Manifesto em Campo Mourão defende manutenção das APAEs

A caminhada percorreu as principais ruas do centro da cidade e terminou com um abraço simbólico na Praça São José – Fotos: João Silvestrin/Tasabendo.com
Campo Mourão viveu uma manhã de emoção, união e protesto neste sábado (23). Pais, alunos, ex-alunos, professores, autoridades e centenas de pessoas foram às ruas em defesa das Apaes, que podem perder o apoio do Governo do Estado caso o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue procedente uma ação que questiona a legalidade do repasse de recursos às instituições.
A caminhada percorreu as principais ruas do centro da cidade e terminou com um abraço simbólico na Praça São José, onde cerca de 500 manifestantes formaram uma corrente humana em defesa das escolas especiais.
Cartazes, gritos de ordem e lágrimas deram o tom da manifestação. “Se isso acontecer, será uma tragédia. Não dá para imaginar nossos filhos no ensino regular, sem o apoio que eles recebem na Apae”, disse o servidor público Ireno dos Reis Pereira, pai de aluno atendido pela instituição.

AMEAÇA REAL
O que está em jogo é a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7796), protocolada no STF pela Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down. Se aprovada, a lei estadual que garante recursos às Apaes será derrubada, impedindo o Estado de financiar as instituições.
Na prática, milhares de estudantes com deficiência intelectual e múltipla teriam que migrar para salas comuns, onde as turmas chegam a ter até 40 alunos.

“Hoje nossas classes têm seis, no máximo oito estudantes, com acompanhamento especializado. Jogar essas crianças em turmas lotadas é condená-las ao fracasso e ao isolamento. Isso seria uma catástrofe”, alertou o presidente da Apae de Campo Mourão, Luciano Antônio da Rosa.
Somente no município, 450 alunos dependem da escola especial. No Paraná, são cerca de 40 mil. “Ensino regular não está preparado”

A secretária municipal de Educação, Marina de Freitas Barbosa, foi firme ao defender a causa. “O ensino regular não está pronto para receber esses alunos. As Apaes oferecem um atendimento individualizado, que permite avanços reais. Sem isso, teremos um retrocesso sem precedentes”, alertou.
Ela lembrou que a sociedade precisa se unir. “Esse não é um problema só das famílias atendidas. É de todos nós. Se a decisão for pela retirada do apoio, o impacto será devastador.”

MOBILIZAÇÃO CRESCE
O prefeito Douglas Fabrício também marcou presença e reforçou que o tema vai além de Campo Mourão. “Estamos diante de um risco gravíssimo. O movimento de hoje mostra a força da sociedade, que reconhece a importância das Apaes. Não é hora de silêncio. É hora de união pela vida de milhares de pessoas com deficiência”, disse.
Na Assembleia Legislativa, deputados estaduais já manifestaram apoio. O parlamentar Luiz Fernando Guerra (União) reuniu mais de 20 mil assinaturas em um abaixo-assinado contra a ADI.
“Não se trata de privilégios, mas de garantir dignidade a quem mais precisa. As Apaes funcionam, acolhem e transformam vidas. Acabar com esse apoio seria condenar essas famílias ao abandono”, destacou.

O RECADO DAS RUAS
O ato em Campo Mourão foi apenas um dos que aconteceram em todo o Paraná. A mobilização deixa claro o sentimento de quem depende diretamente das Apaes: sem elas, não há futuro para milhares de crianças, jovens e adultos com deficiência.
“Não podemos aceitar retrocessos. Essa luta não é só das Apaes. É de toda a sociedade”, resumiu o presidente Luciano Rosa.