“Sobra das sobras”, por Fátima S. Ferreira, na coluna “Por escrito”

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Você sobra em tudo e recebe as sobras que os outros te dão. Nunca diz não às sobras, porque aceita as sobras ou nada te sobra.

Sobra quando beija seu amor e recebe nos lábios o toque gelado de um carinho frustrado que sobrou. Carinho miserável… E você fica com as sobras de quem não quer de fato se dar.

Sobra o tempo todo… Sobra de um jeito que quem te procura é porque não encontrou nada melhor em outro lugar. Recebe as sobras que sobra das sobras de planos frustrados de alguém que deixou sobrar.

Sobra nos estudos e é procurado para juntar-se a outro que também sobrou. Sempre sobrando. Sobra em ser parceiro do aluno não aplicado que não achou ninguém para ‘junto’ o trabalho ‘fazer’. Então você é lembrado, porque o aluno sobrou. Você que é sobra se junta com a sobra que também sobrou. Mas se duas sobras se juntam, poderiam pensar que se somam, tornando uma pessoa. Mas há quem os olha e veem apenas, sobras. No máximo, duas sobras.

Sobre as sobras… Fico com as sobras de quem inteira me dei. O tempo a mim dedicado é a mísera sobra do tempo que gasta em tudo que lhe convém. Hoje, tenho consciência que já fiquei com as sobras e muitas vezes também já sobrei.

07/03/16

Maria de Fátima Saraiva Ferreira

Nascida em Umuarama – PR. Residiu no munícipio de Nova Cantu, ainda criança com mais cinco irmãos. Aos dezenove anos veio residir em Campo Mourão e se encontra até hoje. Graduou-se em Geografia no ano de 2008. Pós-graduou em Geografia Meio Ambiente e Ensino no ano de 2012 pela UNESPAR / FECILCAM – Campo Mourão – PR.

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