A atuação fonoaudiológica no TDAH

A principal característica do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), é um padrão de desatenção e/ou hiperatividade. A desatenção, ou falta de concentração, podem manifestar em várias situações, sejam elas escolares, profissionais ou sociais. Ex: parece não ouvir quando se fala com ele,.dificuldade na organização, frequentemente perde objetos, distrai-se com facilidade, esquecimento nas atividades rotineiras, não enxerga detalhes e faz erros por falta de cuidado.

A Hiperatividade e a impulsividade, causam tanto prejuízos quanto a desatenção. Ex: inquietação, mexendo as mãos e os pés ou não parando quieta na cadeira, corre sem destino, fala excessivamente, age como se fosse movida a motor, dificuldade em esperar a vez, interrompe conversas e se intromete. Esses indivíduos,têm índices de QI acima da média, levando a família a não entender,como é possível ser tão inteligente em certos aspectos e tão desinteressados nos estudos.

Alguns sintomas, certamente estarão presentes antes dos 7 anos de idade, mas infelizmente quase nunca são diagnosticados precocemente.É mais comum que isso aconteça durante as primeiras séries escolares, ou quando encaminhados ao médico especialista por algum outro profissional da saúde (fonoaudiólogo, psicólogo, etc).

Alguns transtornos que poderão acometer o TDAH,tratados por fonoaudiólogos.

Distúrbio Articulatório: É a substituição, omissão, ou simplesmente distorção de fonemas na linguagem falada. Vale ressaltar que a criança hoje,deve ter a linguagem correta até os 4 anos de idade.

O Distúrbio Articulatório do TDAH, é exclusivamente funcional ou seja, aquele em que se descarta qualquer alteração ou má formação orgânica.

Para se adquirir padrões corretos de fala, a criança, ouve, repara, e se corrige automaticamente, a medida que desenvolve a linguagem.O indivíduo portador de TDAH, com hiperatividade ou não, tem deficiência na atenção,e ,sem a mesma, em alguns casos, a aquisição da fala fica prejudicada.

O indivíduo é fluente,ele fala com desenvoltura, mesmo que seja incompreensível.A principal queixa da família é que ele parece falar em outra língua.

Na verdade, ele acredita que fala como ouve.Daí a necessidade de só falar de forma correta, para que se processe o feedback auditivo.

Dislexia: É um distúrbio específico da linguagem, caracterizado pela dificuldade ou incapacidade de decodificar (compreender) palavras escritas.

A dislexia é uma alteração da leitura, que certamente estará presente no indivíduo com distúrbio articulatório não tratado até a alfabetização. Existem maiores e menores graus de comprometimento,em se tratando de dislexia. Na cabeça do disléxico, os símbolos gráficos que compõem a leitura, não fazem nenhum ou pouco sentido.

Acredita-se que isso possa estar também relacionado ao desenvolvimento psicomotor, (Que deveria estar pronto, antes do aprendizado da leitura e da escrita).

Na dislexia, encontra-se comprometida a consciência do eixo corporal e a lateralidade.

Esse indivíduo vai confundir-se eternamente com direita e esquerda por exemplo.

A causa primária da dislexia é a relação espacial alterada, fazendo com que a criança não consiga decifrar satisfatoriamente os códigos da escrita (ler).

Nem todo distúrbio de aprendizagem é dislexia. Para se ter um diagnóstico de dislexia faz-se necessário uma avaliação cuidadosa, geralmente por feita por uma equipe multidisciplinar.

O TDAH, pode apresentar dislexia em sua forma total ou simples distúrbio no aprendizado da leitura. A escrita e a leitura, estão intimamente ligadas, porém uma, pode estar comprometida e a outra não.

Disgrafia: É uma deficiência na linguagem escrita, mais precisamente na qualidade do traçado gráfico, sem comprometimento neurológico e/ou intelectual.

Nas disgrafias, também encontramos níveis de inteligência acima da média, mas por vários motivos, apresentam escrita ilegível ou lenta.

A “letra feia”(disgrafia) está ligada á dificuldades para recordar a grafia correta para representar um determinado som ouvido,ou elaborado mentalmente.

A criança, escreve devagar, retocando as letras, e realizando de forma inadequada as uniões entre as mesmas. Normalmente as amontoa,com o objetivo de esconder os erros ortográficos.

Assim como a dislexia, a disgrafia também está relacionada á má organização de espaço temporal, fazendo com que uma organização de caderno,por exemplo,seja “inexistente”.(usa espaços inadequados entre as palavras, margens inexistentes, letras deformadas, escrita ascendente ou descendente, etc).

Disortografia: Tanto a disgrafia, quando a disortografia, são alterações da linguagem escrita. Essas duas alterações, podem estar presentes num mesmo indivíduo, mas não é via de regra.
Na disortografia, a criança escreve nos espaços certos, a caligrafia é clara, porém cheia de erros ortográficos.

Antes de se fazer um diagnóstico de disortografia, deve-se avaliar com cuidado o grau de escolaridade. No processo educacional, dependendo da série, vários erros ortográficos serão permitidos.

A disortografia é a incapacidade de aprender a usar os processos gráficos para representar na escrita a linguagem oral.

Discalculia: A discalculia, é a dificuldade ou a incapacidade de realizar atividades aritméticas básicas, tais como quantificação, numeração ou cálculo.

A discalculia é causada por disfunção de áreas têmporo-parietais, muito compatível com o exame clínico do TDAH.

Vale lembrar que alguns indivíduos têm menos aptidão para matemática do que outros, e nem por isso pode-se diagnosticá-los como se tivessem discalculia.

A discalculia está quase sempre associada á quadros de dislexia e do TDAH, (onde se encontram indivíduos com QI acima da média. )

TDAH-Algumas dicas para os pais
1- Reforçar o que há de melhor na criança.
2- Não estabelecer comparações entre os filhos.Cada criança apresenta um comportamento diante da mesma situação.
3- Procurar conversar sempre com a criança sobre como está se sentindo.
4- Aprender a controlar a própria impaciência.
5- Estabeleça regras e limites dentro de casa,mas tenha atenção para obedecer-lhes também.
6- Não esperar “perfeição”.
7- Não cobre resultados,cobre empenho.
8- Elogie!Não se esqueça de elogiar! O estímulo nunca é demais. A criança precisa ver que seus esforços em vencer a desatenção, controlar a ansiedade e manter o “motorzinho de 220 volts” em baixas rotações está sendo reconhecido.
9- Manter limites claros e consistentes,relembrando-os frequentemente.
10- Use português claro e direto,de preferência falando de frente e olhando nos olhos.
11- Não exigir mais do que a criança pode dar: deve-se considerar a sua idade.

Lembre-se sempre:

1- Procure o máximo de informações possível sobre o TDAH: leia livros, faça cursos, entre para organizações como a Associação Brasileira do Déficit de Atenção, faça contato com outros pais para dividir experiências bem e mal sucedidas.
2- Tenha certeza do diagnóstico e segurança de que não há outros diagnósticos associados ao TDAH.
3- Tenha certeza de que o tratamento está sendo feito por um profissional que realmente entende do assunto.
4- Lembre-se que seu filho (a) está sempre tentando corresponder às expectativas, mas às vezes não consegue. Deve sempre lembrar-se aos pais que estes devem ser otimistas, pacientes e persistentes com o filho. Não devem desanimar diante dos possíveis obstáculos.