“Isso infelizmente se tornou um jogo político”, diz prefeita ao sancionar PME

Plano Municipal de Educação foi sancionado na manhã desta terça-feira

Plano Municipal de Educação foi sancionado na manhã desta terça-feira

A prefeita de Campo Mourão, Regina Dubay, sancionou na manhã desta terça-feira (23) o Plano Municipal de Educação para os próximos 10 anos. O documento foi alvo de discussões nos últimos dias na Câmara Municipal de Vereadores e mobilizou a sociedade. Apesar do projeto conter 26 metas, apenas uma delas foi mais amplamente comentada, a que fazia referência à ideologia de gênero. Essa questão voltou à tona nos discursos que antecederam a assinatura da prefeita hoje.

Foi praticamente unânime a posição das lideranças que usaram a palavra. Para eles, padre, pastor, prefeita, vereadores e secretária, as discussões sobre o PME saíram do foco e foram para o campo da “politicagem”. “A democracia em que vivemos deixa a gente falar o que quer. Com isso vem difamação, calúnia e isso tudo machuca. Temos que usar nosso livre arbítrio para o melhor. Infelizmente têm pessoas que o usam para espalhar o ‘quanto o pior melhor’. A questão do plano de educação se tornou um jogo político, eleitoral, infelizmente”, disparou Regina Dubay.

Durante sua fala, a prefeita se emocionou ao dizer que não tem pretensão nenhuma de destruir famílias. “Eu tenho família. Sou mãe, sou mulher, tenho filhos. Não vim ser prefeita pra isso. Acordo cedo e oro para que Deus me dê sabedoria para administrar a cidade. Hoje é um desabafo final, não vou falar mais nisso. Acabou”, disse.

Regina aproveitou o momento para dizer o que tem feito na área da educação. “Deus fez o mundo em sete dias e agora querem que eu restaure esta cidade em três anos. Estamos trabalhando sim. Nunca tivemos tanto investimento na área da educação como agora. Enquanto o país está em crise e o estado quebrado, Campo Mourão está em pé. O que falam por aí para tentar nos desestabilizar. Ninguém chuta cachorro morto. Estamos em pé, fazendo o que viemos para fazer e isso incomoda”, declarou.

Além da prefeita, falaram ainda a secretária municipal de Educação, Karla Tureck, o pastor Arnildo Klumb, o padre Adilson Naruishi e os vereadores Toninho Machado, Edilson Martins e Professora Vilma.

Destacamos alguns pontos do que eles falaram:

Karla Tureck

“Hoje nós assinamos um documento que tem o respaldo da comunidade. Infelizmente saiu do foco educação e foi para o campo da politicagem. Mas nós temos que nos ater no que é fundamental no plano.”

Edilson Martins

“Acredito que foi de uma forma democrática, da forma como tinha que ser sancionado, mas foi deixado de discutir outras coisas muito mais importantes e se focou em apenas uma meta. Ninguém quer destruir a família. Isso é politicagem. O que peço para os pastores e padres e para todos é que oremos, porque ano quem vem tem eleição e a politicagem vai reinar sobre esta cidade.”

Professora Vilma

“A escola é conservadora, não fazemos aquilo que bem entendemos. Tudo o que é falado antes passa por várias comissões do MEC. O que defendemos é que precisamos estar atentos ao mundo moderno que vivemos. Nosso foco agora tem que voltar para a educação. O lançamento do plano não acaba aqui. Temos que continuar lutando.”

Toninho Machado

“Quem tinha que mexer nisso era mesmo a câmara que representa o povo. Temos colocar um basta nessas falácias e seguir em frente. Existem outros desafios que temos que enfrentar.”

Pastor Arnildo

“Estive acompanhando desde o início a elaboração deste plano. A igreja católica e a Opecam (Ordem dos Pastores Evangélicos de Campo Mourão) tiveram uma importante ação para moralizar o plano. Aprendi algumas coisas nesta reta final. Tentaram colocar que os religiosos são intolerantes. Isso não é verdade. Oro para que nossos políticos, mais do que fazer joguinhos e pensar em si mesmos, pensem acima de tudo na população. Até a política precisa de Deus para se orientar. Pensem mais naquilo fazem e falam. Muitas vezes me senti um joguete, e isso não admito.”

Padre Adilson

“Uma coisa que aprendi é que a união consegue alcançar vitórias maravilhosas. Quando andamos na mesma ótica, somando as forças com os pastores e vereadores, acreditamos que o bem iria acontecer. De maneira alguma fomos contra a educação, negros, LGBTs. Só demos uma nova direção. Que possamos deixar para trás aquilo que já foi. Vamos agora descer do palanque e usar a madeira para construir tudo o que está no plano. Excluindo todas as desavenças para que a educação de Campo Mourão seja exemplar.”