Infertilidade conjugal atinge cerca de 15% dos casais brasileiros

Um casal é considerado infértil quando não consegue alcançar a gestação após 12 meses de tentativa, ou seja, após um ano de relações sexuais sem proteção anticoncepcional. Após esse período, é indicado que o casal passe por uma avaliação médica para investigar a causa da infertilidade.

Atualmente, cerca de 10 a 15% dos casais são inférteis. Vários fatores vêm contribuindo para um aumento substancial na incidência de infertilidade. A tendência atual de postergar o momento da gestação é um dos principais desses fatores, pois expõe a mulher ao efeito de fatores infecciosos, tumorais, endometriose e especialmente, ao envelhecimento dos óvulos. Os homens também estão mais expostos a toxinas ambientais e a hábitos como o consumo elevado de álcool e tabaco.

Algumas pacientes devem procurar investigação médica mesmo antes de tentarem engravidar por um ano. Os fatores que justificam a antecipação da pesquisa são: idade > 35 anos, alterações menstruais, histórico de doença inflamatória pélvica, suspeita de endometriose, antecedentes de cirurgias pélvicas, infertilidade em uniões anteriores e parceiro sabidamente infértil.

A investigação do casal deve ser simultânea. A pesquisa básica da infertilidade do casal deve assegurar que: a ovulação ocorra, exista integridade da anatomia e da função do útero e das trompas, e que haja espermatozóides adequados, em quantidade e qualidade, e que eles sejam depositados de forma satisfatória no trato genital feminino.

Entre as causas de infertilidade, o fator masculino e o fator tubo-peritoneal (alterações nas trompas) são os mais frequentes, com uma incidência de cerca de 35% cada, em sequência aparece o fator ovulatório com cerca de 15%, e enfim outros como o fator uterino. Em muitos casos, há mais de uma causa.

O tratamento do casal vai depender da causa. Os distúrbios ovulatórios são revertidos com medicações que induzem a ovulação. Os problemas masculinos e alterações no útero e nas trompas podem, por vezes ser corrigidos cirurgicamente, mas em alguns casos precisa-se lançar mão de terapia de reprodução assistida, como inseminação intra-uterina e fertilização in vitro.

Márcia Bonomo
Ginecologista e Obstetra
CRM-PR: 25597

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