O mau hábito de respirar pela boca
A respiração bucal ocorre frequentemente em virtude de uma obstrução nasal causada por hipertrofia das vegetações adenóides, desvio de septo nasal, rinite alérgica etc. Observa-se quando a passagem de ar está parcial ou definitivamente fechada, obrigando a criança a encontrar outra forma de respirar. Este problema pode ocasionar a ruptura do contato oclusal e um consequente desequilíbrio no desenvolvimento e posição dos dentes. Se persistir por um longo período origina ainda uma série de transtornos incluindo doenças periodontais, alterações faciais e outras anomalias respiratórias.
Entretanto, existe a possibilidade de não haver nada que impeça a respiração nasal e a criança manter o hábito de inspirar e expirar pela boca. Trata-se de uma respiração bucal viciosa e não patológica, pois não há causa orgânica evidente impedindo o procedimento normal. É importante esclarecer que este não é um problema de difícil solução, se for tratado o mais cedo possível. Mas, mesmo após a origem ter sido detectada e o caso resolvido, a criança pode persistir no mau hábito de permanecer com a boca aberta. Isto deve ser corrigido de imediato para evitar um desequilíbrio das estruturas orofaciais que podem ter prejudicados o seu crescimento e desenvolvimento.
O que se deve fazer:
Eliminar a provável causa orgânica,recorrendo ao médico otorrinolaringologista, tão logo se perceba tal alteração.
Corrigir a má oclusão se esta já estiver sido instalada, através de tratamento ortodôntico.
Reeducação miofuncional através de tratamento fonoaudiológico. A terapia miofuncional é uma reaprendizagem muscular pois, muitas vezes, a oclusão é estabilizada mas a posição da língua permanece incorreta por mecanismo reflexo.
É imprescindível que o tratamento seja realizado conjuntamente com um fonoaudiólogo para o condicionamento de padrões musculares adequados,pois não adiantaria efetuar a correção ortodôntica, sem eliminarmos o hábito de permanecer com a boca aberta ou a língua posicionada incorretamente.
A eficácia do tratamento depende de um trabalho realizado por uma equipe de profissionais especializados.
ATENÇÃO AOS SINTOMAS :
I. Alterações crânio – Faciais e Dentárias :
– Crescimento crânio – facial predominante vertical.
– Palato Ogival.
– Narinas estreitas.
– Desvio de septo.
– Classe II, overjet, mordida cruzada e/ou aberta.
– Frequente protusão dos incisivos superiores.
II. Alterações dos Órgãos Fonoarticulatórios :
– Alterações de tônus com hipofunção dos lábios e bochechas.
– Lábio superior retraído ou curto e inferior evertido ou interposto entre os dentes.
– Lábios secos e rachados com alteração de cor.
– Gengivas hipertrofiadas com alteração de cor e frequentes sangramentos.
– Propriocepção bucal alterada.
III. Alteração Corporais :
– Deformidades torácicas.
– Olheiras com assimetria de posicionamento dos olhos, olhar cansado.
– Ombros rodados para frente comprimindo o tórax.
– Alteração da membrana timpânica, diminuição da audição.
– Indivíduo sem cor, muito magro, às vezes obeso.
IV. Alterações das Funções Orais :
– Mastigação ineficiente.
– Deglutição Atípica com ruído, projeção anterior da língua, movimentos de cabeça.
– Fala emprecisa com articulação trancada e excesso de saliva; fala sem uso do traço de sonoridade pelas otites frequentes com alto índice de ceceio anterior ou lateral.
V. Outras alterações possíveis :
– Sinusites frequentes, otites de repetição.
– Halotose e diminuição da percepção do paladar e olfato.
– Maior incidências de cáries.
– Alteração do sono, ronco, baba noturna, insônia, expressão facial vaga.
– Redução do apetite, alterações gastricas, sede constante, engasgos, palidez.
– Menor rendimentos físicos, incoordenação global, com cansaço frequente.
– Agitação, ansiedade, impaciência, impulsividade, desânimo.
– Dificuldades de atenção e concentração, gerando dificuldade escolares.
– Disfonia (Rouquidão).
A presença de todos ou alguns desses sintomas indica a necessidade de uma avaliação médica. A fonoaudióloga Lúcia Viel aconselha às mães que, sobretudo, observem seus filhos.
“As vezes a criança passa a vida de boca aberta mas a mãe nem percebe, já que sempre foi assim”…