Sílvio Barros: equilíbrio é o que está faltando para o Brasil ser o que merece

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O secretário de Estado do Planejamento, Sílvio Barros, abriu na manhã desta terça-feira o primeiro dos painéis da XXV Convenção Anual da FACIAP, no Recanto Cataratas Thermas e Resort, em Foz do Iguaçu. O tema central foi Líderes – O setor produtivo e o Estado, que contou com a mediação do presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná, Guido Bresolin Júnior, e da participação de líderes do G7 (grupo das sete principais entidades do setor produtivo paranaense). Sílvio mostrou um cenário preocupante e afirmou que equilíbrio é o que está faltando para o Brasil ser o que merece.

O secretário abriu sua exposição informando de uma reunião, ocorrida na quarta-feira, em São Paulo, que classificou de histórica. Quinze governadores se reuniram para pensar o momento atual e o futuro do País. A conclusão lógica é de que o atual modelo público brasileiro está falido e que somente medidas práticas, enérgicas e coerentes terão, com o envolvimento de todos os setores, fôlego para conduzir o País a situações mais favoráveis. A abertura dos trabalhos foi feita pelo governador do Rio Grande do Sul, Ivo Sartori, considerado um excelente gestor. “Mas os problemas que outros plantaram no passado agora criam os enormes desafios que o Ivo tenta resolver, com desgastes profundos”.

Sílvio Barros perguntou qual é a utilidade do governo e empregou uma frase do ex-presidente norte-americano Abraham Lincolm para dar a resposta: “Governos existem para fazer aquilo que se precisa, mas que por esforço individual não se tem condições de fazer por si mesmo”. Ou seja, vias públicas, rodovias, escolas, hospitais e segurança, equipamentos que a maioria das pessoas não tem como contratar e depende do Estado para poder usufruir. O maior problema, entretanto, é quando o governo não faz o que precisa e é seu dever e ainda atrapalha, a exemplo do que tem ocorrido no Brasil.

2035

O secretário afirmou que o Paraná de 2035 poderá ser diferente e melhor que o atual se houver planejamento, definições de onde se quer estar e se todos, indistintamente, participarem ativamente do processo. E citou o pensador Marx Twain para ilustrar: “Planeje seu futuro, porque é lá que você vai passar o resto de sua vida”. Para construir um Estado melhor, Sílvio Barros, afirmou que é necessário considerar impactos de megatendências globais e suas influências no poder público. São elas: perfil demográfico, ascensão social, inclusão tecnológica e inovação, aumento da dívida pública, mudanças climáticas, escassez de recursos naturais e urbanização.

Um dos aspectos mais importantes para dar mais agilidade e eficiência aos serviços públicos está em melhorar a produtividade dos servidores. Sílvio apresentou números da arrecadação pública do Estado e das despesas de 2015. A receita deverá ser de R$ 20,4 bilhões e desse total R$ 17,4 bilhões correspondem aos gastos com pessoal de 300 mil funcionários. “Nove de cada dez reais vão para os servidores e eles ainda querem mais”, disse o secretário. Sobram apenas R$ 3 bilhões, que precisam honrar compromissos com outras estruturas públicas e ainda pagar dívidas. Assim, não há praticamente nada para os tão cobrados e necessários investimentos.

O atual modelo brasileiro destina 50% de toda a arrecadação aos salários de servidores. Considerando os outros encargos e responsabilidades, não há dinheiro para obras que melhorem a competitividade do País e reduzam o Custo Brasil. “Há um desequilíbrio muito grande entre direitos e deveres e essa equação quebra qualquer país”, afirmou Sílvio. Ele também informou sobre outras equações igualmente delicadas, como nos gastos com saúde, educação e segurança.

O Paraná tem 30 mil presos, com custo de R$ 2.095 por mês cada. Pela Apac, um outro modelo de gestão, a redução chegaria aos 70%, mas ela não avança porque há restrições entre juízes, promotores e agentes penitenciários que temem perder os empregos. A mudança só virá com sinergia, com seriedade e com coerência, afirmou. A construção de um Paraná e de um Brasil melhor passa por debates sérios e atitudes ainda mais agudas, com o envolvimento e a ativa participação de todos os segmentos, indistintamente, afirmou o secretário Sílvio Barros.

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Para líderes, saída está em mais trabalho, mais eficiência e mais sinergia

Diretores de algumas das mais importantes entidades empresariais do Paraná participaram de painel, na manhã desta quinta-feira, durante a XXV Convenção Anual da FACIAP, no Recanto Cataratas Thermas, Resort & Convention, em Foz do Iguaçu. O assunto condutor foi o setor produtivo e o Estado. O diretor da Fiep – Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Edson José de Vasconcelos, afirmou que um dos desafios está no setor produtivo se organizar ainda melhor e entender como se posicionar e somar forças por resultados práticos em sinergia com o poder público.

A organização das entidades que leram os livros vermelhos está na dianteira, mesmo não produzindo e não dando resultados práticos como quem empreende, trabalha e gera empregos e divisas ao País. Há paradoxos que precisam ser vencidos, como o de um Estado que gasta muito, que dá poucos resultados e é extremamente frágil às investidas da improbidade. Mudanças urgentes são fundamentais, porque quem paga a conta já não suporta o tamanho da carga tributária, conforme Edson, que é também presidente do Sinduscon/Oeste e vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Cascavel.

