Estudo sugere que antidepressivo na gravidez eleva risco de TDAH no bebê
Um novo estudo americano sugere que mulheres que tomam antidepressivo durante a gravidez podem ter filhos com um maior risco de desenvolver transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) na infância. Segundo a pesquisa, publicada nesta terça-feira no periódico Molecular Psychiatry, a probabilidade do problema é maior se a mãe da criança ingere o medicamento nos primeiros três meses da gestação.
As conclusões se baseiam em um estudo estatístico realizado no Hospital Geral de Massachusetts, filiado à Universidade Harvard, nos Estados Unidos, a partir dos dados de aproximadamente 3 500 crianças diagnosticadas com TDAH ou autismo e outras 10 000 sem os transtornos.
Segundo os resultados, o uso de antidepressivo na gravidez pode elevar em até 80% o risco de TDAH na criança. Os autores da pesquisa consideram que mais estudos são necessários para consolidar o dado.
Autismo — Inicialmente, o objetivo da pesquisa era verificar se tomar antidepressivo na gravidez eleva a probabilidade de autismo no bebê, como estudos anteriores haviam sugerido. Segundo as conclusões, porém, o aumento não é significativo. O que está associado a um risco de autismo no bebê, de acordo com o trabalho, é a depressão materna não tratada.
“Nós sabemos que a depressão não tratada pode representar sérios riscos para mãe e filho, então é importante que a mulher que toma antidepressivos e que engravida saiba que essa medicação não vai aumentar o risco de seu bebê ter autismo”, diz Roy Perlis, professor do departamento de psiquiatria da Universidade Harvard e coordenador do estudo.
Em um texto que acompanhou o estudo, Guy Goodwin, presidente do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, disse que é preciso ter cautela ao analisar os resultados da pesquisa. Segundo ele, é possível que o risco de TDAH entre as crianças tenha relação com o fator genético. Ou seja, a mãe que tem depressão pode transmitir ao filho uma maior propensão genética para desenvolver transtornos psiquiátricos, independentemente do uso de medicamentos.