“Sr. Postador”, por Samuel Colaço, na coluna “Por escrito”

Hoje pela manhã vi pela enésima vez um desenho clássico da Disney. Um episódio do Pateta em que ele entra no carro e se transforma no “Senhor Volante”, sempre apressado e com ódio nos olhos, estressado e buzinante, (Se é que existe essa palavra). O “Sr. Volante” atravessava ruas como se fosse um louco.
É impressionante como esse desenho ainda é atual, e cabe interpretações diferentes. Podemos substituir o volante por um Smartphone, Tablet, Notebook ou PC. Transformar as pistas em redes sociais e “Voilá” temos o “Sr. Postador”, um usuário cheio de opiniões desconectadas da realidade, baseadas em seu achismo e que “doa a quem doer” redigirá um texto a fim de atacar a quem quer que seja, ainda que seja ele mesmo.
Talvez nesse exato momento, eu seja o “Sr. Postador”, vou ali buscar um espelho para conferir. Mas quem de nós, nunca foi? Quem nunca se embebedou de raiva e gastou a ponta dos dedos redigindo um texto pontiagudo, que, se pudesse, assumiria a forma de uma bala. Tudo isso é reflexo de uma geração cada vez mais conectada e, na mesma proporção, desinformada.
Ter acesso às informações de forma rápida não é sinal de que estas estão sendo lidas e assimiladas. Essa geração, com dedos ávidos em rolar a timeline das redes sociais criaram um freio melhor que o ABS e este para nos decotes, abdomens sarados e biquinhos feitos nas selfies, mas não conseguem ler nada além dos 140 caracteres de um tuíte.
Muito provavelmente, a Disney hoje faria um episódio do Pateta com olhos fundos e celular na mão. Mesmo sem sair do lugar mostraria a desgraça feita por uma postagem inconsequente.
Ao final do desenho original, Pateta desce do carro e age de forma pacífica, diria descarada, como se nada tivesse feito, incrivelmente semelhante a todos nós quando terminamos de fazer uma postagem cheia de caracteres com nossa própria verdade.
Talvez seja hora de desconectar. Ser mais intenso no mundo real, com atitudes reais. É bem provável que gere menos “likes”, mas um sorriso ao vivo é bem mais prazeroso que uma selfie.
Samuel Colaço é fotógrafo, cristão, casado e tem 32 anos. Bacharel em Administração de Empresas formado na Unespar – Campo Mourão.
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