O coordenador do Fórum Futuro 10 Paraná, Rogério Mainardes, lembrou que um dos contrassensos atuais é que se vive a era de pessoas que pensam em si e não no coletivo. O Paraná, de acordo com ele, precisa promover a autoestima e ajudar a construir algo novo a partir de uma sociedade pautada em defesas e valores sólidos. “Os avanços que todos querem, almejam e merecem partem do crescimento conjunto, que integre e promova o compartilhamento de objetivos, expectativas e resultados”, segundo Rogério. “Os empresários não podem se omitir, porque as mudanças dependem do seu protagonismo”, complementou o diretor da Fecomércio, Paulo Cesar Naulack.

Educação é a saída

A educação, séria, de qualidade e alicerçada em valores e na ética, é a saída para um Brasil melhor, afirmou o diretor da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), João Rodrigues Biscaia. Ele citou o Projeto Agrinho como um disseminador do trabalho, da integração e das virtudes do campo. “O campo, embora precise seguir em harmonia com a cidade, tem muito a ensinar”. João falou também de outro programa, o Empreendedor Rural, que ensina o agricultor a profissionalizar a sua atividade e ressaltou a importância do agronegócio como o grande impulsionador da economia brasileira.

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Bom Negócio Paraná oferecerá capacitação para dez mil empresários em 2016

O presidente da FACIAP, Guido Bresolin Júnior, o secretário de Estado do Planejamento, Sílvio Barros, e o presidente da Fomento Paraná, Juraci Barbosa Sobrinho, firmaram parceria no fim da manhã desta quinta-feira, durante a XXV Convenção Anual da FACIAP, evento que reúne mais de mil empresários no Recanto Cataratas Thermas e Resort, em Foz do Iguaçu.

O acordo de cooperação técnica prevê a liberação de recursos para a capacitação de dez mil empresários no ano de 2016. A finalidade do Bom Negócio Paraná é de repassar informações que contribuam para melhorar a competitividade das empresas, seus resultados e fundamentos ligados à geração de empregos e aspectos sociais e comunitários.

Depois de concluírem os treinamentos, os empresários inscritos no programa terão acesso a linhas de crédito com condições das mais especiais e vantajosas do mercado. “Parcerias como essa são fundamentais para o fortalecimento das empresas, principalmente daquelas que precisam de recursos para crescer e gerar novas oportunidades”, diz o presidente da FACIAP, Guido Bresolin Júnior.

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Erro, tentativa e a gestão da mudança

A conferencista Maria Moraes Robinson, reconhecida internacionalmente pelos seus saberes nas áreas de estratégia, gestão de mudança e sustentabilidade, abriu o programa de palestras desta quinta-feira da XXV Convenção Anual da FACIAP, no Recanto Cataratas Thermas e Resort, em Foz do Iguaçu. Para um público de cerca de mil pessoas, formado por empresários e líderes de setores produtivos, Maria informou sobre o erro, a tentativa e a gestão da mudança e seus impactos na vida das pessoas, das empresas e da comunidade.

Um dos passos centrais do debate, conforme Maria, é de como lidar com o erro. E tudo depende de como interpretá-lo e de como pode ser útil para avanços. O erro está associado à tentativa, e ela é indispensável na realização de qualquer ação ou projeto. E o líder, de acordo com ela, tem papel fundamental nesse processo. Já existem no mundo empresas e instituições que premiam a tentativa, porque dela brotam coisas muito boas e transformadoras.

Maria apresentou a plataforma holomonics, que oferece ferramentas de como olhar e interpretar um determinado cenário ou evento. Ela possibilita, com isso, extrair resultados diferentes e mais adequados à realidade. Uma das linhas de leitura da teoria é de observar na natureza como ela resolve os seus problemas e dilemas. Esses fenômenos são estudados e contribuem para melhorias nas organizações, da administração, da dinâmica dos negócios e do envolvimento de cada um, que é instigado e incentivado a dar o seu melhor pelo conjunto.

De acordo com Maria, as divisões que as pessoas costumam criar são barreiras que impedem a compreensão ampla e correta do sistema como um todo. Uma rede nada mais é do que um grande sistema, por isso os bons valores cultivados e multiplicados são tão importantes, ressaltou. A conferencista também alertou para as dificuldades da mudança, do receio de sair da zona de conforto e dos medos e inseguranças comuns que o movimento gera. “Esse é um exercício que requer planejamento e cuidados, a fim de que as metas planejadas não sofram prejuízos”.

O diálogo é um elemento indispensável em todo o processo. “Não devemos apenas reagir à crise. Precisamos entendê-la e aprender com ela. Crise representa o esgotamento de um modelo, que é consequência de variáveis que exigem a mudança. Ela nada mais é do que uma oportunidade para fazer diferente e quem estiver atento a isso e disposto a mudar sairá na frente”, afirma Maria. O líder, continuou ela, precisa ser um grande exemplo de mudança e de elementos que promovam como resposta o diferente e valores humanos compartilhados em todo o mundo. São eles: paz, verdade, amor, não violência e retidão.

Conforme a exposição de Maria Moraes Robinson, a mudança só virá da transformação pessoal. Ela também apresentou um guia para a gestão do movimento, que é alicerçada na transparência, na escuta ativa, na confiança, na humildade, na flexibilidade, no propósito e na visão. O líder, no diálogo, precisa despir-se de tal condição e valorizar o modelo mental do outro. Assim, será possível então colher resultados que sejam bons a todo o universo submetido à mudança pretentida.

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