Associação Amo Down celebra Dia Internacional da SD, com Piquenique, em Campo Mourão

O Dia Internacional da Síndrome de Down (SD), uma alusão aos três cromossomos no par número 21, característico das pessoas com SD é comemorado nesta segunda-feira, 21 de março. A data está no calendário oficial da Organização das Nações Unidas (ONU), sendo comemorado pelos 193 países-membros da ONU.

O objetivo da data é conscientizar as pessoas sobre a importância da luta pelos direitos igualitários. Em Campo Mourão, um grupo formado por 28 mães de crianças com a SD, criou a Associação Amo Down, uma forma de se unirem para troca de experiências.

O grupo também tira dúvidas de quem busca informações sobre a síndrome. Pelas estatísticas, a cada 700 nascimentos, uma criança vem ao mundo com a síndrome. Este ano, com a covid-19 sob controle no município, a Associação Amo Down promoveu um piquenique no Parque do Lago, na tarde deste sábado.

As famílias que convivem com pessoas com a SD se reuniram em um momento de confraternização entre todos. As crianças se divertiram com muita brincadeira e descontração. Por medida de segurança, cada família levou o próprio lanche.

__________________________________________________________

SOBRE A SÍNDROME DE DOWN

Por Vitor Hugo da Cruz Silva, estudante de História na Unespar

A síndrome de Down não é uma doença. A descrição de John Langdon Down, em 1838, mesmo refletindo os preconceitos da época, foi o primeiro a retratar as características da síndrome como uma condição única, tirando das perspectivas que generalizavam a Down com distúrbios de outros pacientes.

Por ser o primeiro a identificá-la, a Síndrome ganhou seu nome. Sua análise sobre os pacientes não se difere dos preconceitos estabelecidos até hoje, que erroneamente determinam que os indivíduos com a alteração genética não possuem a capacidade de se incluir socialmente, ou de se desenvolver intelectualmente.

Para evidenciar os novos conhecimentos que contrapõem essa desinformação, a Organização das Nações Unidas criou o Dia Mundial da Síndrome de Down. No Brasil ela aparece em uma criança a cada 700 outras, causada por uma alteração genética, que forma um par a mais no cromossomo 21.

Os três pares no cromossomo 21 inspiram o Dia Mundial da Síndrome de Down, comemorado no dia 21 de março. Tal condição é a maior causa de deficiência intelectual no Brasil e seus sintomas são vistos como irreversíveis, mas a realidade prova o contrário. Existem uma variedade extensa de características para cada indivíduo, podendo ser menos, ou mais comprometedoras, o que não as deixam intratáveis.

Com o apoio de profissionais multidisciplinares e qualificados, a criança com Down pode se desenvolver e contornar as dificuldades causadas pelas circunstâncias. O diagnóstico pode ser aplicado tanto no pré-natal quanto no pós-natal, sendo possível identificar algumas das mais de 50 características resultadas da síndrome, algumas delas causam problemas respiratórios, cardíacos, motores, auditivos, cognitivos ou até visuais, podendo ser tratadas com especialistas, para melhor adaptação da criança para uma vida adulta autônoma.

Com o avanço da medicina, conscientização dos familiares, e maior autonomia do indivíduo, as pessoas com Down conseguem viver suas vidas normalmente, além do que o senso comum acreditava. A falta de conhecimento dos familiares censura a pessoa do mundo, impedindo seu tratamento e sua inclusão na sociedade.

Não se sabe ao certo o que causa a trissomia (duplicação do cromossomo 21) e a relação com a idade avançada da mãe já foi desmistificada. O Dia Mundial da Síndrome de Down, reforça um dever de conscientização e assistência para os mais de 270 mil brasileiros que possuem a alteração genética.

A inclusão social deles é importantíssima e para isso precisamos que mais pessoas substituam o senso comum pela realidade, para a maior reivindicação dos direitos mal disponibilizados pelo governo.

Infelizmente, a maioria das instituições destinadas aos cidadãos com a Trissomia 21 é de iniciativa privada, dificultando que famílias humildes tenham acesso à assistência de profissionais qualificados para os tratamentos dos filhos.

O direito à educação e saúde pública de qualidade é destinado a todos, cabe a nós pressionarmos as autoridades para cumprir os seus deveres. Entre os males do ser humano, o preconceito se destaca por se complementar com a ignorância. É dela que o preconceito nasce e é dele que a ignorância se mantém.

O preconceito é natural ao ser, mas cabe a nós descobrirmos nossos equívocos, para corrigir nossos pensamentos desinformados. Precisamos entender se nossas certezas são reais para não estruturarmos os pensamentos capacitistas, que criam uma ideia de incapacidade ligada às pessoas com a Síndrome de Down.