Região de Campo Mourão registra 18 acidentes de trabalho graves

Na região de Campo Mourão nos últimos dois anos, ocorreram 277 acidentes graves ocupacionais e 24 mortes – Foto: Divulgação

Há anos a campanha Abril Verde conscientiza a população sobre a importância da segurança e da saúde do trabalhador. As ações são realizadas por órgãos públicos, entidades e instituições apoiadoras da causa, como o Crea-PR (Conselho de Engenharia e Agronomia do Paraná).

Apesar das mobilizações em todo o mês, o dia 28 é o dedicado à memória das vítimas de acidentes e doenças do trabalho. A data é lembrada desde 1969, quando uma explosão de uma mina da cidade de Farmington, na Vírginia, estado dos Estados Unidos, matou 78 trabalhadores. Ao longo dos anos, as ações têm ajudado a reduzir os índices de acidentes e mortes no trabalho.

Na região de Campo Mourão nos últimos dois anos, ocorreram 277 acidentes graves ocupacionais e 24 mortes. Foram 147 agravos em 2017 com 13 óbitos; 112 acidentes em 2018 com 10 mortes e 18 registros até abril deste ano com um óbito. Os dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) são de registros feitos pela 11a Regional de Saúde, que atende 25 municípios.

Segundo a Classificação Internacional de Doenças, as três principais causas de agravos foram relativas às condições de trabalho (62); contato com máquinas ou equipamentos (21) e queda em ou de andaime (12). Sobre as ocupações que mais registraram acidentes ocupacionais, pedreiro ficou em primeiro lugar, com 31 casos; trabalhador agropecuário em geral em segundo, com 19, e auxiliar de pessoal em terceiro, com 10 registros.

De 2012 a 2017, quase 15 mil trabalhadores não voltaram para casa no Brasil, entrando para a estatística de vítimas de acidentes de trabalho, segundo o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho do Ministério Público do Trabalho. No período, foram quase 4 milhões de acidentes e doenças do trabalho, gerando R$ 26 bilhões somente com despesas previdenciárias e 315 milhões de dias de trabalho perdidos.

Ao todo, no Paraná, foram 105,1 mil auxílios-doença por acidente de trabalho, com impacto previdenciário de R$ 917,6 milhões. Somente em 2017, 14 mil afastamentos foram registrados no Estado e 209 acidentes resultaram em morte.

O Crea-PR tem o papel de verificar se o empregador está contratando profissionais ou empresas habilitadas que assumam a responsabilidade técnica pelos equipamentos instalados.

No Conselho, 6.473 profissionais estão habilitados para a atividade, quase 60% a mais do que o registrado em 2010, quando haviam 3,8 mil Engenheiros especializados em Segurança do Trabalho.

Na região Noroeste, são 504 profissionais habilitados para a função nas microrregiões de Maringá (310), Umuarama (50), Cianorte (49), Paranavaí (49) e Campo Mourão (46). Em 2018 a Regional Maringá do órgão fez 94 fiscalizações na Região Noroeste, neste ano até este mês, foram 32.

ABRIL VERDE

Diante do cenário crescente de acidentes e afastamentos de trabalho, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) criou este mês o Comitê de Estudos Temáticos de Segurança do Trabalho. O objetivo é implantar um programa de incentivo e promoção das práticas legais e recomendadas de Engenharia de Segurança do Trabalho nos processos produtivos de empresas e empreendimentos de Engenharia, Agronomia e Geociências.

A criação do Comitê foi articulada pelo Conselho, Entidades de Classe, Ministério Público do Trabalho e conselheiros de diversas modalidades que têm especialização na área de Segurança do Trabalho. “Com o Comitê será possível trabalhar pautas mais específicas e as mais urgentes, baseadas nas demandas da sociedade, nos desafios do momento, e interagir com as demais Câmaras”, diz o coordenador e Conselheiro da Câmara Especializada em Agrimensura e Engenharia de Segurança do Trabalho (Ceast), do Crea-PR, o Engenheiro de Segurança do Trabalho Benedito Alves Junior.