Sérgio Luiz Maybuk publica hoje na coluna “Por escrito”

Maybuk

EU VI NO DIA 25/02/2015

Eu vi colegas professores, funcionários e estudantes chegarem.

Viajaram de ônibus, ficaram cansados, mas não os vi desanimarem.

Eu vi os bravos líderes da APP, do alto do caminhão de som recebendo seus sindicalizados.

E nós do ensino superior por eles também sendo muito bem apresentados.

Eu vi a organização do evento preocupada com a segurança e com a manutenção da limpeza.

E os manifestantes indignados com o governo estadual, mantinham o sorriso demonstrando grandeza.

Eu vi um manifestante com muito bom humor e penico na cabeça.

Fazia referência ao artigo da gazeta do povo, sobre o deputado covarde que de medo no camburão encheu a calça.

Eu vi admirado aquele mar de gente chegando.

Eram dois grupos separados que aos poucos foram se encontrando.

Eu vi uma professora ao microfone, com muito bom humor ironizando alguns filhinhos e netinhos hoje “deputados”, que por traição hoje  nos causam vertigem.

Ela dizia com toda a pompa, é Francisquinezinho, É Curi, É Maria Victória, gente eles se reproduzem.

Eu vi em cima de uma camionete professores/artistas com violão, parodiando a música “Madalena”.

Cantavam “Beto Richa, Beto Richa, eu vou falar para os alunos, vou falar para os alunos…” ouvi-los valeu muito a pena.

Eu vi o acolhimento total dos curitibanos nos primeiros momentos de caminhada.

E dos prédios, chuva de papel picado nos deixava de alma lavada.

Eu vi no meio da caminhada do alto de um prédio, uma senhora bem velhinha, quase não mexia os braços, acenando para a multidão.

É o tipo de pessoa que pode ter o rosto com muitas rugas, como vários professores e professoras aposentados (as) que lá estavam, mas que não se deixam abater e procuram manter o espírito em ação.

Eu vi um rapaz do alto de um prédio que causou emoção, foi muito aplaudido por todos e mexeu com nossa cabeça.

Ele estava estático, firme, mereceu nossos aplausos, porque não recebe auxílio moradia de mais de 4 mil, não entra em camburão para votar contra nós. Ele apenas segurava um papel branco escrito em caixa alta: FORÇA.

Eu vi uma colega do meu campus, toda eufórica dizer, que estavam entregando rosas para uma policial e que ela já tinha mais de cinco na mão.

Vimos depois um policial, quando estávamos indo para o ônibus nos parabenizar pela nossa manifestação.

Eu vi finalmente no acampamento dos professores em frente ao Palácio do Governo, um cartaz que ao chegar a minha memória me consome.

Estava escrito assim: Se ficar o Beto pega, se correr o Beto come. Se unidos o Beto some.

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