O Brasil é maior que qualquer crise, dizem líderes na abertura da Convenção FACIAP
Centenas de empresários de várias regiões do Paraná participaram na noite de quarta-feira, no Recanto Cataratas Thermas e Resort, em Foz do Iguaçu, da abertura oficial da XXV Convenção Anual da FACIAP – Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná. O consenso dos que se pronunciaram é de que o país vive um momento difícil, mas principalmente de que o Brasil é muito maior do que qualquer crise.
O presidente da FACIAP, Guido Bresolin Junior, deu uma injeção de ânimo nos presentes. Ele afirmou que os empresários brasileiros, até pelos desafios comuns ao País, assumem condição de liderança desde a corajosa decisão de abrir uma empresa e de manter empregos e produção em cenários de adversidades. “Vocês fazem a diferença e são fundamentais para as suas comunidades. Estamos aqui para ouvir, trocar ideias e ter grandes experiências que terão reflexos positivos aos nossos negócios”. O pronunciamento de Guido foi precedido do tema da vitória, música que durante tantos anos marcou as vitórias do brasileiro Ayrton Senna na Fórmula 1.
O presidente da Acifi, a Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, João Batista Oliveira, disse que líderes e empresários locais se sentem honrados em receber um evento como a Convenção da FACIAP, que reúne o que há de melhor no associativismo, movimento que honorificamente atua em favor da livre iniciativa. Batista ressaltou que o tema da XXV edição é um convite para a reflexão, de que os líderes são agentes para o desenvolvimento e para as grandes transformações em suas comunidades.
Para o prefeito de Foz, Reni Pereira, o associativismo e o cooperativismo, diante de tudo o que já fizeram e de suas enormes potencialidades, são caminhos seguros para ajudar a tirar o País de um momento tão especialmente difícil. Reni lembrou que, apesar de tudo, Foz do Iguaçu registra índices positivos na geração de empregos e que o Paraná avançou uma colocação no ranking dos estados economicamente mais importantes do Brasil. Agora é o quarto, assumindo a posição que até recentemente pertencia ao Rio Grande do Sul.
Empresários precisam acreditar
O presidente eleito da CACB – Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, George Teixeira, fez um relato do cenário de dificuldades que o país enfrenta. A crise, afirmou, é muito mais política que econômica, por isso é tão importante que os empresários acreditem, trabalham e invistam para ajudar o Brasil a contornar os problemas. As perspectivas para 2016 também não são boas, com retração de 3% e inflação de dois dígitos. Além disso, a carga tributária é elevada e faltam investimentos para tornar empresas e o País mais competitivo. “Mesmo assim, somos maiores do que qualquer crise”, garantiu George.
Na mesma linha de Guido Bresolin Júnior, o presidente eleito da CACB citou que avanços fundamentais ocorrem no País, e que o exemplo dessa mudança vem do Paraná, com a Operação Lava Jato. A moralização da coisa pública é passo importante e decisivo para passar o País a limpo e permitir que ele não adie mais seu encontro com o futuro.
O presidente da Junta Comercial do Paraná, Ardisson Naim Akel, falou em nome do governador Beto Richa. Ele citou o elevado peso da máquina pública, da improbidade de parte dos detentores de cargos eletivos e da necessária participação dos empresários e de suas entidades na construção de um País melhor.
O grande desafio para os governos, ressaltou Akel, é de fazer o que as empresas são há muito obrigadas a incorporar ao seu cotidiano, de ser altamente eficientes, produtivas e competitivas mesmo com poucos recursos. O Governo Beto Richa, afirmou o presidente da Jucepar, respeita e valoriza o setor produtivo. Akel também confia que o Brasil experimenta um futuro histórico e que o futuro será muito diferente.
