Dependência química, uma doença que tem tratamento
(Imagem: Klawitter Productions/Corbis)
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a dependência química é uma doença. Para o dependente a droga assume um lugar tão importante em sua vida que todas as suas atividades giram em torno do ato de conseguir e consumir a sua droga para obter o prazer que tal substância lhe oferece. Não há mais espaço nem para os cuidados básicos consigo mesmo (ex.: tomar banho, escovar os dentes, comer, dormir).
A dependência química é uma das maneiras da pessoa se relacionar com as drogas. Através de pesquisas e de experiência ao atendimento de usuários, percebe-se que geralmente a pessoa inicia com o USO de drogas, esse uso pode ser experimental ou ocasional. Após esse período, pode ocorrer o ABUSO de drogas, fase em que já começa a haver reflexos das substâncias psicoativas na vida do indivíduo, pode dar início aos prejuízos na saúde e na vida pessoal (ex.: faltas à escola e/ou ao trabalho; envolvimento em acidentes; mudanças de humor; atos de violência; etc.). Se em nenhuma dessas etapas a pessoa não for orientada e tratada é possível que o USO/ABUSO de drogas evolua para a DEPENDÊNCIA.
Duarte e Formigoni (2010) argumentam que existem múltiplas causas para o uso de drogas (curiosidade; diminuir o medo e ansiedade; tomar coragem para enfrentar alguma situação; fazer parte de algum grupo; etc.). A etapa da vida de maior risco para o uso/abuso de drogas é a adolescência, pois é a fase de descobertas (sexualidade, por exemplo) e onde o indivíduo começa a fortalecer a sua identidade, procura saber quem é ele, do que gosta, o que quer da vida.
No entanto, Silveira Filho (1995) nos alerta que hoje o uso de drogas é democrático, ou seja, não há distinção de idade, gênero ou classe social de consumidores. O usuário de drogas não tem “cara”, pode ser nosso amigo, vizinho, parente ou até nós mesmos.
A dependência química tem tratamento, assim como o uso e o abuso de drogas. A psicoterapia é uma das ferramentas para ajudar o usuário a entender o por quê do seu uso de drogas e encontrar maneiras de continuar sua vida de forma prazerosa sem a necessidade das substâncias psicoativas.
Referências:
SILVEIRA FILHO, Dartiu Xavier da. Drogas: uma compreensão psicodinâmica das farmacodependências. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1995.
DUARTE, Paulina do Carmo Arruda Vieira; FORMIGONI, Maria Lucia Oliveira de Souza (Org.). Conversando sobre drogas com jovens. Brasília: Secretaria Nacional de Política sobre Drogas, 2010.
Franciely Ribeiro Sehaber – Psicóloga / Pós-graduanda em Saúde Mental e Intervenção Psicológica – UEM.
CRP – 08/16186
Atendimento clínico a adultos e adolescentes
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