Projeto da Faculdade Integrado melhora qualidade de vida de pacientes dialisados

Melhorar a qualidade de vida de pacientes que fazem hemodiálise. Essa é a intenção do projeto solicitado pelo nefrologista Dênis Rogério Aranha da Silva, do Instituto do Rim, e encabeçado pelos professores Marco Antonio Bertolassi e Paula Gehring Bertolassi, do curso de Educação Física da Faculdade Integrado de Campo Mourão.

Os pacientes atendidos ali, conhecidos como renais crônicos, perderam a função dos rins e passam por um processo que elimina o excesso de líquidos e substâncias tóxicas do sangue com uma máquina que funciona como um rim artificial, fora do corpo. E a terapia os deixa muito debilitados, com ossos enfraquecidos e a musculatura atrofiada. É comum que pacientes sujeitos a esse tipo de terapia percam o sono e sintam dores nas pernas que, mais fracas, nem sempre sustentam o peso do corpo deles, o que faz com que quedas sejam frequentes.

O projeto “Atividade Física: contribuições para a melhoria da qualidade de vida de pacientes dialisados”busca contribuir com a melhoria da capacidade funcional e a autoestima de pacientes em tratamento da insuficiência renal crônica, explica o professor Marco Antonio. A princípio, esses pacientes foram submetidos a uma avaliação física completa, com a mensuração de peso, estatura, percentual de gordura corporal, força, agilidade, coordenação motora, flexibilidade, resistência cardiorrespiratória e a aplicação de um questionário sobre qualidade de vida.

A partir desta avaliação, são administradas sessões regulares de exercícios físicos, três vezes por semana, com duração aproximada de 30 minutos, antes e durante as sessões de hemodiálise. “Desta forma, acreditamos que através da melhoria de algumas capacidades físicas possamos contribuir para melhoria da capacidade funcional dos participantes e, consequentemente, na qualidade de vida dos mesmos”, salienta Marco Antonio. Os pacientes também são orientados a manterem a prática regular de exercícios, mesmo durante o período em que não estão em tratamento no Instituto.

Mais, o projeto dos professores Marco Antonio e Paula, ao contribuir com a melhoria da aptidão física dos participantes, é um importante fator auxiliar ao tratamento da doença renal crônica. “Já que diversos estudos científicos sinalizam nesse sentido”, enfatizam.

José Januário de Carvalho, de 64 anos, participa das atividades desde que começou seu tratamento no Instituto do Rim, em julho do ano passado. “Esses exercícios me ajudam, tenho reumatismo e me sinto muito melhor quando faço as atividades”, salienta. Outro paciente, João Simplício dos Santos, de 68 anos, já faz o tratamento há quase três anos e sentiu a melhora na sua qualidade de vida desde o início das atividades, também em julho de 2012. “Gosto muito, é bom para tirar o cansaço e a preguiça. A gente fica mais forte”, considera.

A acadêmica Vanessa Bogdanovicz, do 8º período de Educação Física, está há um mês acompanhando os pacientes do Instituto do Rim, durante seu estágio de saúde, e assegura que a experiência é única. “É um campo totalmente diferente, que você nem imagina que possa atuar”, considera. “Um aprendizado que jamais teremos em outro lugar, além de abrir uma vaga para o profissional de Educação Física”, salienta. Mesmo com o pouco tempo no projeto, a acadêmica garante que já vê resultados. “Alguns trabalhavam sem peso e hoje já utilizam, além dos que aumentaram o peso, também. E eles se preocupam com isso”, garante.

A enfermeira nefrologista, responsável pelo Instituto do Rim, Elis Santos, explica que, com os exercícios, os pacientes fortalecem os membros e conseguem desenvolver atividades rotineiras. “Às vezes é difícil, para eles, caminhar com firmeza, sentir menos dores, e os exercícios facilitam a vida deles, além de dar mais disposição”, considera. Ela acredita que a parceria entre o Instituto do Rim e a Faculdade Integrado é ótima. “Nós precisamos de alguém que faça isso por nós e os alunos têm um trabalho interessante no seu currículo. Para os pacientes, supre suas necessidades”, pontua Elis.

Os resultados preliminares deste projeto, em parceria com pesquisadores do Laboratório de Comportamento Motor (Lacom), da Universidade de São Paulo (USP), serão apresentados pelos professores responsáveis pelo projeto em junho em um encontro nos Estados Unidos, o North American Society for the Psychology of Sport and Physical Activity (NASPSPA).