Bombeiro de Campo Mourão fala de desafios enfrentados nas buscas por desaparecidos por enchentes no RS

Fotos: Divulgação
Muita lama, entulhos de todos os tipos e muitos animais mortos. Um cenário de total de destruição. Assim o Subtenente José Carlos de Souza, do Corpo de Bombeiros de Campo Mourão descreveu as cenas que presenciou durante o período de sete dias em que passou no Rio Grande do Sul, em apoio as operações de busca e salvamento por pessoas desaparecidas pelas enchentes que castigaram alguns municípios do estado.
O posto de comando da operação paranaense foi estabelecido na cidade de Colinas, no Vale do Taquari, região duramente castigada pelo ciclone extratropical que causou ventos fortes e enchentes, em especial pela cheia do Rio Taquari.
Mais de 100 cidades foram afetadas pelo fenômeno climático. “O maior desafio era o frio intenso. Tinha manhã que a temperatura era de 3º C, sem contar um dia que choveu muito. A gente usava roupa fina de borracha para evitar a contaminação pelas águas da enchente e a lama”, conta ele.
Nas buscas na área atendida pelas equipes do Paraná, foram localizados dois corpos. No total, nove pessoas desapareceram na tragédia. “Inicialmente falavam em mais de 40, mas muita gente, felizmente, havia se deslocado para casas de parentes. Ao final, foram contabilizados nove desaparecidos”, declarou.
O cenário era de muita destruição. A enchente foi levando tudo o que encontrava pela frente. De acordo com o subtenente, teve alguns pontos em que o rio subiu até 29 metros. “Encontramos muitos animais mortos, como porcos, galinhas e até um cavalo. Muita gente ficou desalojada ou desabrigada, mas ao final, quando saímos de lá, já percebemos um grande esforço da comunidade, entidades e de outros órgãos para normalizar a situação. Foi uma experiência indescritível, mas acredito que cumprimos com a nossa missão”, afirmou.



