Caos no trânsito é resultado da omissão das autoridades

Foto: Rafael Silvestrin/Tasabendo.com

Não é preciso ser nenhum especialista para entender o porquê de tantos acidentes no tumultuado trânsito urbano de Campo Mourão, cidade que até há algum tempo se vangloriava de seu bom traçado, com vias públicas largas e retas. A paz que reinava nas outroras tranquilas ruas e avenidas de nossa cidade é, verdadeiramente, coisa do passado. Hoje convivemos diariamente com acidentes, atropelamentos e muitos outros graves problemas no trânsito. E a situação tende a se agravar ainda mais.

   Campo Mourão cresceu, a população aumentou e a frota de veículos quase que dobrou nos últimos 10 anos, mas o sistema viário não acompanhou essa evolução, com os nossos gestores públicos não dando a mínima atenção ao problema. Nem mesmo o grande número de vítimas – inclusive fatais – é suficiente para sensibilizar nossas autoridades para a gravidade da situação. Vai prefeito (e prefeita também), vem prefeito e tudo continua na mesma.

   Segundo dados oficiais do Detran, Campo Mourão tinha uma frota de 35.636 veículos registrados na cidade em dezembro de 2007. No final de 2012 já eram 53.196 veículos. No último mês de agosto (último registro disponível no site do órgão), a frota era de 64.482 veículos, entre automóveis, utilitários, motos, ônibus, caminhões, etc. Ou seja, em 10 anos mais 27.846 carros foram incorporados a frota mourãoense, sem falar que a cidade é pólo regional e recebe diariamente pessoas oriundas de todo o Vale do Piquirivaí e de outras localidades.

   Os números oficiais demonstram que a frota cresceu e muito. Mas nesse mesmo período, o que foi feito para adequar a cidade a esse crescimento no número de veículos em circulação? Afinal, se mais carros estão em circulação medidas deveriam ser sido adotadas para assegurar fluidez ao trânsito e mais segurança a todos. Pelo menos é o que acontece em outras cidades e cito Maringá como exemplo, onde muitas avenidas de mão dupla foram transformadas em únicas, com a instalação de moderna sinalização, câmeras, ciclovias, etc.

   Qual foi a última adequação mais significativa feitas nas vias públicas centrais de Campo Mourão nas últimas décadas? Não estou falando dos últimos anos, mas de décadas. Foi na gestão do ex-prefeito Rubens Bueno, entre 1993 e 1996, quando foram eliminados cruzamentos nos dois sentidos em trechos centrais das avenidas Irmãos Pereira, Capitão Índio Bandeira e Manoel Mendes de Camargo. Os “balões” de contorno foram substituídos pelo prolongamento do canteiro central e a construção de “raquetes”, que permitem o contorno ou cruzamento em apenas um sentido. Também surgiram os estacionamentos em diagonal, que hoje são desaconselhados pelos especialistas em trânsito.

   Depois disso, só veio o caos total – estacionamento diagonal. Essa infeliz decisão eliminou de vez a trafegabilidade das ruas centrais.

 Se se queriam mais vagas de estacionamento deveriam aplicar o Código de Postura (cada estabelecimento comercial tem ele de gerar o estacionamento de para seus clientes que não a rua), e não eliminar com a trafegabilidade, tal qual ai está hoje.

Nada mais foi feito para adequar o sistema viário de Campo Mourão ao crescimento da frota e da cidade. A saturação do trânsito que vivemos já há alguns anos é mera consequência da falta de visão dos gestores públicos, da falta de compromisso e responsabilidade com a comunidade.

Nosso gestores tem justificativa “na ponta da língua” do porquê não fazem. Todas vazias e inócuas.

Por outro lado, falta fiscalização permanente para coibir os abusos e punir os infratores. Raro é ver uma efetiva fiscalização do trânsito e não contamos com sistema de monitoramento ou radares. Sobrecarregam os polícia militares com uma tarefa eminentemente a cargo do gestor municipal.

   Outra prova do completo descaso é que os últimos semáfaros instalados na cidade foram pagos por empresas interessadas na implantação do equipamento. Já a instalação do semáfaro na entrada do Lar Paraná, a cargo do poder público, já se tornou uma novela sem fim. Chegam, as autoridades, fazer evento cívico para comemorar a aprovação de um simples projeto. Quando será que o poder público alcançará a mesma rapidez da iniciativa privada?

   E o que falar da implantação do estacionamento regulamentado (pago) no centro da cidade. A lei que autorizou a implantação já caminha para seu debu, mas nada foi feito até agora. Por aqui, a solução para o problema ainda é o arcaico quebra molas. A ação recente mais ousada foi a colocação de placas proibindo o tráfego de caminhões no centro, mas a imprensa divulga quase que diariamente fotos de grandes  carretas “entaladas”em rotatórias. Nosso trânsito está ao Deus dará.

   Será que falta coragem aos nossos gestores públicos para promover mudanças mais profundas no nosso sistema viário? Será que têm medo das críticas que sempre surgem no primeiro momento e de eventuais reflexos futuros nas urnas? Nem mesmo um projeto técnico das mudanças necessárias foi feito pela administração municipal para dar início ao trabalho de captação de recursos financeiros junto aos órgãos competentes. Enquanto isso, as vítimas do nosso trânsito de multiplicam e as autoridades se fazem de surdas, cegas e nada falam. E não são apenas feridos ou prejuízos materiais. Muitas das vítimas de nosso trânsito ficam com seqüelas para o resto da vida e não são poucas as que ficam impossibilitadas de voltar ao trabalho. Sem falar das vítimas fatais.

   Outra evidência inquestionável da saturação do nosso sistema viário atual são os “gargalos” em determinados horários em vários pontos de vias centrais. Cruzar as vias preferenciais no horário do almoço ou no final da tarde é um verdadeiro exercício de paciência, pois não existem dispositivos para interromper o fluxo de veículo nas avenidas e as filas de carros se estendem pelas ruas a espera para cruzar ou entrar na avenida.

   Em 2013, na condição de vereador, requeri a constituição de uma comissão especial na Câmara Municipal para tratar do trânsito e questões relacionadas. Chegou-se a conclusão que era importante a contratação de uma empresa especializada para realizar pesquisas e estudos sobre o trânsito na cidade e apontar medidas para sanar os problemas existentes.

   O próprio Poder Legislativo licitou e contratou uma empresa: a Gasini, de Maringá. Equipes da empresa realizaram pesquisas de campo, estudaram o atual sistema viário, levantaram a legislação municipal relacionada executaram vários procedimentos. Foi realizado um estudo minucioso, inclusive, do sistema de transporte coletivo urbano. Ao final, a empresa apresentou inúmeras medidas para adequar o sistema viário.

Medidas simples, de baixo custo.

   E o que aconteceu? NADA!!! Mais justificativas, agora empíricas, para dizer que “acha” que não dá para aplicar.

Na própria Câmara Municipal, o trabalho realizado pela empresa acabou esquecido em uma gaveta importante por um bom período. O tal embargo de gaveta. Depois foi repassado à prefeitura…. e nada foi feito nos últimos  quatro anos. Talvez por eu ser classificado como vereador de oposição (canso de dizer: tenho posição). Nossos gestores parecem não entender que acima de interesses político-partidários está o futuro de nossa cidade, o bem da comunidade, a segurança de nossa gente.

   Tolerância zero para a mediocridade!!!

Por Luiz Alfredo, vereador e advogado