“Psicologia e Psicomotricidade” por Tábata Freitas, na coluna “Por escrito”

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Psicologia e Psicomotricidade: contribuições para o desenvolvimento infantil

Márcio Sampaio de Marins*

Tabata Freitas**

RESUMO

Quando iniciamos uma pesquisa queremos explicar o desenvolvimento do fenômeno através da gênese. Será deste modo que vamos iniciar a busca pela história da psicomotricidade e a relação que ela possui no desenvolvimento infantil. A psicomotricidade possui um ponto base na visão como um todo, considerando que todo método utilizado possui uma ligação nas funções cognitivas, motoras, emocionais e formas de interações com o psicossocial. A psicologia tem uma relação muito importante juntamente ao método utilizado pela psicomotricidade no âmbito infantil. A atuação do profissional de psicologia é desenvolver um trabalho de estimulação das emoções, relacionamento social no ambiente escolar. A psicomotricidade possui varias vertentes no olhar de alguns autores. Sendo assim, cada autor defende sua teoria, porém a teoria mais próxima da relação da psicomotricidade e psicologia foram a psicomotricidade relacional que visa desenvolver e aprimorar o conceito da globalidade humana e visa relacionar corpo/mente, mostrando a importância da comunicação corporal com o desenvolvimento, não só psicofísico mais o psicossocial e emocional, e suas manifestações e conflitos internos da criança desde a educação infantil. O trabalho teórico e pratico preza pela abordagem preventiva, com uma perspectiva qualitativa visando à saúde e não a deficiência propriamente dita como problemas. O desenvolvimento psicomotor este atrelado ao desenvolvimento biológico e cognitivo que acompanha desde o desenvolvimento infantil até a vida adulta.

PALAVRAS-CHAVE: psicomotricidade, psicologia, desenvolvimento infantil

INTRODUÇÂO

O presente trabalho tem como objetivo verificar as contribuições da psicomotricidade, em conjunto com a psicologia, no desenvolvimento infantil. Será feita uma investigação embasada nas teorias de Henri Wallon e J. Piaget, que irão abordar a psicomotricidade no âmbito cognitivo, emocional, afetivo e social. Se busca esclarecer os possíveis benefícios da psicomotricidade para o desenvolvimento infantil, no âmbito cognitivo e social (relação e afetividade), usando os preceitos da psicologia no auxilio para o desenvolvimento.

Será apresentado de inicio a gênese da psicomotricidade, seu surgimento e principais características de sua época. Em segunda instancia trataremos das visões de cada teórico, proposto para o texto, e de fechamento a intersecção do trabalho da psicomotricidade juntamente com a psicologia.

Para este estudo foram utilizadas fontes de artigos eletrônicos, periódicos eletrônicos e revistas científicas, além de livros relacionados ao tema.

PSICOMOTRICIDADE

Historicamente o termo psicomotricidade surgiu a partir da medicina, mais precisamente na área neurológica, que percebeu a necessidade de se pesquisar como funcionava a relação da zona córtex cerebral, situada além das funções motoras (LUSSAC, 2008).

Dentro dos desenvolvimentos da neurologia surgiram novas descobertas na neurofisiologia que constataram que, há diferentes deficiências motoras, sem que o cérebro obtivesse alguma lesão. De forma clara, devido a esse observação, veio a descoberta de distúrbio da atividade gestual, portando, para cada sintoma havia um esquema anatomo-clinico, que determinava se era uma lesão por trauma  e/ou algum fenômeno patológico. Justamente nesse período em 1870, foi que, através do fenômeno clínico se surgiu a psicomotricidade, para explicar a origem dos danos psicomotor com relação a neurologia (LUSAAC, 2008).

Etimologicamente o termo psicomotricidade tem origem no grego, psyqué = alma/mente e do verbo latino moto = mover frequentemente, agir fortemente, e sua terminologia está ligada ao movimento corporal e a sua intencionalidade (FONSECA, 1988; Apud. MEDEIROS, 2011).

