“É equívoco dizer que a Comcam não valoriza a Santa Casa”, diz Angela

A presidente da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam), Angela Kraus (PSDB), prefeita de Farol, questionou a declaração do presidente do Observatório Social de Campo Mourão, Roberval Rosseto, na segunda-feira (4), durante reunião da Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam), comentando a falta de apoio de prefeitos da região e da Comcam à Santa Casa. Rosseto afirmou durante o encontro que Campo Mourão “carrega as demais cidades da região nas ‘costas’”.

Segundo Angela, é “equívoco” dizer que a Comcam não valoriza e não apoia a Santa Casa. “Quando vamos falar para o Ministro, pedimos para a Santa Casa, quando tratamos de reunião com o s prefeitos, pedimos para a Santa Casa, quando nos reunimos com nossos deputados pedimos para que olhem para a Santa Casa. Sabemos da importância do hospital para a região e também que não está bem financeiramente. Mas querer transferir a culpa disso aos municípios e à Comcam é inaceitável”, defendeu a presidente, que participou da reunião.

Durante o encontro, ficou definido que Pedro Baer vai continuar na presidência no hospital. Na ocasião, ele informou que a dívida da Santa Casa de Campo Mourão é de R$ 30 milhões. Desse total, entre R$ 7 milhões a R$ 8 milhões estão vencidas. Para Angela, que foi enfermeira coordenadora do hospital por 3 anos, a Santa Casa precisa mudar seu modelo de gestão. “É preciso buscar outro meio, tem que buscar conhecer as outras Santas Casas, como a de Maringá e Curitiba, tem que saber como funciona e como é o serviço. A Santa Casa de Campo Mourão tem meio de sair do buraco”, ressaltou.

A presidente lembrou também da auditoria feita no hospital em 2015, paga pelos municípios. Na época, os prefeitos desembolsaram R$ 50 mil para custear o levantamento, porém seguem até hoje sem as informações e resultados da mesma. “Nos pediram para fazer uma auditoria e foi feito. É preciso agora aplicá-la”, pediu Angela. Segundo ela, os prefeitos precisam saber qual o problema dentro da Santa Casa. “Esta é uma questão que temos que levantar. Temos que descobrir o que acontece com a Santa Casa e porque ela não funciona”, observou.

ONCOLOGIA

Outro questionamento levantado durante o encontro é o fato de municípios da região estarem encaminhado seus pacientes para tratamento oncológico para Cascavel ou Umuarama. A preocupação é que isso possa contribuir para o possível fechamento da oncologia da Santa Casa. No entanto, Angela explicou que o atendimento em Cascavel, por exemplo, para onde alguns municípios estão encaminhado seus pacientes, é bem mais rápido que em Campo Mourão.

“Primeiro [em Cascavel] o exame é colhido dentro do hospital, ou seja, eles não marcam para colher fora. Se não colhe no dia, já marcam no dia seguinte para o paciente voltar. Fazem os exames e já marcam o retorno para o médico e o paciente já deixa o hospital com a cirurgia marcada. Aqui em Campo Mourão todo o processo, desde a triagem até efetivamente a cirurgia, dura até 5 meses. E quem tem câncer não pode esperar tudo isso”, explicou a presidente.

Angela ressaltou que a presidência da Santa Casa deve buscar um meio para resolver os problemas do hospital. Segundo ela, os municípios já vêm fazendo o que podem [juntos repassam mensalmente R$ 150 mil para a Santa Casa]. “Somos apenas parceiros e não temos como tomarmos a atitude. As decisões quem tem que tomar é a presidência. Se for para nós tomarmos as atitudes e resolvermos os problemas então deem a Santa Casa para Comcam resolver”, desabafou.

Angela informou que nesta quarta-feira (6), a comissão de Saúde da Comcam se reunirá às 16 horas para tratar da saúde na região. A Santa Casa de Campo Mourão está na pauta de discussões.