Transtorno de Pânico (Ansiedade Episódica Paroxística)
As crises de pânico são as manifestações mais típicas da ansiedade patológica. São fenômenos de início rápido em que além dos sintomas físicos, também se qualificam por pensamentos automáticos típicos que ocorrem durante o ataque, como o medo de tragédia ou morte iminente.
A faixa etária mais comum para o início das crises de pânico é entre 15 e 25 anos, com predomínio em mulheres. Porém, qualquer pessoa pode ter uma crise de pânico, e um ataque isolado não é suficiente para o diagnóstico de Transtorno de Pânico. A ocorrência de crises de pânico parece depender de limiar biológico. Esse limiar está sujeito a fatores genéticos e ambientais ligados ao estilo de vida do indivíduo, como o nível de estresse psicossocial, uso e abuso de cafeína e outros psicoestimulantes, episódios repetidos de abstinência de álcool e, possivelmente, uso de esteróides anabolizantes. No Brasil é comum que ocorram crises de pânico após o uso de medicamentos anorexígenos. Entretanto, estudos recentes apontam para o transtorno de pânico como patologia com predominância de fatores genéticos.
A primeira crise de pânico pode ser decorrente de estímulo ameaçador externo, como vôo de avião ou uso de cocaína. Pode ocorrer, porém, que essa primeira crise sensibilize as estruturas cognitivas, que passariam a ser responsáveis por sua deflagração, evoluindo para o transtorno de pânico típico.
QUADRO CLÍNICO
A principal característica do Transtorno de Pânico (TP) é a presença de crises de pânico recorrentes, que se apresentam como ataques espontâneos de sensação de perigo ou morte iminente associados a sintomas como: taquicardia ou palpitação, sudorese, boca seca, tremor, falta de ar, sensação de sufocamento, dor ou desconforto no peito, náusea ou mal estar abdominal, sensação de tontura, desrealização, medo de perder o controle, medo de morrer, calafrios ou ondas de calor, dormência ou formigamento. Tipicamente, essa crises duram de 10 a 30 minutos. Os sintomas muitas vezes são confundidos com doenças físicas, sendo comum que os pacientes procurem ajuda médica de forma intensa e frequente, especialmente os serviços de emergência. As crises de pânico podem ocorrer em qualquer local, contexto ou hora, inclusive durante o sono, sendo muito aversivas e aleatoriamente repetitivas. Desse modo, uma das primeiras consequências das crises de pânico não tratadas é a ansiedade antecipatória associada ao receio de novos ataques. A partir de então, o indivíduo pode desenvolver “esquiva fóbica”, passando a evitar as situações ou locais onde ocorreram as crises (agorafobia). De fato, até 3,5% da população geral pode sofrer TP, e até 10% apresentarem crises de pânico isoladas.
Após serem colhidos dados de história e exame físico que levem à hipótese diagnóstica principal de transtorno de pânico,é indispensável que o paciente seja encaminhado a acompanhamento psiquiátrico ambulatorial.
Entretanto, há a necessidade, na anamnese, de se diferenciar o TP de outras condições médicas que possam gerar sintomas similares.
TRATAMENTO
Para obtermos melhora clínica significativa e baixas taxas de recaídas são necessárias estratégias diversificadas de abordagem. Os objetivos principais do tratamento do TP devem ser: 1. reduzir a intensidade e a frequência das crises de pânico; 2. diminuir a ansiedade antecipatória; 3. resolver a agorafobia; e 4. tratar sintomas depressivos e/ou abuso de substâncias frequentemente associados.
O tratamento medicamentoso do TP é geralmente muito eficaz, com respostas satisfatórias obtidas em cerca de 80% dos casos. O tratamento com terapia cognitivo-comportamental também apresenta boa eficácia na parcela de pacientes que consegue aderir aos programas de tratamento. A associação dessas duas formas terapêuticas parece ser mais vantajosa do que qualquer uma isoladamente.Exercícios de relaxamento, respiração diafragmática, distração e exposição, ou seja, ajudar a pessoa a enfrentar o seu medo e a viver a experiência de que o medo passa se ela permanecer na situação por tempo prolongado, repetidas vezes, podem auxiliar.