Foi em Dupré (1909) que o termo psicomotricidade surge, com ele a noção de se compreender a causa das perturbações motoras, buscando assim explicar a relação entre os sintomas e a localização cerebral. Para este autor, a psicomotricidade é a relação entre o movimento, o pensamento e a afetividade (MEDEIROS, 2011).

Assim também é definida como,

A ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao mundo interno e externo, bem como suas possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOMOTRICIDADE, s.d, s.p. ; Apud. GOMES, 2016, p.6).

O termo psicomotricidade surgiu no Brasil através da escola francesa que estava instalada no pais em meados do século XX, período da guerra mundial. A neuropsiquiatria acreditava que a debilidade infantil precisava ter outro olhar para se ter um diagnostico mais preciso (LUSSAC, 2008).

Segundo Lussac (2008), Antônio Branco juntamente com Jurianguerra  foram os influenciadores para a abertura da primeira escola de avaliação psicomotora brasileira, na educação infantil.

Se anteriormente a psicomotricidade era voltada somente para patologia, atualmente os autores como Henri Wallon, Piaget, Juriaguerra, trouxeram uma visão mais profunda no campo de desenvolvimento infantil, não somente relacionado com a questão da doença mas sim com o desenvolvimento de qualquer criança nas idades iniciais.

Diante dessas ideias, no final da década de 1977 surgiu a obra de simbologia do movimento, que marcou o inicio de um novo período no âmbito educativo. Houve então uma passagem do método organicista funcional para o método relacional, onde Lapierre teve participação neste momento, em conjunto com Aucouturier, Airton Negrini, para a formulação deste novo termo, ocorrido nos anos 80 (SANTOS, 2007).

O Frances Andre Lapierre continuou a pesquisa e descreveu a psicomotricidade relacional, utilizando sua experiência de educador na pratica psicomotora, visando o olhar do adulto diante das crianças, ajudando a compreender a linguagem no processo de reeducação corporal. Ele foi fundador da sociedade internacional de analise corporal. Sendo assim, Laperrie se tornou um grande estrategista na área e, juntamente com outro autor Wallon, seguiram unindo suas teorias (SANTOS, 2007).

BENEFÍCIOS DA PSICOMOTRICIDADE

 A psicomotricidade pode trazer vários benefícios, entre eles, o auxílio na melhora de problemas motores, cognitivos e de relação com o meio, tendo também como ação a prevenção do aparecimento de doenças motoras.

A educação psicomotora é um meio para auxiliar a criança frente as suas dificuldade e a superação da mesma, proporcionando condições mínimas de bom desempenhos acadêmico ao educando. A educação psicomotora é preventiva quando oferecer condições a criança de desenvolver- se melhor em ambiente e, reeducativa quando trata de individuo que apresenta desde o mais leve atraso motor até problema mais serio (DUARTE, 2014, p.23; Apud. GOMES, 2016, p.12).

Percebe-se que, ao invés da psicomotricidade ser utilizada apenas por crianças que já apresentam algum tipo de patologia motora, está se levando o olhar para a questão do saudável, a criança que nasce sem apresentar nenhuma doença específica, também pode se utilizar dos benefícios da psicomotricidade para auxiliar na evolução no seu desenvolvimento psicomotor. Além de possibilitar uma melhora na qualidade de vida para as crianças que nasceram com dificuldades, a psicomotricidade desvencilhou-se do olhar patológico e voltou-se para o olhar preventivo, onde não somente utilizada mais para tratar doenças mas sim para ser utilizada por toda criança desde que nasce.

A criança que inicia sua vida sem um estimulação, pensado pelo novo viés da psicomotricidade, poderá ter vários comprometimentos, não só na infância mas ao longo de sua vida, em exemplo, ter desequilíbrio, não apresentar lateralidade, não ter noção espacial, entre outros.

Essas observações são feitas durante a educação infantil, quando o educador ou psicomotrista vai avaliando essas crianças ao longo do desenvolvimento. O desenvolvimento social também vai sendo avaliado nas atividades com trabalho em grupo, tratando a timidez e até mesmo a exclusão. Crianças com autismo através da psicomotricidade tem demonstrado vários avanços no comportamento social, segundo o que temos visto nas mídias.

