Criança de três anos morre de meningite e família denuncia negligência no 24 horas
Um menino de três anos morreu, no dia 18 de novembro deste ano, após ser diagnosticado com meningite. De acordo com informações da família, a criança começou a ficar doente em casa e foi logo levada ao Posto 24 Horas, de Campo Mourão. O menino teria sido atendido somente duas horas após chegar na Unidade Básica de Saúde.
O caso foi levado a público pelo presidente da Câmara de Campo Mourão, Pedrinho Nespolo, nesta semana. De acordo com ele, a família fez crítica negativa ao atendimento médico prestado inicialmente, afirmando que a consulta foi rápida e de forma abrupta. A médica não fechou a porta do consultório e examinou a criança de longe, sentada em sua cadeira.
A família afirma ainda que a médica estava em horário de almoço. “Eles chegaram por volta das 12h40 e foram atendidos somente às 14h30”, informa Nespolo.
Após o tempo de espera, a médica prescreveu medicações para dor de garganta e mandou a criança para casa. “Acontece que estando em casa, a criança voltou a passar mal, retornando às 19h30 para a referida unidade de saúde. Havia outro profissional que declinou pela suspeita de meningite bacteriana. Criança com meningite não pode esperar seis horas sem medicamento para fazer o exame ou receber o resultado, porque meningite bacteriana grave pode matar em seis horas”, enfatiza Pedrinho.
Após o diagnóstico, o menino foi encaminhado com urgência para a Santa Casa de Campo Mourão. Mas, durante a madrugada, o estado clínico da criança piorou. Pela manhã a família foi informada de que a criança deveria ser transferida para Maringá, a fim de receber atendimento adequado. “Após a disponibilização da UTI móvel, foi constatado que não havia médico para acompanhar a criança no trajeto. Após muitas tentativas, ligações para vários médicos, somente na tarde de segunda-feira (18/11/2013) conseguimos acompanhamento técnico. Às 17h30, com muito esforço a criança foi transferida. Só que, lamentavelmente, ao chegar ao Hospital Universitário do Município de Maringá, às 19h30, foi dada a triste notícia que a criança não resistiu e veio a óbito”, detalha o vereador.
A família ficou em choque e acusa negligência no sistema de saúde pública. “Se houvesse um médico pediatra na unidade de saúde, ou ainda se ao menos o primeiro atendimento fosse prestativo, com a medicação específica para o estado clínico da criança nas primeiras horas, esta poderia ter melhorado. Convém notar, que até mesmo um leigo em medicina poderia desde logo ter notado os sintomas da criança, pois segundo afirma a família, já no primeiro atendimento, a criança não conseguia abaixar a cabeça, o que se comprova total negligência profissional, pois o médico sequer levantou-se de sua cadeira”, reitera Pedrinho Nespolo.
O vereador pede agora à administração municipal documentos para apurar as irregularidades prestadas no atendimento. “Fica nítido de que a Saúde Pública, prestada pela administração, em vários momentos, foi negligente, agindo com culpa por omissão, quer seja pela inexistência de médico pediatra na unidade de saúde, pela forma que se deu o atendimento inicial, quer seja pela demora em disponibilizar profissional para o acompanhamento da transferência da criança.”
A prefeitura tem o prazo máximo de 30 dias para enviar cópias dos documentos solicitados, prestar esclarecimentos sobre o caso, e também informar as condutas que a administração irá tomar.