Especialista alerta para os perigos da automedicação

Image by © HBSS/Corbis

Automedicação é a prática de ingerir medicamentos por conta própria ou pela influência de pessoas não habilitadas, sem a indicação e o acompanhamento de um profissional de saúde qualificado. É uma prática muito comum, não apenas no Brasil, mas em outros países também, onde o sistema de saúde é pouco estruturado e a ida a farmácia representa a primeira opção para se resolver problemas de saúde. É necessário compreender que há grandes riscos em se automedicar, que cada indivíduo tem características próprias, chamadas de idiossincrasia, ou seja, não é porque resolveu o problema de alguém que irá resolver o seu, o fármaco nem sempre responde da mesma maneira em organismos diferentes.

Há vários motivos que levam a automedicação, entre eles, a indicação de um amigo, a praticidade de aquisição de medicamentos nas farmácias sem a devida prescrição médica, o estoque desnecessário de medicamentos em casa, a carência da população a assistência farmacêutica adequada e até mesmo a venda em estabelecimentos não apropriados, como bares, supermercados e postos de gasolina. Além disso, hoje em dia há um forte apelo da mídia, através de propagandas televisionadas, jornais, revistas e internet, onde se oferece a solução para qualquer problema, como em um passe de mágica. Ainda há a facilidade de compra de medicamentos que exigem retenção de receita, mas que podem ser adquiridos pela internet, no Paraguai e em farmácias sem credibilidade. Procure sempre uma farmácia de qualidade, um farmacêutico de confiança, ele sim poderá orientá-lo quanto ao uso correto dos medicamentos.

A maioria dos medicamentos consumidos pela população é vendida sem receituário médico, e entre os medicamentos mais utilizados estão os analgésicos, antitérmicos e antiinflamatórios, porém nas últimas décadas com a cultura do culto a beleza, as vitaminas, os emagrecedores e diuréticos passaram a ser extremamente consumidos. De acordo com a ABIFARMA (Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica), 80 milhões de pessoas tem o hábito de se automedicar. O que a população não sabe é o grave risco que corre ao usar um medicamento sem prescrição, por exemplo, o diclofenaco, que é o antiinflamatório mais vendido, pode elevar a pressão arterial e provocar desde uma simples irritação estomacal até uma úlcera, o ácido acetilsalicílico, pode causar hemorragias graves e distúrbios de coagulação, diuréticos, muito usados por causarem a falsa sensação de emagrecimento, podem causar desidratação e até insuficiência renal.

Entre os riscos em se automedicar, podem ocorrer reações alérgicas leves até um quadro grave de intoxicação, pode se desenvolver resistência aos medicamentos, além da possibilidade de se mascarar sintomas de alguma doença grave, atrasando assim o diagnóstico e comprometendo o tratamento. Não podemos esquecer, há risco de morte, pois como disse Paracelso (médico e físico do século XVI), “a diferença entre o remédio e o veneno está apenas na dose”. O risco é sempre maior quando se tratar de um idoso ou de uma criança.

Sintomas iguais podem ter causas diferentes, por isso procure sempre o médico, ele é o profissional indicado para realizar os exames clínicos e complementares e chegar ao correto diagnóstico da doença, prescrevendo assim a medicação correta para o tratamento. A receita médica tem razão para existir, e ao se automedicar o doente quase sempre complica ainda mais o seu problema de saúde.

Não há como acabar com a automedicação, mas há meios para minimizá-la, e a participação do farmacêutico é fundamental, praticando a atenção farmacêutica e promovendo assim qualidade de vida ao paciente. Na maioria das vezes a farmácia é o primeiro lugar para onde o paciente vai, por ser uma instituição de saúde de acesso fácil e gratuito, e cabe ao farmacêutico ter a noção da sua competência e dos limites da sua intervenção no processo saúde-doença, tomando assim a atitude correta, avaliando a situação do doente e conduzindo-o assim, caso necessário, ao médico. A interação entre o profissional farmacêutico e médico, resulta em benefício terapêutico ao paciente. Por fim, é de suma importância que todos os profissionais de saúde divulguem a filosofia contra a automedicação e os riscos que esta oferece, procure sempre o médico ou o farmacêutico.

Raquel Uzuelle Rissi Colombo
Farmacêutica Bioquímica (Unipar-Umuarama)
Crf-Pr 12973

Especialização em Análises Clínicas, Pós Graduação em Farmacologia, Manipulação e Homeopatia.