Universitários do Integrado lançam livro sobre direitos dos robôs

Estudos relacionados ao tema ainda são considerados novidades dentro do meio acadêmico – Foto: Arquivo Pessoal

Em 2001, quando Steven Spielberg lançou o seu aclamado filme ‘A. I. Inteligência Artificial’, uma história ficcional sobre a criação de robôs com sentimentos, o mundo ainda dava os primeiros passos para a consolidação das máquinas em nosso meio. Aproximadamente 15 anos depois, em 2016, a mais famosa robô humanóide, conhecida como Sophia, é apresentada ao mundo. Produzida pela empresa Hanson Robotics, de Hong Kong, ela é capaz de reproduzir 62 expressões faciais, além de ter o seu próprio perfil no Twitter e tornar-se a primeira robô na história a receber a cidadania de um país (Arábia Saudita). Mas o que toda essa história tem a ver com o Direito?

Para os universitários do curso de Direito do Centro Universitário Integrado, Gabriel Carvalhos dos Santos e Lhais Silva Baia, os assuntos têm tudo a ver. Eles são autores do livro: “Os efeitos extrapenais ‘deletum sociali’ na Era da Inteligência Digital”. Já nas primeiras páginas do livro, os autores advertem os leitores para o incontestável: a humanidade está evoluindo constantemente e o contato/interação entre humanos e robôs será inevitável no futuro. “Recebemos o convite de uma editora para a produção de um manuscrito inovador, e que também contenha as abordagens de pesquisas e estudos pelos quais estamos alinhados. Visando todo o contexto social contemporâneo e cada vez mais tecnológico surgindo, então, a ideia de escrever um livro justamente por ser imprescindível a interdisciplinaridade do Direito com as atuais necessidades da sociedade e, consequentes, soluções inerentes a ela”, garante Lhais, que está no 5º período do curso de Direito.

As discussões sobre ética envolvendo a Inteligência Artificial/Digital e o Direito dos robôs estão cada dia mais constantes. Até mesmo o Papa Francisco já expressou algumas preocupações sobre o tema e é natural que o debate seja intensificado nos próximos anos. Para um dos autores, Gabriel Carvalhos dos Santos, é justamente nesses pontos que o livro se baseia. “A obra aborda, primordialmente, os efeitos extrapenais estabelecidos socialmente que, no futuro, podem buscar desenfreadamente a segregação dos robôs por serem diferentes, não possuírem o enquadramento na valoração material imposta e, em gravame, estruturam efeitos extrapenais ‘deletum sociali’ em uma nova era da inteligência digital, em que robôs e humanos poderão conviver juntos e habitualmente”, afirma Santos, que está no 7º período do curso de Direito.

Para os universitários, lançar um livro ainda enquanto estudantes é de “extrema importância, já que possibilita dantescas aprendizagens e experiências, visto que, seja dentro ou fora da academia, a busca pelo conhecimento deve ser incessante e ao alcance de todos”. Já para o coordenador do curso de Direito do Centro Universitário Integrado, Robervani Pierin do Prado, o livro demonstra que os acadêmicos estão conectados com o mercado. “Eu só tenho que parabenizar os dois por mais esse trabalho. Isso só demonstra o quanto eles levam a sério o conhecimento e o curso. É importante destacar que esse livro demonstra que eles estão conectados com as tendências do mercado, principalmente com a influência de novas tecnologias e das novas relações. O trabalho é vinculado às transformações que a sociedade está passando e traz uma contribuição para entendermos melhor esse fenômeno e as alternativas para lidar com ele”, afirma Prado.

LIVRO DISPONÍVEL

O livro “Os efeitos extrapenais deletum sociali na Era da Inteligência Digital” já está disponível nas lojas virtuais e também nas versões e-book. Esse é o primeiro livro da acadêmica Lhais Silva Baia e o segundo livro do universitário do curso de Direito do Integrado, Gabriel Carvalhos dos Santos. Ele lançou, no início do mês, o livro “A Síndrome de Narciso e a segregação aos refugiados venezuelanos”, que fala sobre a crise dos refugiados e o preconceito sofrido por eles.