“Sob os olhos do olhar”, por Fátima S. Ferreira, na coluna “Por escrito”

Fátima

   Ao meu pai, Celsino Saraiva dos Santos.

                                             Ao meu sogro, José Jorge Ferreira.

Olhos tão belos que não envelheceram, enquanto a pele denuncia que muitos anos se passaram. Olhos ainda belos que guardam mistérios…  Mas o olhar desses olhos é incompreendido… Sem interpretação, porque poucos se arriscam a mergulharem num vasto rio de mistérios oculto no olhar.

No azul dos olhos mais belos, há tantos mistérios. Os quais as palavras não falam. Mas o olhar distante, intrigante, silencioso parece melancólico e saudoso. As lágrimas não caem, mas estão lá.

Olhos negros e também misteriosos de beleza excêntrica, envoltos por uma camada de neblina que ao mesmo tempo em que mostra alegria, o olhar trás um passado emaranhado de tristezas. De recordações quase todas ruins… Péssimas… Poucas são as lembranças que refletem um olhar feliz.

Olhos azuis e negros que carregam em si tantos segredos.  Olhos amedrontados que parecem esquecer que os olhares são denunciantes para quem tem sensibilidade de interpretá-los.

Sob os olhos do olhar de olhos azuis e pretos há uma história… Duas histórias… Tantas histórias… Cada qual com suas narrativas… Cada qual com suas feridas… Com suas dores ainda perturbadoras por mais que pareçam distantes.

Sob os olhos do olhar, há mistérios que as palavras não revelam… Que a voz não fala… Há mistérios que se perdem nas lembranças de um passado longínquo.

26/06/16

Maria de Fátima Saraiva Ferreira

Nascida em Umuarama – PR. Reside em Campo Mourão desde 1993. Concluiu Licenciatura em Geografia no ano de 2008 pela UNESPAR / FECILCAM – Campo Mourão – PR. É membro da Associação Mourãoense de Escritores (AME).

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