Já na fase de aprendizagem, a psicomotricidade auxilia na matemática, na escrita , e na leitura estimulando através das brincadeira lúdicas , como xadrez, caça palavras , teatros, imitação, raciocínio, memórias percepção, reabilitação motora, integração no meio social entre outros (GOMES, 2016).

A criança de 7 anos, cujo desenvolvimento psicomotor transcorreu normalmente , ingressa num espaço perceptivo euclidiano de natureza intuitiva.produtos já complexo de uma atividade sensório-motora que se apoia no conjunto das aquisição motora da criança. Mas existe uma deslocação de alguns anos entre  esta percepção do espaço que prolonga pela utilização possível de imagem  reprodutoras(como o desenvolver de formas geométrica) e a representação mental de um espaço a parti  do qual as imagem antecipadoras permitem situar os objetos,os acontecimento e suas transformações (LE BOULCH, 1987,p.35; Apud. GOMES, 2016, p. 18).

Tendo em vista vários benefícios que a psicomotricidade possui, ainda temos uma resistência na área, pois não é regulamentada como profissão, ela existe em várias matérias, complementam em várias formações como, pedagogia, educação física, fisioterapia entre outras, e para cada área a psicomotricidade possui uma função, para área de reabilitação para crianças com problema motores, para integração com crianças problemas cognitivo. Para crianças com problemas sociais, as atividades coletivas contribui para o desenvolvimento em grupo, como exemplo os esportes, sendo assim, vemos a importância que a psicomotricidade tem no desenvolvimento infantil e os resultados futuros.

DESENVOLVIMENTO INFANTIL SEGUNDO HENRI WALLON E PIAGET

O desenvolvimento infantil inicia desde os primeiros dias de nascido, até a vida adulta. Sendo assim, vários autores tentam explicar cada fase da criança, a partir da psicologia. Os autores focam sobre o desenvolvimento psíquico, e os traumas causados desde gestação, mas os que serão  trabalhados focam, além do desenvolvimento psíquico, a sua interação com a parte motora.

No caso de Wallon, as suas significações que sua psicogenética trazem são diversas, no que se refere ao ato motor. Este autor trás que além de se ter um papel de relação com o mundo físico (motricidade de realização), o movimento aparece como tendo um papel fundamental na afetividade e também na cognição. Essa perspectiva então tem como característica a ênfase na motricidade expressiva, isto é, uma dimensão afetiva do movimento (GALVÃO,2012).

Wallon traz sua teoria voltada para o desenvolvimento das crianças influenciadas pelo meio da interação, sendo o primeiro ambiente da criança a sua mãe, que vai estimular essa criança nos seus estágios iniciais, se utilizando do toque, da estimulação da linguagem, iniciado também os primeiros indícios de afetividade. Neste modo a criança une todo o conjunto que possa dar base para o próximo estágio.

Para Henri Wallon, citado por Galvão (1995), o desenvolvimento cognitivo da criança é marcado por conflitos e contradições que impulsionam ao desenvolvimento. Este mesmo resulta da maturação do indivíduo junto as condições ambientais. Portanto, há necessidade de atenção e estimulação em cada estágio.

Wallon divide estes estágios baseado na teoria das psicogêneses da pessoa completa, em cada estagio a criança passa por uma mudança. (GALVÃO, 1995, p.97, Apud. GOMES, 2016).

– Tipos de estágio segundo Wallon:

1 .estágios impulsivo puro:características do recém – nascido e podem ser percebidas pelas respostas motoras ao estímulos e aos reflexos na ações, entre 3 e 4 meses  é que  vão surgir os primeiros sinais de emoções dirigido ao mundo humano, sinais de alegria e cólera por exemplo. (GALVÃO, 1995, p.97; Apud. GOMES, 2016).

