Empresa pede aumento de 42% para continuar o transporte escolar em Campo Mourão
A empresa que faz o transporte escolar em Campo Mourão prometeu, segundo a secretária de Educação, Rita de Cássia, parar o transporte escolar, caso o pedido de aumento não fosse aprovado. A empresa pediu um acréscimo de 42% para continuar a transportar os alunos até o final do ano letivo, um salto de R$ 2,37 para R$ 3,50 por quilômetro. E a prefeitura concedeu. A prefeitura já paga os novos valores desde julho. O caso só apareceu agora porque, como estava sobrando dinheiro do Fundeb, a Educação quis mudar a origem do dinheiro pra fazer o pagamento. A ideia é tirar dos “recursos próprios” e passar para o Fundeb. O pedido de suplementação foi enviada à Câmara Municipal, para que o dinheiro fosse repassado. Um montante de R$ 429 mil.
Segundo a secretária, o pedido inicial foi de R$ 3,80. Depois de bastante negociação chegaram ao valor de R$ 3,50. Ela disse ainda que em algumas cidade o valor passa dos R$ 3,80.
Houve muita discussão entre os vereadores. A Comissão de Finanças e Orçamentos, presidida pelo vereador Beto Voidelo, deu parecer contrário ao aumento. ‘É um abuso, prometer parar o transporte porque não vai receber aquilo que está querendo impor. Sou contra. O que assusta mais é que já foi dado esse aumento sem consultar ninguém’, afirmou Beto.
O vereador, professor José Pochapski, também não é a favor do aumento. ‘Isso é abusivo. Difícil de engolir. E aqui vai um alerta: se for aprovado esse aumento agora, quem garante que ano que vem não vá continuar nesse valor? Vai virar um caos. Eu vou cobrar de quem votou a favor’, avisou.
O presidente da Casa, Eraldo Teodoro, não concordou com Pochapski. ‘Para mim esse alerta não serve, porque vou colocar em votação com minha consciência. Eu só penso nos alunos que podem ficar sem transporte escolar.’
Pochapski voltou a responder: ‘Não vai parar a professora Rita me disse em reunião realizada na sexta.’ Neste momento, no auditório, a professora Rita balançava a cabeça dizendo que iria parar o transporte. ‘Mas em reunião você me disse Rita que não pararia’, continuou Pochapski.
A discussão continuou, isidoro Moraes mostrou dados. ‘No contrato, a empresa percorre 71 mil quilômetros por mês. Multiplica pelo valor de R$ 3,50 por Km. E quando chove, que o transporte não vai até os lugares, na zona rural, para buscar os alunos, quem fiscaliza?’
Defendendo o aumento, o vereador Edoel Rocha disse que é apenas um emergencial. ‘É só para não parar o transporte gente. Eu não quero ser o culpado quando os pais vierem reclamar de não ter transporte para levar os filhos pra escola. Ano que vem tem outra licitação, é só comprar ônibus e entrar para competir’, ironizou.
O vereador Saul Sachetti, que também sustentou seu voto contrário, disse que esse argumento não é plausível. ‘Se eu combinei um preço para fazer uma cirurgia, e quando estou no meio da cirurgia, com a pessoa aberta, eu vou parar e pedir um aumento, senão não faço mais a cirurgia? Isso não cola’, afirmou.
Beto Voidelo também rebateu. ‘Vereador não pode ser culpado se as coisas foram mau feitas no passado. Se todo o ano teve um aumento de 4% por que agora 42%. Isso é uma vergonha. Os pais vão reclamar é do dinheiro público sendo dado para essas empresas.’
Para finalizar a discussão, o vereador Sidnei Jardim pediu Vistas do projeto, para que fosse melhor discutido, nos bastidores.
Fernando Lorenzzo