O presidente da Faciap, Guido Bresolin Júnior, usou o tema da vitória para dar injeção de ânimo e afirmar que empresários são vencedores
Empresário precisa ter foco e saber para onde quer ir
A palestra magna da XXV Convenção Anual da FACIAP foi feita a quatro mãos na noite de quarta-feira (25), no Recanto Cataratas Thermas, Resort & Comvention, em Foz do Iguaçu. O presidente do Sicoob Unicoob, Jefferson Nogaroli, e o conferencista Jussier Ramalho, falaram da importância de o empresário ter foco e de saber para onde quer ir para, mesmo na crise, crescer e gerar oportunidades e desenvolvimento.
Nogaroli afirmou que o Brasil enfrenta a sua mais dura e difícil crise desde 1929, quando o mundo capitalista foi severamente abalado pela quebra da bolsa de valores de Nova York. Ele citou que o poder público no Brasil, além de não produzir e consumir demais (incompetente e perdulário), ainda distribui e emprega mal o dinheiro do contribuinte. Para enfrentar isso, um dos caminhos é criar ferramentas de fiscalização e de controle, a exemplo dos observatórios sociais. Constituídos a partir de 2006 de um projeto pioneiro de Maringá, hoje os observatórios estão em 105 cidades de 19 estados. A função dele é ajudar a fiscalizar licitações e compras públicas e contribuir para que prefeituras e outras instâncias públicas façam economia e sejam mais eficientes.
O governo, afirmou Jefferson, atua na tentativa de criar saídas para as dificuldades, entretanto não reúne condições nem tem a força suficiente para isso. Assim, cabe ao empresário e ao líder encontrar respostas e promover parcerias com a esfera pública que possam recolocar o País nos trilhos. Nogaroli citou o Sicoob Unicoob como exemplo da capacidade empreendedora e da força da cooperação empresarial. De uma única agência e cinco funcionários há 14 anos, hoje a cooperativa de crédito tem 238 agências e dá emprego a 3,2 mil colaboradores. O valor administrado chega aos R$ 4 bilhões. “Dobramos de tamanho a cada dois anos”, afirmou. E o próximo desafio é criar um banco de fomento que empreste dinheiro barato a quem quer empreender e gerar riquezas.
Diferença
De dono de banca de revistas em Natal para um dos mais bem-sucedidos conferencistas brasileiros. Jussier Ramalho contou, na abertura da Convenção da FACIAP, um pouco de sua trajetória e das ideias que teve e colocou em prática para prosperar. O caminho para ampliar as chances de dar certo, afirmou, está em trabalhar e estudar muito, gostar e entender de gente. A infância pobre trouxe a determinação como uma das características mais visíveis da personalidade de Jussier. Mas, além disso, garantiu, liderar é preciso e agir é decisivo.
O que mais sobrecarrega as pessoas, incluindo os empresários, é o que se deixa de fazer. O foco é determinante, ressaltou Jussier, permitindo um retorno a uma das falas de Nogaroli, que lembrou o pensador Sêneca, que afirmou: “Não há vento bom para quem não sabe para onde quer ir”. Do alto de sua liderança intuitiva, Jussier afirmou que reciclar objetos é fácil, difícil é mudar a cabeça das pessoas. “O melhor segredo para contratar bem não está em currículos fartos e impressionantes, mas em dar oportunidade a quem sorri e sabe sorrir”. Vender mais tem íntima relação com reinventar a forma de fazer negócios e de abordar os clientes, conhecendo, entendendo e atendendo as suas necessidades.
Jussier afirmou que o produto até pode ser o mesmo que o da concorrência, mas que a abordagem e a forma de vendê-lo deve ser diferente. O líder, seguiu ele, é aquele que conquista o colaborador e que faz com que ele esteja ao seu lado. “O mundo mudou, as pessoas mudaram e suas demandas também. Por isso, é importante que o empresário entenda esse movimento e se adapte a ele. E não há nada melhor do que tentar fazer diferente para vencer. Só vence quem tem atitude, afirmou Jussier, para decretar: “Liderar é a arte de fazer seguidores e vender é a arte de servir”.
A história de vida de Jussier Ramalho faz dele um dos conferencistas mais requisitados no Brasil