2.estágio emocional : já a  partir do 6 meses, há uma mudança, os sinais de reflexos  passam a ser mais orientados pelo contato com os outros, e assim com meio social. As crianças aprendem a utilizar deste meio para satisfazer suas necessidades físicas e afetivas, tendo dominância da emoção (GALVÃO, 1995, p.97; Apud. GOMES, 2016).

  1. estagio sensório motor: Este estágio se inicia entre 1 ano de idade até o começo dos 2 anos de idade, a partir desse ponto surge a predominância do ato motor  no conhecimento dos objetos. O desenvolvimento inicia da fala juntamente com os demais e, a partir daí, irá surgindo  outros estágios  que irão impulsionar  nossas experiências (GALVÃO, 1995, p.97; Apud. GOMES, 2016).
  2. 4. estagio projetivo : ocorre dos 2 anos para frente  intencionalmente  que atividade motora  estimula a atividade cognitiva (GALVÃO, 1995, p.97; Apud. GOMES, 2016, p.10-11).
  3. estagio personalismo : dos 2 anos ao 5 anos de idade iniciam os reflexos emocionais onde as crianças atingem a consciência de  si (GALVÃO, 1995, p.97; Apud. GOMES, 2016, p.10-11).
  4. estagio da personalidade polivalente : Este estágio ocorre juntamente com o inicio da escolarização por volta dos 6 anos, e é marcado por mudanças no ambiente social, conflitos emocionas, rupturas e reconstruções da aprendizagem, posteriormente, o desenvolvimento segue ate adolescência e a idade adulta. (GALVÃO, 1995, p.97; Apud. GOMES, 2016).

Wallon ao dividir esses estágios possibilitou que a cada estagio a criança desenvolve o lado afetivo e cristalizando seus desenvolvimento.

Já para Piaget (2002) o desenvolvimento motor está ligado ao desenvolvimento biológico e cognitivo infantil, e dividiu o desenvolvimento em 4 estágios: sensório-motor, pré-operatório, operatório-concreto, operatório-formal, que caracteriza a percepção  e desenvolvimento  da motricidade  que se subdivide em 6 subestágios, que são eles (GOMES, 2016):

1). 0 a 1 mês: comportamento baseado apenas em reflexo e função de sucção e apreensão (GOMES, 2016, p.9).

2.) 1 a 4 meses : desenvolvimento da reação circular primária, inicia ao acaso tendo a relação com um meio físico  e social e da repetição de movimento simples (GOMES, 2016, p.9).

3). 4ª a 8 meses: reação circulo secundário começa aparecer e intencionalisa nos movimentos, como balança chocalho (GOMES, 2016, p.9).

4.) 8 a 12 meses: caracteriza pela coordenação de esquemas,, as crianças passam a associar movimentos (GOMES, 2016, p.9).

5). 12 a 18 meses: desenvolvimentos  dos gestos  intencionais como reação  circula terciária. Neste período a criança desenvolve a coordenação flexível e esquemas secundários e passam a experimentar novas experiência (GOMES, 2016, p.9).

6). 18 a 24 mês: neste estágio ocorre a coordenação de movimentos que resultam na elaboração do espaço , mostrando  a coordenação de movimentos  inteligentes senso motor, a criança começa a representação a imitação(GOMES, 2016, p.9).

Piaget e Wallon buscaram através de suas teoria, explicar o desenvolvimento cognitivo da criança relacionado com a interação e afetividade, nesses estágios citados acima, de cada autor, demonstram  que  tanto o desenvolvimento biológico  quanto o afetivo auxiliam  no desenvolvimento da criança, a psicomotricidade  fornece a criança base para essa evolução tanto no âmbito biológico quanto na interação social. A combinação da psicomotricidade com a visão dos autores da psicologia, possibilita a se chegar a uma combinação que permitirá mais avanços para essa criança, a uma compreensão dessa criança como um todo, e como o motor está para o pensamento (cognição), assim como o pensamento está para o motor, ambos andam juntos.

