“Sim, é Natal”, por Oswaldoir Capeloto, na coluna “Por escrito”

Oswaldoir


Por algum tempo, mesmo que pequeno, minutos que seja,
eu não quero ouvir palavras sonoras.
Quero apenas mergulhar na sonoridade do silêncio
e me deixar levar por ele, como quem segue de mãos dadas
com um anjo tagarela, por uma estrada qualquer,
conversando somente pelos olhos.
Sim, porque lá no fundo, mesmo que adormecido,
eu ainda guardo um anjo, e mesmo que tão raramente
me lembre, ele ainda existe e ainda sou.

Eu quero buscar na minha essência
toda a humanidade que ainda possa existir em mim.
Eu não quero pressa. Quero apenas a prece que vem do coração
e inunda de luz todo o meu ser, revelando assim,
toda a grandeza da vida, mesmo diante da minha pequenez.

Eu quero inundar todo o meu ser com bons sentimentos.
Eu quero fazer a minha paz, e em paz comigo, assoprá-la,
para que ela ganhe o abraço do vento e se espalhe intensamente
entre todas as gentes. E que todos se fartem dela.

E que eu possa então, ouvir a sonoridade dos gritos de alegria
e de felicidade ecoando forte, contemplando o renascimento
de um tempo novo. E que a paz seja eterna e o poder de usufruí-la,
constante e abrangente, porque é tempo de luz.

Sim, é natal.
Deixemos renascer a criança que ainda existe em nós,
e voltemos a brincar com o Menino Jesus, hoje, sempre,
todos os dias, e em todos os natais que estão por chegar
no galope manso de cada novo amanhecer.

Oswaldoir Capeloto. Campo Mourão/Pr.

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