“Profissão perigo”: motoboys desafiam riscos no trânsito

Na segunda-feira passada entregador de lanche teve fratura exposta na perna ao atravessar na frente de um carro na avenida João Bento – Foto: Rafael Silvestrin/Tasabendo.com

Com a pandemia do coronavírus e o forçado isolamento da população em casa, a saída de muitas empresas é recorrer às entregas para continuar funcionando. Com isso, o trabalho dos motoboys se tornou um dos mais requisitados em Campo Mourão.

Bom para quem precisa faturar uma renda extra, mas uma profissão de extremo risco. Principalmente no período noturno e em tempo chuvoso. Na segunda-feira passada, um motoboy de 20 anos fazia a entrega de lanche, por volta das 23h e trafegava pela rua Roberto Brzezinski, quando acabou entrando na frente de um veículo que seguia pela avenida João Bento, na esquina do Corpo de Bombeiros.

Com o impacto, a moto foi lançada a uma árvore e, na queda, o rapaz sofreu fratura exposta na perna esquerda, além de outros ferimentos graves.

A mesma experiência negativa no trânsito viveu Gilmar Fiatkoski, 34 anos, há 10 anos. “Na época quebrei o fêmur e perdi o baço. O prazo para recuperação era de 10 meses a um ano, mas por ser autônomo voltei a trabalhar em 55 dias”, conta Gilmar. “É uma profissão muito arriscada, mas a cada acidente me cuido mais”, afirma.

O jovem Hugo Ubaldo, 22 anos, também trabalha como motoboy e também coleciona acidentes no trânsito. “No acidente mais grave, um carro entrou na minha frente no cruzamento da rua São Paulo, com a avenida Jorge Walter. Não tive como evitar. Foram quatro meses parado até pegar firmeza novamente no punho para acelerar novamente a moto”, revela.

Ele reconhece que a profissão é perigosa e exige cuidado extremo. ”É complicado, principalmente nas entregas a noite e com chuva. Qualquer bobeira você cai ou se envolve em acidente. É um serviço para doido”, brinca.

Já no caso de Alisson Carlos Batista, 29, os cachorros são os maiores “obstáculos”. Por duas vezes ele caiu após atropelar esses animais. “Na primeira vez o motorista de um carro buzinou para um amigo e acabou assustando um cão que revirava o lixo na calçada. Ao saltar na rua, entrou na frente da minha moto. Em outra situação, uma mulher lavava a calçada e jogou água no cachorro. Ele correu para o meio da rua e novamente não consegui evitar a batida”, conta ele.

Há 15 anos na profissão, Batista conta que já entregou gás, água, cerveja e agora usa a moto para as entregas de pizza e marmita. No tempo livre ainda atua como mototaxista. Ou seja, vive em cima da moto.

“O risco de acidente é constante. Quando não é o carro que fecha, é a gente mesmo que acaba errando por correr demais. Os acidentes ocorrem muito porque na entrega, quanto mais rápido você for, mais ganha. O pessoal acelera mesmo para garantir uma boa diária. No meu caso os acidentes serviram de aprendizado e não faço mais loucura.”

PM E BOMBEIROS ALERTAM

No acidente ocorrido na segunda-feira passada, por ser na esquina do Corpo de Bombeiros, o atendimento foi imediato. Presente no local, o sargento Davi pediu mais cuidados aos motociclistas.

“O serviço de delivery aumentou durante essa pandemia de coronavírus e quem vê a oportunidade de garantir uma renda a mais acaba se arriscando com jornadas excessivas de trabalho. São muitas entregas a fazer e o motociclista excede na velocidade, por isso a orientação é que não se arrisquem”, alerta o sargento.

O Aspirante Guilherme Augusto Matiskei, comandante do Pelotão de Trânsito, também faz o alerta. “Esse tipo de acidente, entre carro e moto é o mais comum em Campo Mourão, o que por vezes acaba em fatalidade. Há uma tendência da pessoa querer culpar a sinalização, condições da via, mas o correto é fazer autoanálise, pois na ânsia de fazer a entrega mais rápido para garantir uma renda maior, a pessoa não toma os cuidados necessários na hora de cruzar a via, sem contar no excesso de velocidade”, completa.