Assistência Social já atendeu até médico e enfermeiros em situação de rua, diz secretária

O evento reuniu diversas autoridades municipais e representantes de algumas entidades – Foto: Da Assessoria
O aumento no número de pessoas em situação de rua e os transtornos provocados por eles motivou uma audiência pública ontem na Câmara Municipal de Vereadores de Campo Mourão. O evento reuniu diversas autoridades municipais e representantes de algumas entidades para um debate que busca soluções para o problema.
A secretária de Assistência Social, Márcia Calderan disse que já atendeu até médicos e enfermeiros em situação de rua. “Muitos tinham profissões antes de irem às ruas”, lamenta ela, citando que a Casa de Passagem recolheu, em janeiro, 129 pessoas. Em fevereiro, foram 146 pessoas e, em março, 84.
A maioria são oriundos de outros municípios, estados ou até países. “Dos 77 que atendemos de outros municípios, estados ou países, 44 manifestaram interesse em retornar para sua cidade ou pais. É um assunto muito delicado, enfrentado também até por grandes cidades. Não estamos falando de coisas, estamos falando de pessoas, que tem uma razão para estarem nessas condições. A maioria delas tem profissão, nem todos são marginais”, argumentou a secretária durante a explanação.
O trabalho de atendimento do município é permanente. Um dos serviços é a Casa de Passagem, com a qual o município mantém convênio e onde é prestado atendimento temporário. No CREAS-POP, além de encaminhamentos para o mercado de trabalho e tratamento de Saúde, pessoas em situação de rua recebem alimentação, podem tomar banho e uma equipe multiprofissional atua com atividades e orientações.
“Já temos um novo local que será transformado em um Centro-POP, para ampliação desse atendimento, inclusive com oficinas profissionalizantes”, explicou a secretária, ao reforçar que todo serviço do município é ofertado, não imposto. “Não podemos obrigar ninguém a fazer o que não quer”, advertiu a secretária.
O Conselho de Assistência Social cobra mais efetivo policial, apontando que há apenas quatro pessoas do sexo feminino que fazem as rondas e abordam as pessoas. “Falta segurança.”
A audiência pública foi um pedido dos vereadores Marcio Berbet, Tião do Karatê e Sidnei Jardim. “O debate visa buscar soluções práticas, pois muitos gostam de participar e dar sua opinião nas redes sociais, mas precisamos de soluções”, disse o vereador Berbet.
Segundo ele, o aumento de moradores de rua em Campo Mourão tem gerado muitos transtornos. “Temos ouvido muitas reclamações sobre pequenos furtos, pessoas sofrendo ameaças em frente a estabelecimentos comerciais e até moradores de rua entrando em vias de fato, por isso precisamos buscar uma solução. O direto de um termina quando começa o do outro. O morador de rua tem todo direito de estar pedindo em vias públicas, mas temos que zelar pelos direitos das pessoas que têm o seu comércio e que geram emprego e renda. É preciso buscar um equilíbrio”, completou.