Em desacordo com atual diretoria, secretária geral anuncia desligamento da Santa Casa e fala em desmandos

A crise na Santa Casa de Campo Mourão ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira, 30, com o desligamento da secretária geral do hospital, Ana Maria Oliveira Braga. Em uma carta endereçada à diretoria da Santa Casa, ela justifica sua decisão, inclusive, alegando discordar da forma “afrontosa com que a mesma vem se dirigindo aos prefeitos da COMCAM, secretários municipais de Saúde e funcionários do hospital.”
Ana Maria afirma ainda que a atual presidente tem tomado decisões autocráticas; sem conhecimento científico, técnico e legal. “Agradeço às pessoas que em mim confiaram, mas por uma questão de princípios é impossível me manter conivente aos desmandos que vem acontecendo na gestão da Santa Casa de Campo Mourão. Continuarei pela luta da Santa Casa 100% SUS, exercendo meu direito de associada e no Conselho Municipal de Saúde em defesa do SUS. Me desligo em caráter irrevogável.”
Na carta, ela conta que desde os anos 80 vem lutando e atuando em defesa da saúde pública de qualidade para todos. “Em Campo Mourão, participei do movimento que tirou das mãos de grupos com interesses escusos a Santa Casa. Nosso projeto era a construção da sede própria do hospital; ganhamos terrenos, apoiadores, empresários, trabalhadores… Fui delegada na 8ª Conferência Nacional de Saúde em maio de 1986 em Brasília. Garantimos com os Deputados Federais Constituintes; dentre o saudoso Darci Deitos”, afirma.
Em 2017, diz que retornou ao Conselho Municipal de Saúde, onde declara ter lutado para que a população de Campo Mourão tenha garantido seus direitos. “Iniciamos o movimento ‘Amigos da Santa Casa’ porque não concordávamos com o modelo de Gestão praticado pela Diretoria que ali estava. Desse movimento, de mais de 80 pessoas, surgiu a necessidade de montar um grupo, com o objetivo de oferecer aos usuários do SUS que precisavam ser atendidos na Santa Casa um ambiente favorável a sua recuperação.”
Ainda segundo ela, o grupo decidiu por uma gestão colegiada e que o presidente consultaria a diretoria por um um modelo de gestão democrática para Campo Mourão e região. “Como tal gestão colegiada não está acontecendo e a presidente tem tomado decisões autocráticas; sem conhecimento científico, técnico e legal; venho me desligar.”