CONTRIBUIÇÕES DA PSICOMOTRICIDADE E PSICOLOGIA PARA O DESENVOLVIMENTO SAUDÁVEL DA CRIANÇA

A psicomotricidade possui uma relação primordial com a psicologia, sendo que, a psicomotricidade esta relacionada com o corpo e a psicologia esta relacionada com a mente/alma, deste modo a junção entre elas trás um preocupação no desenvolvimento da criança desde o dias inicias até ao longo de sua vida, no que tange a interação mente e corpo. A visão da psicologia é sobre as emoções, conflitos das crianças e suas marcas deixadas na infância, considerando que a função cognitiva, motora, emocional e social pode interferir na relação do sujeito com o mundo externo, isso fica bem claro ao se estudar alguns teóricos, inclusive os propostos para este trabalho, Piaget e Wallon.

Esse fato tem chamado a atenção cada vez mais dos psicólogos devido aos índices de crianças que não estão desenvolvendo as funções intelectuais e sociais, devido ao processo de informatização. Esse processo possui dois aspectos: negativo e positivo.

As crianças estão desenvolvendo de forma mais acelerada o aprendizado na área da tecnológica, buscando de forma rápida o conhecimentos e não o raciocínio estimulado. A aquisição de conhecimento está cada vez mais fácil, isso seria um ponto positivo para esta era da tecnologia, onde o acesso é muito mais fácil e rápido, mas por outro lado, devido a essa informatização a criança pode desenvolver o sedentarismo, por não sentir interesse em brincar com coisas que utilizem o corpo como instrumento ficando apenas com jogos eletrônicos, assim podem apresentar, depressão, por dificuldade de se relacionar, dificuldade na aprendizagem escola, entre outros fatores que estão aparecendo na vida de nossas crianças.

O brincar, além de auxiliar ao próprio movimento corporal, vem trazendo benefícios para a área cognitiva, uma criança que é capaz de colocar-se na brincadeira, inventar, fantasiar, é uma criança que cria mais capacidade de interpretação do mundo em que está inserida.

Segundo Oliveira (2008), entende o brincar como o viver, e o prazer da ação, e a vivência da dimensão psíquica nas relações da criança com o mundo, onde ao brincar vive o prazer de agir, simultaneamente, com o prazer de projetar-se no mundo, em uma dinâmica interna que envolve e promove a evolução e a maturação psicomotora e psicológica (COELHO, 2012).

Wallon deixa sua contribuição dando ênfase na importância do desenvolvimento das crianças a partir da interação com o meio e a socialização, tendo a psicomotricidade um aspecto muito relevante e importante que tem como objetivo olhar a criança como um ser emocional, motor, cognitivo que tem o dever de explorar seu corpo e ser estimulada para se desenvolver as noções corporais, explorando e apresentando o mundo externo para elas através do lúdico, fantasia, brincadeira.

Segundo Piaget (2002) as estruturas cognitivas mostram a importância do movimento antes da aquisição da linguagem, devido a isso a função da psicologia está presente na memória, atenção raciocínio. Para Piaget a psicomotricidade entra no estágio sensório motor que trabalha o desenvolvimento do cognitivo e afetivo (GOMES, 2016).

A psicologia juntamente com a especialização em psicanálise, além das teorias psicogenéticas de Wallon e Piaget, trás uma teoria muito parecida com a psicomotricidade, mas com métodos diferentes  de atuação.

O Ludodiagnostico e um instrumento de investigação  clinica, faz o uso de brinquedos para compreensão das manifestações  lúdicas da  criança, utilizando um contexto de estimulação, interação, na socialização infantil.  Para a psicanálise a ação de brincar evoca desejos, fantasias e simbologia , que projeta  no mundo externo as repressões,  medo, dificuldades de se relacionar, dificuldade de lidar com seus conflitos, que a criança tem, ou seja  a psicomotricidade pode contribuir através dos métodos de estimulação e interação, desenvolvidos por Henri wallom e J. Piaget, com o método de ludodiagnóstico. Além de utilizar a brincadeira como um estímulo motor e cognitivo, a psicomotricidade poderá beneficiar a psicanálise, numa junção da interação interna de resolução de conflitos, projetando no mundo externo tanto pela brincadeira quanto pela atividade motora, podendo-se perceber a auto estima dessas crianças, junto com sua melhora motora, dando um desenvolvimento saudável em ambos os aspectos mente/ corpo.

