Obesidade mata mais que a fome

Quando se pensa nos males da humanidade, uma das primeiras imagens que vem à mente é a estereotipada cena de crianças africanas anoréxicas, com barrigas inchadas por vermes e olhos lacrimejantes. Não que essa imagem seja banal, muito pelo contrário; o problema é que ao deixar tão ‘romântica’ e caricatural a imagem da fome, muitas vezes nos esquecemos de que ela não é um problema exclusivo de africanos e nordestinos que vivem em clima desértico.

Todos os dias milhares de pessoas morrem de fome. Para ser mais exato, de acordo com o Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, 17 mil crianças morrem de fome todos os dias. Isso dá uma média de uma a cada 5 segundos. De acordo com o político, há mais de um bilhão de pessoas que passam fome atualmente, ou seja, mais ou menos um em cada sete habitantes de nosso globo.

Apesar disso, o excesso mata mais do que a falta. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 65% da população mundial vive em países onde há mais mortes pelo excesso de peso do que pela subnutrição. Os dados são provenientes de um estudo publicado em 2012, realizado por mais de 500 cientistas, de 300 instituições de estudo diferentes em mais de 50 países.

Além da obesidade, doenças relacionadas à pressão alta e deficiência cardíaca, que são reflexos do excesso de peso e de condicionamento físico ruim, somadas, representam por si só 1/4 das mortes por causa natural. Esses e mais dados podem ser conferidos no documento chamado de Global Burden of Disease, o maior estudo até então realizado sobre saúde no mundo.

Para os cientistas, a obesidade decorre de fatores variados e não está necessariamente associada à riqueza. A má-alimentação seria a principal causa para a obesidade, resultado facilmente obtido por pessoas que, sem tempo, recorrem ao Fast Food diariamente como refeição. Além disso, são inúmeros os estudos, confiáveis ou não, que põem em questionamento o valor nutricional de alimentos que consumimos diariamente acreditando que sejam bons, como o arroz e o pão brancos, os sucos de caixinha e até mesmo as frutas, contaminadas por agrotóxico. Ter uma alimentação boa é um grande desafio em nossa era, mas ainda assim a noção de que alimentos altamente industrializados são nocivos já faz parte do senso comum há uma ou duas boas décadas.

Qualquer pessoa que busque uma alimentação saudável sabe que uma pesquisa aprofundada sobre praticamente qualquer alimento revelará efeitos negativos e adulteração, mas ainda assim é possível controlar os efeitos da obesidade com exercícios e autocontrole, duas formas de esforço não muito populares hoje em dia.