“Acordei cedo para ir ao postinho e o Dr. não apareceu”

27 de abril de 2017, 6h30, 11 graus. No dia mais frio do ano, até agora, acordei cedo para buscar minha mãe e minha irmã e levá-las ao postinho do Centro Social Urbano. A ordem de atendimento é de acordo com a hora de chegada, mas o posto só abre as 7h30. Então, logo cedo, uma fila já se forma ao lado de fora. Faça chuva ou faça sol, ou frio como hoje, tem que esperar.
Justamente neste dia, minha irmã tinha prova marcada na escola, no primeiro horário. As aulas começam as 7h20. Ela tinha que ser atendida o mais rápido possível para tentar fazer a avaliação ainda hoje. Bom, eu deixei as duas no Centro Social Urbano e vim trabalhar.
Às 7h50 meu celular toca. No visor o número de minha mãe. Meu pensamento: “Nossa, que rapidez! Que bom, vai dar tempo de minha irmã fazer a prova.” Claro que o pensamento é rápido né, numa fração de segundos “passa muita coisa na cabeça”. Você sabe como é.
Atendi a ligação:
– Oi mãe, já?
– Oi filho, a Dra. não apareceu. Pode vir nos buscar.
É claro que não vou julgar ninguém aqui. Não sei os motivos da Dra. não ter aparecido. Mas o que ouvi, quando fui buscá-las, é que “isso é normal acontecer” nos postinhos da cidade. “Os médicos, simplesmente, as vezes, não aparecem.” “Minha vó já cansou de sair de casa cedinho, chegar lá, esperar abrir, e receber a informação de que não será atendida porque o profissional não apareceu”, disse uma moça.
O título deste artigo é o sentimento de muita gente: “Acordei cedo para ir ao postinho e o Dr. não apareceu.”
Essa situação NÃO PODE ser normal. Aliás, NÃO DEVE. Se estiver acontecendo com frequência, algo precisa ser feito. Afinal, se o cidadão foi em busca de ajuda para cuidar da saúde, é porque está precisando.
Agora, um novo atendimento foi marcado para daqui 15 dias para elas. Essa é a vida de quem depende da saúde pública. Infelizmente o atendimento não é igual aos daqueles que podem pagar. O profissional pode ser o mesmo, mas o atendimento é diferenciado.
Já passou por isso? Não deveria ser assim.
Por Fernando Lorenzzo