A atitude lúdica diz respeito a uma disposição mental considerada livre por excelência , tendo por paradigma o brincar da criança  que flui em  liberdade.

Vê-se que o prazer de se entregar a seus objetos de relacionamento, entretenimento e divertimento, tem sido uma ação associada á atitude psicanalítica, especialmente depois que winnicott (1975) ressaltou que a psicanálise foi desenvolvida como uma forma altamente especializada do brincar (TRINCA, 2012, In. AFFONSO, 2012).

CONCLUSÃO

Verificamos através da pesquisa que a psicomotricidade esta além das brincadeiras, jogos, ou ate mesmo aulas de educação física, sendo assim, observamos que a psicomotricidade oferece base de desenvolvimento em vários aspectos importantes.

A cada expressão corporal trabalhada com a criança a cada desenho desenvolvido ajudará o psicólogo a compreender não só a dificuldade motora, ou relacional mais os motivos que estão por trás de dada dificuldade, que nem sempre se caracterizam por algo patológico mas sim relacional.

A psicologia trata fenômenos internos e externos do sujeito, como o caso da rejeição, e a fase que fica as marcas de rejeição ou de problemas de relacionando inicia-se desde o período embrionário segundo algumas teorias psicológicas, é desde dos primeiros meses de gravidez está se criando o campo relacional da criança. Sendo assim é de extrema importância conhecer os métodos da psicomotricidade, a importância da expressão corporal, e que ela tem a contribuir para desenvolvimentos inicias, como no caso  de aprimoramentos a cada fase estabelecida tanto no sensório- motor, quanto no âmbito emocional e social. É fazendo esse tipo de relação, da psicomotricidade em conjunto com as fases propostas pelos autores da psicologia demonstrados nesse trabalho, que se conclui que essa relação dessas duas vertentes proporciona um melhor desenvolvimento infantil, e que uma pode a vir complementar a outra em seus trabalhos.

A psicologia oferece a compreensão dos aspectos reprimidos (psicanálise) do porque da dificuldade de alguma criança, tanto no campo relacional quanto em alguma atividade motora, que possa estar sendo interrompida por algum recalcamento do afeto feito pela criança. A psicomotricidade em questão, utilizada no âmbito escolar, pode ajudar os professores a perceberem dificuldades motoras e afetivas das crianças, quando propõe as brincadeiras com interação por exemplo, mostrando que certa criança tem algum bloqueio nas atividades motoras, assim se alerta os pais que buscarão ajuda para a melhora de seu filho que sendo algo motor e biológico, vai ser ajudado por fisioterapia, e não sendo de ordem biológica e sim  de ordem emocional vai ser ajudado pela psicologia.

A criança trás seus conflitos através do brincar, na fantasia, no jogo, e expressa ao mesmo tempo elabora os seus conflitos, ficando assim cada vez mais próxima da melhora. Se for utilizada nesse momento lúdico, que o psicólogo se dispõe nas sessões de psicoterapia com crianças, a psicomotricidade, será de grande contribuição na melhora afetiva e motora da mesma, pois se for algum problema motor devido à aspectos inconscientes será trabalhado via ludoterapia e psicomotricidade juntos.

Ao pesquisar a teoria de Wallon e Piaget fica mais clara a importância dos psicólogos em conhecer sobre a psicomotricidade e os benefícios que ela auxilia no desenvolvimentos biológico, quanto no conflitos internos, o trabalho preventivo poderá ser feito tanto nas áreas escolar  por um profissional psicomotrista, quanto por um psicólogo na área de psicanálise clinica Infantil, ambos trabalhara com métodos diferentes mais com objetivos iguais.

