissional. O pai, um homem de 86 anos, que além de ser o primeiro advogado de Campo Mourão, deixou também sua marca na política do município, sendo prefeito no período de 1973 a 1976.

O filho, que desde pequeno admirava a profissão do pai, nunca pensou em outra coisa que não fosse a advocacia. “Quando chegou o período da faculdade já fui direto para o curso de direito, sem nenhuma dúvida. Só nunca me interessei em ser prefeito, como meu pai”, afirma Junior, que hoje responde pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção de Campo Mourão.

Renato pai formou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Estadual do Paraná, em 1958. Chegou a Campo Mourão em 1960, onde advogou por muitos anos, sendo eleito prefeito em 1972, sucedendo o então prefeito Horácio Amaral. “Sou o advogado mais velho de Campo Mourão, tanto na idade, quanto na profissão. Só não continuo advogando ainda porque minha visão não ajuda a ler, nem escrever”, diz ele.

Sobre o filho seguir a mesma profissão, ele conta que foi um processo natural. “Desde criança o Renatinho já dizia que quando crescesse queria ser advogado ‘igual ao meu pai’”, orgulha-se.

Com experiência também na vida pública, ele revela que é mais fácil advogar: “Como advogado a gente faz amizade com muita gente, conhece muitas pessoas, enquanto na prefeitura a maioria só fica de olho para apontar as coisas erradas. Não reconhece as coisas positivas.”

Renato filho revela que a maior inspiração que tem no pai é a lisura e a correção com o patrimônio e a honradez. “Meu pai sempre foi um exemplo para mim. Nunca pensei em outra profissão, fiz um único vestibular de direito na Federal do Paraná, onde me formei”, declara Renato Junior.

PERÍODO ROMÂNTICO

Ao fazer um comparativo do período atual com a época em que seu pai advogou, Renato Junior considera que a advocacia perdeu o romantismo do passado. “Meu pai viveu o período mais romântico da advocacia, onde o trabalho era feito com base em pesquisa. O bom advogado era obrigado a ter uma grande biblioteca. Se media o seu conhecimento pela extensão do número de livro que ele tinha para pesquisar.”

A elaboração de uma petição, segundo ele, era considerada uma obra de arte.  “Você fazia a petição com extremo zelo e tinha tempo de rever. Hoje vivemos em outro mundo, onde o advogado acessa através do computador, julgados de ontem em todos os tribunais do país. As coisas ganharam uma velocidade inimaginável, ficando um pouco massificadas e, não raro, você se deparar no poder judiciário com uma petição tratando de outro assunto e não daquele processo, pois na pressa, o advogado copiou parte integrante de outra petição e jogou naquele, sem nenhuma reflexão que seria adequada e necessária”, diz ele.

Por fim, Renato Junior diz que neste domingo tem motivo duplo para comemorar: “Meu pai merece dupla homenagem, por ser o decano dos advogados de Campo Mourão, exercendo a profissão desde 1960 e por ser a pessoa que me ensinou tudo de bom que aprendi.”