Hemangioma: lesões cutâneas em idade pediátrica
Hemangioma facial periorbital esquerdo.
Apesar das lesões pigmentadas (avermelhadas) na pele serem comuns ao nascimento e representarem, na maioria das vezes, lesões tumorais benignas com regressão espontânea, deve-se ficar atento e acompanhá-las, pois em alguns casos há necessidade de tratamento especializado.
Hemangioma é o tumor benigno mais comum da infância e sua frequência é estimada em 10-12% das crianças durante o primeiro ano de vida. Acomete mais frequentemente crianças do sexo feminino e prematuros. Pode ocorrer em qualquer raça, mas parece haver propensão por pessoas de pele clara. As lesões são únicas em 80% dos casos, e as áreas mais acometidas são cabeça e pescoço (60%), tronco (25%) e extremidades (15%).
A aparência clínica do hemangioma varia de acordo com a profundidade de acometimento do tumor, podendo variar de lesões bem delimitadas de cor vermelho vivo até nódulos da cor da pele ou azulados.
A maioria dos hemangiomas da infância não está aparente ao nascimento, embora possa existir uma lesão precursora em 30-50%.
Hemangioma facial frontal esquerdo que acomete a órbita esquerda e pode causar perda visual. Necessita de tratamento imediato.
Em geral, os hemangiomas iniciam sua fase de crescimento já nas primeiras semanas de vida. A fase inicial proliferativa de crescimento rápido costuma durar de três a nove meses, e a maioria não ultrapassa 18 meses. A duração da involução pode variar muito entre as crianças, mas normalmente ocorre de modo gradual num período de dois a seis anos e tende a estar completa entre os sete e os 10 anos de idade. Na fase do hemangioma já involuído, muitos pacientes permanecem com lesões residuais que podem se apresentar clinicamente como pele redundante, atrofia, telangiectasias (pequenas dilatações vasculares), cicatrizes, entre outros sinais.O manejo dos hemangiomas continua controverso, e cada caso deve ser analisado cuidadosamente. Como possuem tendência natural a regredir espontaneamente, a conduta expectante é a mais adotada.
Fig. a – Malformação venosa superficial. Fig. b – Controle pós tratamento com alcoolização por punção direta guiada por RX.
O diagnóstico diferencial dos hemangiomas deve ser feito com as malformações vasculares periféricas (MVPs) que são provenientes do desenvolvimento anormal de estruturas vasculares (arteriais, capilares, venosas e linfáticas) e são lesões que, diferentemente dos hemangiomas, podem necessitar tratamento precoce.
A correta classificação das MVPs, com uso das terminologias atuais, guia o tratamento e evita confusões semânticas e indicações terapêuticas equivocadas.
As anomalias vasculares são classificadas de modo não invasivo, baseando-se nos achados clínico, na história evolutiva e nas características encontradas nos diferentes exames de imagem: ultrassonografia com técnica Doppler colorida e espectral, radiografia simples, tomografia computadorizada, ressonância magnética e angiografia digital por cateter. Cada um com uma importância diferente nos diversos subtipos da doença.
Dr. Persio Achôa Claudino
Neurorradiologia diagnóstica e terapêutica
CRM 20300 PR
• Doutor em medicina pela USP
• Especialista em Neurorradiologia Vascular pela Universidade de Paris (Paris 5)
• Mestre em radiologia pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP/EPM).
– Av. Cidade de Leiria, 35 – Hospital Maringá – Setor de hemodinâmica – Zona 1 – Maringá/PR
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Atende também no Hospital Santa Rita.