Modelo do Paraná, Campo Mourão completa 73 anos de emancipação

Em 2020, a população aproximada de Campo Mourão é de 95.500 habitantes – Foto: Divulgação

Campo Mourão completa neste sábado (10 de outubro), 73 anos de emancipação política e administrativa. Por meio da lei nº 2, sancionada em 11 de outubro de 1947, o município era criado e emancipado de Pitanga.

O processo de emancipação nasceu de uma discussão no gabinete do governador. O Paraná estava passando por um processo de organização administrativa. A intenção do governo era tornar o distrito em município somente na década de 1960.

Porém, ao tomar conhecimento da notícia, Pedro Viriato de Souza Filho procurou Francisco Albuquerque, os dois eram amigos e fazendeiros. Albuquerque incentivou Viriato a ter uma audiência com o governador Lupion. Um assessor do governador interrompeu a audiência. Viriato ficou furioso com a opinião contrária do assessor.

Para apaziguar os ânimos, o governador cedeu a reivindicação de Pedro Viriato, desde que Pedro fosse o prefeito. Assim nasceu o município, que não tinha estrutura para ser emancipado, mas pela imposição de suas lideranças, conseguiu ser criado.

Logo nos primeiros anos, Campo Mourão foi agraciada com benfeitorias do governo, entre elas, prédios públicos, a Usina Mourão e a criação da Comarca.

Na década de 1960 — no auge da exploração madeireira — a cidade ganhou o prêmio de Município Modelo do Paraná. A conquista foi eternizada no hino de Campo Mourão, entoado pela primeira vez em 1967.

A maioria, ao ouvir que no passado já fomos considerados como Modelo do Paraná, imagina que isso se deve a estrutura urbana da cidade. Na verdade, o prêmio foi dado pela harmonia que existia entre os poderes municipais e também pela criação do Conselho Comunitário, que foi a primeira entidade de representação popular da cidade.

COMO SURGIU O NOME

Boa parte dos mourãoenses imaginam que o nome da cidade deve ser por causa de algum pioneiro ou pelos mourões, os troncos que demarcam os limites das fazendas.

No entanto, isso está equivocado. O nome Campo Mourão, simplificação do nome original Campos do Mourão, surgiu em 1769, ou seja, há 250 anos.

Nesse período, o Paraná ainda não existia e pertencia a São Paulo, que era governado pelo português Dom Luís António Botelho de Souza Mourão. Porém, várias expedições percorriam o Paraná. Em uma delas, em 1769, viu-se um imenso campo que foi batizado de Campos do Mourão, em homenagem ao governador Dom Luís António Botelho de Souza Mourão, que determinou que todas as descobertas deveriam ter o seu nome ou sobrenome.

Para a execução da ordem, Afonso Botelho, primo de Dom Luís, instruiu Estêvão Ribeiro Baião a registrar com seus sobrenomes todas as descobertas que fossem realizadas. Porém, o desfecho da expedição foi trágico. Baião ficou enfermo e teve que voltar para sua casa, vindo a falecer dias depois do regresso.

A expedição foi terminada por Francisco Lopes da Silva que descobriu as ruínas abandonadas de Vila Rica do Espírito Santo (atual município de Fênix). Dom Luís e Afonso Botelho regressaram anos depois para Portugal, onde faleceram. Estão sepultados na Casa de Mateus, instituição que guarda documentos históricos sobre o governo de Dom Luís no Brasil.

95.500 HABITANTES

Dom Luís não imaginaria que a cidade que levaria seu sobrenome cresceria e se desenvolveria tanto. Em 2020, a população aproximada de Campo Mourão é de 95.500 habitantes. Representa a 19ª economia do Paraná, sendo sede de grandes empresas geradoras de emprego e riquezas. Independente de serem chamados campo-mourenses — segundo o IBGE e alguns dicionários — ou de mourãoenses — segundo a população — o povo de Campo Mourão continua honrando e orgulhando o Brasil.