Processamento Auditivo Central: Saiba mais sobre esta dificuldade
‘Desatenção e notas baixas na escola não são sinônimos de falta de inteligência. Às vezes o problema está na incapacidade de lidar com os sons da fala e com o barulho’.
Ouvir é uma habilidade que depende da integridade do sistema auditivo periférico e central, bem como das experiências do indivíduo com seu meio.
Audição e linguagem são funções correlacionadas, interdependentes, que estabelecem o contato do homem com o meio ambiente, promovendo a sua integração intelectual e social. A primeira função envolve a participação de redes neurais complexas que atuam de maneira diferenciada no processamento de sons ao longo das vias auditivas centrais. Já a segunda envolve um processo altamente complexo, uma vez que está diretamente relacionado à elaboração e simbolização do pensamento humano. (OSTERNE in PEREIRA & SCHOCHAT, 1997; PEREIRA in PEREIRA & SCHOCHAT, 1997)
Quando nos referimos a habilidades falamos em órgãos dos sentidos que, através deles adquirimos o conhecimento, as experiências vividas para um prefeito desenvolvimento. Fatores que interferem na integridade deste sentido, principalmente da audição, podem levar a prejuízos na aprendizagem da fala, leitura ou escrita e/ou outros déficits.
“Processamento auditivo: É como o Sistema Auditivo Periférico (orelha externa, média e interna) e central (córtex) recebe, analisa e organiza aquilo que ouvimos ou pode ser definido também com a conversa entre o ouvido e o cérebro (Katz).”
Manifestações comportamentais na desordem do Processamento Auditivo Central:
• crianças desatentas (atenção reduzida);
• crianças que não acompanham uma conversa com muitas pessoas falando ao mesmo tempo;
• não compreendem facilmente piadas ou duplo sentido;
• não atendem prontamente quando chamadas ou precisam ser chamadas várias vezes;
• têm dificuldade para falar determinados fonemas ou para discriminar sons da fala;
• se atrapalham ao contar uma história ou dar um recado;
• não relacionam a informação auditiva com a visual;
• histórias de infecções no ouvido, perda auditiva nos primeiros anos de vida;
• dificuldades escolares (matemática e português);
• dificuldades para aprender a ler e a escrever;
• escrevem em ‘espelho’ ou trocam as letras;
• letra ‘feia’;
• não sabem qual é a direita e qual é a esquerda;
• não entendem corretamente o que lêem;
• problemas de memória, geralmente memória em sequência;
• muito agitadas ou muito quietas;
• dificuldades de relacionamento com crianças da mesma faixa etária.
Manifestações Clínicas na Desordem do Processamento Auditivo Central:
• prejuízo de localização sonora;
• prejuízo de memória auditiva para sons em sequência;
• prejuízo de identificação de palavras decomposta acusticamente (soletrar);
• prejuízo de identificação de sílabas e/ou frases na presença de uma mensagem competitiva.
Origens da DPAC:
• como genética (filhos podem apresentar algumas características dos pais),
• crianças que apresentam ou apresentaram otites de repetição (inflamação de ouvido) nos primeiros anos de vida,
• processos alérgicos ou inflamatórios nas vias aéreas superiores, entre outras.
Para se fazer um diagnóstico preciso do PAC é necessário a realização da avaliação audiométrica, com um fonoaudiólogo especialista na área. Este irá realizar testes específicos em cabine acústica, para avaliar suas dificuldades. Com a avaliação concluída há um direcionamento que contribui para terapia fonoaudiológica ou psicopedagógica, dependendo do seu tipo de desordem.
Como Pais e Professores Podem Ajudar?
• antes de começar a falar, chame, olhe ou toque a criança e garanta que ela está olhando para você;
• fale mais alto, sem gritar, olhando para a criança de frente;
• fale pausado, mais articulado;
• repita a ordem várias vezes, garanta que a criança entendeu aquilo que foi solicitado pedindo a ela para repetir;
• use frases mais curtas;
• adicione palavras diferentes à fala da criança, para que ela possa ampliar o vocabulário;
• no início, diminua os barulhos da casa (desligar o rádio ou a TV), ou da sala de aula (pedir silêncio, fechar as janela quando possível), enquanto se fala com a criança;
• criar situações de comunicação com seu filho de pelo menos 30 minutos diários;
• contar histórias, cantar músicas, perguntar sobre as atividades do dia. Na presença da disfunção do processamento auditivo central, incluir na conversação diária um treino de compreensão de linguagem no silêncio e no ruído, com a leitura de histórias com duração de 15 minutos.
O resultado da terapia.
Não é possível obtermos resultados imediatos. A criança deverá ser submetida a uma estimulação específica. O cérebro de uma criança está em contínuo desenvolvimento, e devemos aproveitar este período, que é favorável a mudanças, para incentivar a forma correta do sistema nervoso processar as informações que recebe. Ou seja, devemos estimular o “caminho correto” a ser percorrido. Quanto maior a estimulação, maior será o reforço do processamento correto. Com o tempo, este “caminho” de informações pelo sistema nervoso tende a se estabilizar, reduzindo o quadro de alterações que a criança apresentava.