A psicologia e psicomotricidade também se aproximam devido o índice de crianças com problemas de aprendizagem  e relação social,  ou seja devido a essa super valorização do meio eletrônico e redes sociais, tanto os professores  quanto os psicólogos estão tendo dificuldade em atrair essas crianças com jogos lúdicos, ou as manter concentradas com coisas que chamam pouca a atenção. As visões apresentadas pela psicanálise sobre ludodiaginostico por exemplo, que tem como objetivo o brincar para desenvolver  uma linha de comunicação com essa criança do mundo interno para o externo,  a psicomotricidade também utiliza o brincar para estimular o raciocino e memoria formando o desenvolvimento saudável desde inicio da alfabetização ate a interação só sujeito  no meio  social.

Concluímos que a cada passo da evolução tecnológica  aumenta a dificuldade das crianças de se relacionar uns com outros, dando sequencia neste mesmo pensamento a psicologia terá  que se apropriar da psicomotridade para auxiliar nas formações inicias do desenvolvimento infantil no âmbito escolar, a hipótese apresentada nessa pesquisa é que os profissionais da área escolar trabalhem na prevenção através da estimulação  social, dando importância  no trabalho de reconhecimento da criança no meio social, com a utilização da psicomotricidade atrelada aos preceitos da psicologia, pois ambas diante de um bom projeto podem caminhar juntas.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

  • TRINCA, W.; Atitudes Lúdicas e Expansão de Consciência, Cáp.2; In. AFFONSO,R.M.L.; Ludodiagnóstico: Investigação Clínica Através do Brinquedo. Porto Alegre: Atmed, 2012.

 

  • COELHO, E.V.P.; A Psicomotricidade na Educação Infantil, Universidade do Contestado – Unc, Campus Universitário de Curitibanos, Curitiba, 2012. Disponível em: < http://www.uniedu.sed.sc.gov.br/wp-content/uploads/2013/10/Elisangela-Veiga-do-Prado-Coelho.pdf >. Acesso em: 26/06/2016 ás 02h30min.

 

  • GALVÃO,I.; Henri Wallon : Uma Concepção Dialética do Desenvolvimento Infantil. Izabel Galvão. 21. Ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2012 – (Educação e Conhecimento). ISBN 978-85-326-1402-5.
  • GOMES, A.M.; A Importância dos Conhecimentos Sobre Psicomotricidade Para Atuação Docente nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Universidade Estadual de Maringá – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes – Curso de Pedagogia, Maringá, 2016. Disponível em: < http://www.dfe.uem.br/TCC-2015/Anglica_Matos_Gomes.pdf > Acesso em: 01/06/2016 ás 13h30min.
  • LUSSAC, R.M.P.; Psicomotricidade: História, Desenvolvimento, Conceitos, Definições e Intervenção Profissional. Revista Digital – Buenos Aires, Año 10 – N° 126 – Noviembre de 2008. Disponível em: < http://www.efdeportes.com/efd126/psicomotricidade-historia-e-intervencao-profissional.htm > Acesso em: 21/06/2016 ás 13h37min.
  • MEDEIROS, A.C.C.; A Importância da Psicomotricidade para o Processo de Alfabetização. Universidade de Brasília. Brasília, 2011. Disponível em: < http://bdm.unb.br/bitstream/10483/2188/1/2011_AnaClaudiaCostaMedeiros.pdf >, Aceso em: 06/05/2016 ás 14h00.
  • SANTOS, F.M.S.; Psicomotricidade Relacional Na Teoria de Henri Wallon e André Lapierre, Salvador/BA, Setembro de 2007. Publicado em 07 de abril de 2013. Disponível em: < http://www.webartigos.com/artigos/psicomotricidade-relacional-na-teoria-de-henri-wallon-e-andre-lapierre/106554/ > Acesso em: 02/05/2016 ás 16h09min.

Tábata Freitas, 28 anos, é estudante do quarto período de Psicologia. Nascida em Cachoeiro de Itapemirim (SC), reside em Campo Mourão há 14 anos.

Escreve este artigo em co-autoria com o professor Márcio Sampaio de Marins, mestre em educação pela UNESP, professor de Metodologia da Pesquisa Científica para os cursos de Graduação e Pós-graduação da UNICAMPO.

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