A Geografia como instrumento de compreensão da realidade e empoderamento social

O aclamado autor Yves Lacoste estampa, na capa de um de seus mais conhecidos livros, a seguinte provocação: “A Geografia – Isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra”. Seria esta, uma colocação infundada? Uma afirmação exagerada? E se de fato, verdade fosse, em um tom apológico ou crítico?

É curioso imaginar uma ciência que, em sua fase mais tradicional, se resumia a colorir mapas e decorar nomes de capitais, ter sido considerada uma ciência da guerra.

Qual o tipo de guerra, o autor supracitado se referia? Com uma mistura peculiar de pesar e esperança, vos respondo: a guerra que enfrentamos em nosso cotidiano.

A guerra contra os sistemas de opressão. A guerra contra um mercado que, em sua maior parte, enxerga números no lugar de pessoas. A guerra contra a desunião e a escassez do sentimento de fraternidade entre as pessoas que é, grandemente incentivada, por aqueles capazes de influenciar as opiniões das massas.

A geografia infelizmente foi, e ainda é, utilizada como instrumento para fomentar tais operações.

Porém, assim como uma faca, que pode ser usada para ferir ou preparar o alimento que matará a fome, a Geografia pode e deve ser utilizada como instrumento de compreensão da realidade e empoderamento social.

Em meus tempos de faculdade, era comum ouvirmos de nossos professores a seguinte afirmação: a Geografia é a ciência destinada a formar cidadãos!

Quem seriam estes cidadãos? Seriam aqueles assim considerados por lei? Ou por um conceito próprio da Geografia?

Eis que o conceito finalmente se tornou claro: cidadão é, acima de tudo, um agente de transformação social. Um ser humano capaz de pensar criticamente, de compreender o mundo usar seu conhecimento e sua prática para mudar o mundo ao seu redor. A pessoa que entendeu que para mudar o “mundo global”, é necessário, acima de tudo, transformar o “mundo local”.

E foi neste momento, que encontrei o meu lugar como professor de Geografia. Trabalhar como alguém que pudesse formar novos cidadãos. Alguém que pudesse tocar, de alguma forma, os corações das novas gerações, e motivar, com aquilo que a Geografia como ciência e disciplina escolar tem a oferecer.

Vivemos em um momento extremamente crítico em nossa sociedade. Milhares de pessoas estão perecendo devido a pandemia da COVID-19. Incontáveis cidadãos estão perdendo seus empregos, famílias estão se desestruturando e agora é o momento, mais do que nunca, não só em minha história como professor, como na do próprio Colégio Vila Militar Unicampo de Campo Mourão, de mostrar aos nossos jovens a importância de ser um agente de transformação social.

A Geografia nos ensina a enxergar o espaço como um cenário vital para o desenvolvimento da vida, e por isso, é preciso cuidar deste espaço, e sobretudo, da gente.

O Colégio Vila Militar Unicampo, sempre atento às concepções e mudanças no processo educacional, tem uma equipe de professores de excelência, como exemplo, o professor da disciplina de Geografia do Ensino Fundamental e Médio, Bruno Augusto Candelari que é Mestre em Geografia pela UEM, autor deste texto.