Mexendo na Bolsa: Comida, um caso de amor e ódio
Mexendo na Bolsa já foi blog, onde seis mulheres despejavam seus conteúdos a fim de compartilhar o tão fantástico e peculiar universo feminino. Aqui e agora é coluna! Duas vezes por semana você pode abrir o zíper e se sentir à vontade para vasculhar nossas bolsas. Falaremos de amor, do não-amor e de um possível amor. Também vamos nos deliciar narrando nossas pitorescas aventuras de mulheres de quase 30. Amantes do sexo masculino, destinaremos a eles um tanto de nossos versos (com ou sem rima) e de nossas prosas. Além disso, aqui você vai encontrar tudo o que tem na bolsa de uma mulher: bilhetes, creme, maquiagem, dinheiro (no começo do mês), escova de dente, perfume, kit de primeiros socorros, documentos, celular, chaves (do carro, da casa, do quarto, do coração), absorvente. Intimidades. Pode mexer!
Comida, um caso de amor e ódio
A ciência já cansou de nos dizer o quanto os alimentos podem interferir no nosso comportamento. Isso porque a maioria deles tem substâncias que ativam as zonas ligadas às áreas de prazer – ou não – de nosso cérebro. Uma vez, inclusive, deparei-me com a expressão: ‘transar com a comida’, que é quando você tem uma satisfação bem expressiva ao comer algo. Sabe, quando a feição muda na frente de um prato de macarrão? Daí você lambe os dedinhos para finalizar o ritual. É o sexo com a comida!
E não é tão difícil de conhecer pessoas que transam com a comida (muitas nem sabem), porque essa relação de prazer com os alimentos é normal. A psicóloga Stéphanie Sonsin (CRP 08/14980) explica que o comportamento alimentar vai além da fome. “A ingestão de qualquer alimento deveria ser regulada pelo mecanismo fome – saciedade -, porém o comportamento de se alimentar não se restringe apenas ao fator de nutrir o corpo, mas de saciedade, de prazer, de desejo”.
A psicóloga lembra que o ato de comer está intrinsecamente aliado às emoções e que estas são um dos motivos que levam as pessoas a procurarem prazer na comida. “A ansiedade, os estados de humor depressivos e outros fatores psicológicos negativos, podem alterar profundamente o comportamento nutricional. Ao comer temos um alívio momentâneo das emoções negativas que nos envolve que volta reforçada pela culpa, levando a pessoa a comer mais, para tornar a diminuir a tensão”, ressalta.
Segundo a nutricionista Priscila Aline de Nardo (CRN8 7193/p), é isso mesmo que acontece, uma vez que alimentação está ligada ao nosso humor. “Se estamos felizes comemos para comemorar, se estamos tristes comemos para aliviar, mas de fato, os alimentos afetam no nosso humor, devido à sua composição nutricional, por exemplo, vitaminas, minerais, proteínas e energia, que garantem o bom humor”, explica.
Ainda quanto à composição dos alimentos, a nutricionista afirma que muitos deles são responsáveis pela produção de serotonina, que é um importante neurotransmissor que atua na regulação do humor. “Leguminosas, carnes e ovos, são alimentos fonte de triptofano, que é responsável pela produção de serotonina. Já os peixe, castanhas, leite e derivados, são fontes de tirosina, que está relacionada com a produção de dopamina e adrenalina, ambos são neurotransmissores que também promovem a regulação do humor”, exemplifica a profissional.
Quando a relação vai mal
Nem todo mundo transa casualmente com os alimentos. Comer vira uma obsessão ou um remédio para as horas de solidão, de tensão. A psicóloga Stéphanie atenta para o fato de que cada pessoa tem uma maneira de lidar com suas emoções. “Por vezes, descontamos na comida. As idas constantes à geladeira, por exemplo, podem ser um problema: comportamentos de fuga ou ansiedade. Um indivíduo pode estar preocupado com uma decisão a tomar, ou uma dificuldade que enfrenta, tal situação é geradora de estresse, insônia e pode fazer com que ele procure a geladeira de madrugada ou mesmo durante o dia para ‘descontar’ sua ansiedade”.
A profissional salienta: Cada caso é um caso. Ela afirma que ser gordo ou gorda não significa, necessariamente, ter problemas. “A Psicologia há tempos desenvolvia estudos a fim de ‘comprovar’ a personalidade do ‘gordo’ como se fosse uma pessoa estranha, diferente das demais. O que na verdade não confere, pois algumas pessoas que estão com sobrepeso, podem vir a lidar com a comida de maneira mais ativa e participativa de sua vida do que outras”, explica, destacando que a ansiedade, a frustração e o medo estão presentes em todas as personalidades e que cada qual se comporta de uma maneira específica frente a esses sentimentos. “Algumas pessoas podem passar por sérios problemas e dificuldades psicológicas e emagrecem, até mesmo podem desenvolver transtorno alimentares, como a bulimia e a anorexia”.
E você. Já parou para pensar qual é a sua relação com a comida?
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Larissa Bortolli é jornalista. É metade feminista e outra metade também, embora às vezes seja machista. Evita os ‘istas’, mas nem sempre se livra deles. Dificilmente usa salto, porque prefere os rasteirinhos. Ainda não adotou a maquiagem e a escova nos cabelos no dia a dia. Gosta de mastigar alegrias, pizza e sorvete. Nada boa com relacionamentos, diz-se sozinha por opção (dos homens). Prefere os morenos e barbudos, mas pode ser só moreno. É viciada em filmes, mídias sociais e no seu sobrinho. Adora um drama, tanto na ficção quanto na vida real. Só tem uma certeza na vida: não ter certeza. Daí divaga. Sem grandes pretensões quer dominar o mundo, o seu mundo. Quando dá vontade também escreve aqui: http://lapsosonline.blogspot.com/
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