Previna-se: faça um check-up cardiológico
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte e incapacidade de adultos no Brasil e no mundo. Estima-se que após os 50 anos, uma a cada oito mulheres têm alguma doença cardiovascular, e este número é ainda maior para os homens. Dentre estas patologias, a mais comum é a doença das artérias coronárias.
A doença coronária é causada pelo depósito lento e progressivo de material rico em gordura e cálcio dentro das coronárias, que são as artérias que levam suprimento de sangue ao coração. Estes depósitos formam placas chamadas de aterosclerose.
Por longos anos isto não causa sintomas nem altera os exames, até que estas placas fiquem grandes o suficiente para dificultar o fluxo de sangue e limitar o funcionamento cardíaco. Às vezes as placas não são tão volumosas, mas os depósitos tornam o interior do vaso rugoso e propenso a ser subitamente obstruído por coágulos que causam um infarto, arritmia ou morte súbita. O que deflagra este evento catastrófico geralmente é algum tipo de estresse: psicológico, imunológico (inflamações, infecções) ou físico (exercícios, cirurgias, traumas). Um dos principais objetivos do check-up cardiológico é justamente avaliar a chance (risco) de uma pessoa sem sintomas ter a doença coronária. Condições que aumentam a chance de doença coronária são chamadas de ‘fatores de risco cardiovasculares’, os mais comuns são:
Fatores de risco não tratáveis:
Ser do sexo masculino ou do feminino após a menopausa
Ter idade superior a 55 anos (homens) ou maior que 65 anos (mulheres)
Ter história de doença coronária prematura nos pais ou irmãos
Fatores de risco modificáveis:
Ter pressão alta (hipertensão) com média de medidas maior que 140/90
Elevação do colesterol ruim (LDL) ou a redução do colesterol bom (HDL)
Elevação do açúcar (glicose) no sangue (ou Diabetes melito)
Ser fumante
Ser sedentário (praticar menos que 150h de exercícios por semana). Estar com peso acima do ideal que é 25 x (Altura em metros) 2 (ao quadrado)
Ter cintura aumentada (maior de 102 cm para homens ou maior de 88 cm
para mulheres)
Sabe-se que 90% dos pacientes com doença coronária apresentam pelo menos um destes fatores de risco, e a associação de mais de um tem efeito multiplicador. Por outro lado, a ausência deles torna a doença improvável. Alguns fatores de risco têm um peso muito maior que outros, como é o caso do diabetes.
Após a identificação e análise dos fatores de risco, o médico pode classificar o paciente em “níveis de risco”. Estes níveis variam de “muito baixo risco” (até 1% de doença coronária em 10 anos) e vai até o de “risco muito elevado” (mais de 20% de doença em 10 anos). Este nível de risco individual pode ser reduzido com o tratamento médico e mudança no estilo de vida visando abolir cada um dos fatores de risco modificáveis.
Uma pessoa classificada como “risco elevado” tem uma chance alta de eventos cardíacos, mesmo que sua avaliação cardiológica inicial seja normal.
Sabe-se que quanto maior o nível de risco de uma pessoa mais agressivamente deve-se tratar seus fatores de risco para conseguir reduzir o risco da doença, portanto mais baixo deve ser o seu colesterol, sua pressão e sua glicose. Assim, uma pessoa pode se sentir segura com uma dosagem de colesterol dentro dos valores normais, porém só o médico pode saber qual o valor desejado para ela. A mesma regra vale para pressão arterial, onde níveis abaixo de 120/80 são desejáveis para pessoas de alto risco e até 140/90 podem ser tolerados nas demais.
Além dos fatores de risco para doença coronária, o cardiologista também pesquisa condições médicas que se associam a doenças em outras partes do coração, como válvulas defeituosas, dilatações, comunicações, bloqueios, arritmias, malformações, entre outros. Algumas destas condições são: história de febre reumática, sopro na infância, infecção por Chagas, HIV, uso exagerado de álcool, doenças congênitas, malformações nos ossos do peito, reumatismo, insuficiência renal entre outros. Outro ponto crucial no check-up é o exame físico. A doença das artérias coronárias não costuma alterar este exame, mas a maioria das doenças na estrutura do coração em si se manifestam ao examinador atento através de sopros, dilatações, propulsões, ruídos extras.
Alguns pacientes dizem “estar fazendo um check-up” quando na verdade já tem algumas queixas (sintomas) que eles não consideraram importantes. As queixas de doença cardíaca podem também ocorrer por outras causas benignas (pulmonar, psicológica, muscular), mas só um cardiologista é capaz de avaliar estas diferenças. São sintomas que exigem investigação:
• Dor ou desconforto no peito ao esforço
• Dificuldade ou desconforto para respirar (falta de ar)
• Perda repentina da consciência (desmaios ou síncope)
• Sensação de batimentos anômalos no peito (palpitações)
• Inchaço nas pernas (edema)
No check-up cardiológico é realizado um eletrocardiograma e são solicitados exames de laboratório. O eletrocardiograma ajuda a detectar algumas doenças estruturais do coração, mas pode estar normal na doença coronária. Os exames de sangue visam pesquisar fatores de risco e por este motivo são dosados: colesterol, glicose, função dos rins, pesquisa de processos inflamatórios (proteína C reativa, hemograma) entre outros.
Após a análise conjunta destes dados iniciais o médico poderá solicitar os exames cardiológicos específicos, se necessários. As alterações na estrutura do coração são bem avaliados com ecocardiograma, dopler, entre outros. Já para as coronárias, o exame que realmente “enxerga’ as artérias é o famoso cateterismo.
Em virtude de ser invasivo e com riscos, o médico lança mão de outros testes antes de indicá-lo, tais como: esteira, cintilografia miocárdica, ecocardiograma de estresse, holter. Também há uma opção moderna ao cateterismo que é a angiotomografia coronária.
A seleção de cada exame depende de características de cada paciente em questão.
Em virtude de todos os motivos expostos acima, o check-up cardiológico básico (com exames laboratoriais e eletrocardiograma) é recomendado pela Organização Mundial de Saúde para indivíduos acima dos 30 anos, ou a partir dos 20, se esta pessoa já tiver fatores de risco. Uma avaliação mais completa (com exames cardiológicos especiais) é indicada após os 40 anos antes de iniciar exercícios físicos, antes de uma cirurgia, para diabéticos ou com vários fatores de risco e pessoas que já tem aterosclerose em outras artérias (como quem já teve isquemia cerebral, AVC, doença vascular dos membros)
Cláudia Garcez
Médica / CRM 15747
Titulada em Terapia Intensiva
Pós Graduada em Cardiologia
Clínica: Rua São Paulo, 895
Fone: (44) 3016-3106 – 9915-9082