Investigações e notícias do pioneiro Farofino

Farofino chegou ao ponto de apresentar seu programa na praça da igreja, tamanho era o assédio dos fãs em frente à rádio
Por Carlos Eduardo Kadu
Natural de Marialva, José Carlos da Silva, 72, ou simplesmente “Farofino”, chegou em Campo Mourão com a família em 1954, aos três anos de idade. Começou cedo na lida como engraxate, pintor, lixador de tacos e ficou na Polícia Civil por cerca de 40 anos. Trabalhou em todo Paraná, cumprindo ainda diligências em outros estados e países. Mas foi como repórter policial da Rádio Colmeia, que se notabilizou regionalmente. Chegou ao ponto de apresentar seu programa na praça da igreja, tamanho era o assédio dos fãs em frente à rádio.
O concurso para investigador aconteceu em 1980, quando ele tinha 20 e poucos anos. Ingressou na Polícia Civil, num tempo em que não era necessário formação superior. O concurso tinha mais de 20 mil candidatos no Paraná, para cerca de 600 vagas. No final, foram aprovadas 164 pessoas.
Mesmo sem saber exatamente o que significava o cargo pretendido, José Carlos foi aprovado. “Eu nem sabia o que era ser polícia. Eu queria arrumar um emprego, queria trabalhar, e como surgiu esse concurso eu fiz. Eu não entendia nada de polícia… eu até ficava constrangido com os colegas de infância que perguntavam: ‘Ué, mas você vai ser polícia?’… ninguém gostava de polícia na época. Perdi muita amizade por ter feito o concurso.”, conta, ressalvando que se encontrou na profissão no decorrer dos anos.
Ele lembra que o caso de maior repercussão da carreia foi o do “menino Robson”, de 11 anos, que foi sequestrado em Campo Mourão por um homem japonês, a quem a vítima reconheceu e, (há quem diga que) por isso, foi assassinada. “O bandido pegou o menino, levou ali para o Barreiro da Frutas, matou o menino e pediu resgate. Nós montamos o esquema e conseguimos prendê-lo em Curitiba. O caso foi manchete nacional e internacional”, conta.
Questionado sobre qual teria sido o caso mais difícil de resolver, Farofino garantiu que nenhum caso foi considerado difícil por ele. “Tudo foi dentro da normalidade. Sempre quando ocorria alguma situação que para a sociedade era difícil, para nós era solucionável. Parecia difícil, mas para nós, na investigação, ficava fácil.”.
A profissão lhe trouxe muita satisfação e foi fundamental para cuidar de sua família. Farofino teve quatro filhos com a esposa, Cleonice: Maicon David, Carlos Henrique, Aurélio Augusto e Alexandre. Mesmo com tempo de serviço necessário para parar, só foi aposentado, por problemas de saúde, em 2011.
REPORTAGENS
Farofino relata que seu ingresso na Imprensa mourãoense se deu pela demanda de notícia dos profissionais da época. “As emissoras de rádio e o pessoal da Comunicação de Campo Mourão sempre ligavam para a Delegacia para saber de notícias. E os investigadores, muito ocupados, não davam as informações que eles queriam. Não tinha um departamento exclusivo para atender à Imprensa.”. Então, o investigador se dispôs a encaminhar informações e até entrevistas com os autores dos crimes.
Até que surgiu convite da rádio Colmeia para que Farofino, com este apelido, assumisse um horário em sua grade de notícias. E isso se deu num momento de Campo Mourão em que ele considera que haviam mais ocorrências policiais do que hoje. “Naquele tempo tinha muito homicídio, muita facção (criminosa), tráfico de drogas, furtos, roubos, estelionatos… naquele tempo tinha notícia 24h por dia… tinha cerca de 40, 50 boletins por dia”, comenta.
Questionado sobre a origem de seu apelido, “Farofino”, Silva argumenta que o radialista policial ter um apelido era praticamente uma regra. “Naquele tempo existia esse negócio de ‘Pinga-fogo’, ‘Cadeia’, ‘Tico-tico’, ‘Ratinho’… criaram essa coisa de cada repórter policial ter uma diferença no modo de ser chamado. E para mim, eles disseram: ‘Você vai ser o Farofino’. E assim foi”, explica.
Em seu programa, que ficou no ar até 1995, Farofino acumulava as funções de produtor, repórter e apresentador. E não raro, suas reportagens rodavam o estado e o país. As pesquisas de opinião confirmavam-no como líder de audiência em toda a Comcam. A popularidade era tanta, que Farofino foi algumas vezes cogitado a ingressar na política, mas isso nunca lhe interessou. Até hoje seu programa é lembrado pelos jargões “O buxixo tá formado” e “A bruxa tá solta”. Farofino é certamente um dos pioneiros de Campo Mourão a ser lembrado neste 10 de outubro, em que chegamos aos 76 anos de História.
Extraído: Jornal GREP´s