Pesquisas apontam que de três pessoas que morrem duas são homens

“A porcentagem de homens que procuram os serviços de Atenção Básica de Saúde é muito baixa, ao contrário das mulheres”, afirma a enfermeira do Instituto Corpore, Janaína Andrade, baseada na sua experiência com trabalhos assistenciais. E essa prática é geral em pessoas do sexo masculino. Segundo o Ministério da Saúde, eles representam quase 60% das mortes no Brasil.

De acordo a enfermeira, os homens procuram mais os serviços de média e alta complexidade, quando descobrem que já há um agravo das doenças em seu organismo. “Eles não têm o hábito de realizar exames preventivos, aumentando o risco de mortalidade”, garante. Janaína afirma que esse é um ponto que deve ser observado, já que a quantidade de homens mortos por doenças crônicas é expressiva. Para a profissional, os homens têm certa dificuldade em reconhecer suas fragilidades. “Julgam que jamais podem adoecer”, comenta.

Bruna Litron, também enfermeira, concorda. Ela assegura que, quando se fala em prevenção de doenças entre os homens, nota-se um grande preconceito e baixíssima adesão por parte deles. “Com isso, há dificuldade em fazer diagnósticos precoces, aumenta os agravos das patologias e, muitas vezes, impossibilita um tratamento eficaz. Para que haja mudança nesse quadro, é necessário que aconteça uma mudança cultural. Os homens precisam se conscientizar da necessidade da procura preventiva e precoce dos serviços de saúde, já que os dados apontam que as mulheres apresentam uma sobrevida maior em sete anos e que a cada três adultos mortos dois são homens”, destaca.

João Paulo da Silva, 29, é um exemplo de que homens não costumam se cuidar. Ele dificilmente procura atendimento médico. “O homem não tem uma relação com os médicos a exemplo do que é a mulher com o ginecologista”, compara. Para ele, o acesso à saúde é complicado por causa das dificuldades das consultas e pela falta de costume de ir ao médico de forma preventiva.

Para Marlus Danilo Macedo da Silva, 26, a situação é parecida. “Não que eu procure atendimento médico somente quando estou doente, mas são nessas ocasiões que geralmente me lembro de procurar algum médico”. Porém, ele também acha essenciais as consultas preventivas e aponta a praticidade dos homens como um fator determinante para a não procura dos serviços de saúde. “Acredito que isso acontece pelo fato de nós, homens, acharmo-nos um tanto quanto práticos. Se não sentimos nada, estamos ótimos, mas, se sentimos algo de diferente no organismo, contentamo-nos com algum remédio indicado por parentes, amigos, conhecidos, porém dificilmente procuramos um médico”, explica.

A realidade

As enfermeiras acreditam que um dos motivos para a falta de conhecimento e prevenção por parte do sexo masculino é que a Política Nacional de Saúde do Homem tem apenas dois anos. Bruna lembra que inúmeras campanhas foram desenvolvidas para a saúde da criança, da mulher e do idoso, ‘mas até 2009 se tinha deixado de lado a saúde do homem”, afirma.

Como a Política Nacional de Saúde do Homem ainda é um projeto recém-nascido, a enfermeira acredita que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que os resultados se apresentem de forma satisfatória. “Os serviços de saúde deverão desenvolver um trabalho comprometido com a sensibilização e conscientização da população masculina em relação aos assuntos relacionados à promoção da saúde e prevenção das doenças”, destaca.

O sexo masculino está mais vulnerável às doenças do coração, câncer, diabetes, colesterol e pressão arterial elevada. Para evitar tais patologias e garantir uma vida mais saudável, as enfermeiras do Instituto Corpore são incisivas: “Cuidados gerais, como o consumo moderado de bebidas e cigarros, além da atividade física, alimentação saudável e busca pelo lazer são imprescindíveis”. As profissionais lembram que o conceito de saúde não está relacionado só com o bem-estar físico, mas abrange a saúde mental do ser humano também.

O projeto tem o intuito de facilitar e ampliar o acesso da população masculina aos serviços de saúde. O Instituto Corpore – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) –, como promotora da qualidade de vida do cidadão e comprometida com a saúde, busca divulgar tal política. “Devemos investir e estimular nossos parceiros a desenvolverem ações relacionadas com a saúde do homem”, afirma.

A Oscip atua nas áreas de Meio Ambiente, Educação, Saneamento Básico e, principalmente, Saúde nos estados do Paraná e São Paulo. Tem sede em Matinhos (PR) e escritório operacional em Campo Mourão (PR).

Larissa Bortolli /Imprensa Instituto Corpore